E nessa quarentena ando me sentindo uma garimpeira do tanto que escavo o catalogo dos serviços de streaming, e de tanto procurar encontro umas joias raras. E nesse momento encontrei Special, uma serie super fofa, que estreou na Netflix no dia 12 de abril de 2019, e vem chamando bastante atenção. Baseada no livro “I´m Special: And Other Lies we Tell Ourselves” (Eu sou especial: E Outras mentiras que contamos para nós mesmos), escrito por Ryan O’Connell, que também assina o roteiro e a atua no seriado. A história gira em torno de Ryan um homem gay com paralisia cerebral, que depois de ser atropelado “decide reescrever sua identidade e finalmente ir atrás da vida que ele quer”.

Somos cativamos pela trama logo cedo, todos os episódios são bem curtos, normalmente tendo de 12 a 17 minutos, então cada episodio vai direto ao ponto sem rodeios, isso lembra muito uma crônica, só que desenvolvida para plataforma digital.

Durante trama, apesar de ser uma comedia, trás assuntos relevantes e ate complexos, o que nos fazem refletir bastante. Logo no inicio nos é apresentado a questão do dilema de Ryan, pela Paralisia dele ser considerada leve (questão mais motora e não mental) ele se sente em uma espécie de limbo, não podendo ser aceito nem entre os “normais” e nem da galera “não-normal”, devido a isso ele evita trazer em torno a paralisia, ele prefere nega-la.

Outra questão muito interessante é sobre a comunidade LGBTQ+ na aceitação de outros foram do padrão. O culto e valorização do corpo perfeito é algo tão agregado na comunidade que acaba se tornando toxico, e essa realidade é vista no seriado, graças a toda a padronização dos corpos sarados o protagonista se ver meio que sem autoconfiança.

Um dos fatores mais legais do seriado é o empoeiramento da personagem Kim (Puman Patel), que apesar de fora dos “padrões” sociais a personagem é muito dona de si, sempre transbordando autoconfiança e lutando contra toda essa padronização. Na cena em que ela incentiva Ryan a amar o próprio corpo, destacando os pontos positivos é sensacional, apesar de parecer fácil toda aquela força proveniente dela, ela mesmo fala relata, que para ela um mulher, indiana e fora do peso  tido como ideal, a batalha é muito mais difícil e ela tem que se esforçar duas vezes mais para ser respeitada e considerada.

Lição: Todos nós devemos ter uma Kim em nossa vida!

Questões como a libido e as sexualidades em todas as idades são retratadas também, Karen (Jessica Hecht) mãe de Ryan, vive a vida em torno do filho, cuidando e auxiliando ele sozinha. Quando ele decide morar sozinho ter sua própria independência, ela encontra-se sem uma espécie de rumo, ate que aos 49 anos ela redescobre a sua libido e sua sexualidade e a própria feminilidade (amor não tem idade baby). A própria virgindade de Ryan se torna algo importante, a questão de ele querer se livrar dela desde o início da temporada e as questões de baixo auto estima atrapalhar, vemos o desenvolvimento dele com relação a auto aceitação até se sentir confiante para finalmente faze-la, tudo isso de forma muito fluida e leve.

Pontos positivos

  • É impossível não falar da fotografia da serie, o esquema de cores quentes e neutras da um dinamismo a serie que acompanha a forma narrativa que ela trás.
  • Trazer o próprio Ryan O’Connell, para atuar foi um aspecto muito forte, o primeiro ator com PC e atuando bem é algo que se destaca muito na trama.
  • Todos os conflitos em torno da vida do personagem é algo interessante, tem momentos que compartilhamos das duvidas e das crises dele e tem momentos que falamos: “perai, ele está sendo bem ridículo nesse ponto”, trazer essa reação do seu publico é algo incrível.

Pontos negativos

  • Apesar de entender o porquê dos episódios serem tão curtinhos, você fica querendo mais e mais, para ontem!