Sombra e Ossos é a nova série da Netflix baseada na trilogia Grisha, escrito por Leigh Bardugo, uma autora israelense. E estreou no dia 23, acabando com a espera de muitos fãs.

A primeira temporada se baseou nos dois primeiros livros da saga: Sombra e Ossos e Sol e Tormenta, felizmente, não é preciso ter lido os títulos antes de começar a assistir a trama. Ainda que nos livros, se trate de uma história complexa e com diversas divisões de enredos paralelos, inúmeros tipos de magia, inimigos, família, golpe, traição, entre outras questões, a série soube trabalhar bem.

História

A história acompanha Alina Starkov (Jessie Mei Li), uma órfã que trabalha como cartógrafa, pessoa responsável por mapear/desenhar os territórios. Ela naquele momento era a responsável pelo território dividido pela Dobra das Sombras, uma muralha de trevas que abriga criaturas letais que atacam qualquer um que entre em seus domínios.

Conhecemos também seu melhor amigo, Malyen “Mal” Oretsev (Archie Renaux), que era um rastreador, membro do exercito e que estava responsável por atravessar a dobra, e é aí que se inicia trama!

Nessa primeira parte, Alina não se segura quando percebe que seu melhor amigo Mal vai atravessar a tenebrosa Dobra e dá um jeito de ir com ele. Ao cruzassem a Dobra, todos os passageiros dessa embarcação são atacados pelas forças malignas, inclusive Mal e nesse momento tentado salvar ao amigo ela descobre que é membro da comunidade Grisha, capaz de controlar os elementos da natureza e moldar a realidade, ela é a Conjuradora do Sol, uma criatura que tem o poder único de destruir a Dobra.

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Outros núcleos

O universo criado por Leigh Bardugo é extremamente rico e extenso e obviamente a Netflix não perderia a oportunidade de aproveita-lo. A primeira temporada já trouxe vários detalhes, como a divisão dos mundos, a disputa politica e a hierarquia militar dentro daquele mundo.

E assim conhecemos trio mercenário, Os Corvos, do líder Kaz Brekker (Freddy Carter), e os membros Inej (Amita Suman) e Jesper (Kit Young), anti-heróis com quem o público consegue se identificar com facilidade. Eles vivem do outro lado da fenda e são contratados para serviço que os deixarão ricos, capturar a conjuradora do sol.

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Os Grishas e sua magia

Os Grishas são um pequeno grupo com habilidades especiais, beirando a magia e muitos creem que eles são bruxos, mas na realidade, eles mesmos explicam que não são.

As magias, na série são chamadas de Pequenas Ciências, arte de manipular as moléculas. O desenvolvimento desses poderes é extremamente empolgante, não só pelo que eles conseguem fazer, mas também pela forma física criada pelos efeitos especiais. Os Grishas têm poderes de controlar a água, a escuridão e o Sol, e invocar fogo e vento, por exemplo. Mas não para por aí: eles também podem curar, controlar seus batimentos cardíacos e o oxigênio dos pulmões, entre outras funções.

Nesse momento, é preciso ter mais conhecimento dos livros para entender melhor essas classificações, incluindo as vestimentas que os identificam, confira também a matéria do bora.

 Esse detalhe, no entanto, não torna a trama confusa nem menos interessante, deixando em aberto a possibilidade de conferirmos mais temporadas e, aos poucos, memorizarmos a função de cada um dos personagens e o que eles são capazes de fazer.

Diversidade

Em Sombra e ossos, temos uma diversidade de elenco grande. Depois de anos de luta pela diversidade no cinema e na televisão, finalmente estamos assistindo à inclusão acontecendo nas tramas mais atuais.

 Vemos a própria protagonista sofrendo de racismo pelos seus traços orientais, mostrando que a trama se preocupou em fazer uma singela crítica social. Também vemos personagens de origem indiana e negros, e até mesmo um breve relacionamento entre homens, uma vez que a homossexualidade sempre existiu. Mais um ponto para Sombra e Ossos, que optou por trazer humanidade para a história, mesmo se tratando de um conto de magia.

Aspectos técnicos

O figurino e a produção da série também merecem destaque. Afinal, o que não faltam são obras que retratam Londres na era vitoriana, uma reinterpretação da Rússia marcada pelo militarismo característico da dinastia Romanov. Tudo isso eleva a produção para um nível mais alto de riqueza em detalhes e uma fotografia impecável. As coreografias de combate ajudam a conquistar o lugar da série entre as melhores adaptações da plataforma de streaming.

É claro, ainda existem elementos familiares e que não chegam a ser surpreendentes, mas a forma bem feito que é aplicado ganham pontos. É justamente a junção de todas essas características que chama mais a atenção dos espectadores.

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Conclusão

À primeira vista, especialmente quem não leu os livros, parece estar sendo jogado num caldeirão cheio de nomes complexos, "classes" e lugares diferentes, a série inicia em ritmo acelerado, não começa de forma tradicional, e isso nos faz ficar um pouco perdidos inicialmente, mas nada que atrapalhe realmente.

Existe espaço para melhora nessa produção da Netflix, sobretudo, no que diz respeito a abordagem dos variados temas que se encontram na narrativa, como movimentos separatistas, racismo, desprezo a monarquia. Tudo isso é comentado de modo um tanto superficial, desta maneira, é possível no prolongar da história.

Sombra e Ossos é uma grata surpresa de trama conceitual, personagens cativantes e efeitos marcantes que nos deixam com gosto de quero mais, e com um sentimento de arrependimento de ter maratonado tão rápido os 08 episódios.