Foi triste quando ficamos sabendo do cancelamento de Sense 8 e a história por trás disso tudo todos nós já sabemos e não adianta repetir. O que nos serve agora é aproveitar essa “oportunidade” de poder encarar os desfechos de nossos personagens, desfrutando um pouco mais de suas histórias e conexões.

 

 

Sabíamos que não iríamos ter um final adequado, era claro que com toda o desenvolvimento que a série apresentou nos últimos dois anos, ter duas horas e meia para encerrar não daria pra fazer tudo. Logo adianto que não foi ruim, ao menos não tanto como esperei que fosse. Os roteiristas se concentraram no que era mais importante, não só para os fãs como mesmo que de forma mínima, para o desenrolar da história ser crível e ter as características que mais amamos ao assistir Sense 8 pela primeira vez.

Deu pra sentir que a série realmente tinha se preparado para mais temporadas, realmente não passou despercebido o roteiro corrido e ao mesmo tempo explicado demais em alguns momentos. Porém ao mesmo tempo, o roteiro conseguiu dar espaço e ser inteligente o suficiente para saber usar o tempo restante para misturar uma tentativa de agradar os fãs, com as características marcantes que a série sempre teve e se destacou. Por isso, esse foi um episódio melhor do que esperava chegando até a me emocionar em alguns momentos.

Não vou mentir que a série nunca me chamou atenção pela trama principal, ao menos não quando começaram a focar nos mistérios da “BPO”, “Whispers” etc. É óbvio que para a história fazer algum sentido, eles precisavam dessa trama para nos fazer entender o porquê da existência dos Sense 8.

Pra mim o que sempre me chamou atenção era a maneira como cada história individual era bem construída e interessante, e como se conectavam entre si. Esse realmente era o diferencial da série e foi o que eles mais souberam trabalhar, ainda que essa principal característica, tenha se perdido um pouco nesse final, devido ao fato de todos eles ou praticamente todos, estarem realmente no mesmo lugar.

Não chego a dizer que esse modo brilhante que eles encararam a conexão entre os personagens, foi a alma da série. Na verdade, todo o contexto metafórico apresentado pelo universo da série e o significado real por trás de tudo, foi o que sempre me chamou atenção. Combinar um gênero aparentemente não tão popular entre o público LGBT, a uma temática tão diversificada e inteligente foi o que Lana Wachowski fez de melhor em Sense 8.

É Claro que não podemos deixar de lado, toda a construção técnica da produção, mas o que deu pra notar nesse final e todos os momentos que realmente me causaram algum tipo de reação real e emocional que não “Eles fizeram essa cena porque precisaram explicar o final apressado” foram aqueles que envolviam um subtexto humano e sensível, sendo mais preciso, quando falaram sobre amor.

É por isso que essa produção se tornou tão marcante no momento em que vivemos hoje, trazendo uma história bem construída, tendo como ponto principal pessoas, suas personalidades e não estereótipos. Finalmente dá pra entender porque tantos personagens, tantas tramas diferentes pra tratar de um tema tão simples: O Respeito as diferenças tendo o direito de amar como o fim. A Série falou sobre sexo como uma livre expressão humana, que é em sua definição original - a coisa mais instintiva e natural de todas. Basicamente algo que faz parte de nossa natureza, mesmo não sendo algo obrigatório para ser feliz, mas ainda assim um meio tão simples de se achar quando é feito por livre e espontânea vontade e bota vontade nisso!

Pra ser sincero, não acho que esse episódio final merecia passar por um processo de crítica. A responsabilidade dos temas tratados e as circusntâncias nas quais esse filme final nos foi preparado justificam qualquer furo que tenha aparecido. Não deu pra fechar os olhos, é claro, mas observar a forma como eles conseguiram concluir foi muito mais divertido do que ficar procurando o que eles erraram e acredite, as possibilidades para uma verdadeira catástrofe, eram gigantescas.

 

 

Com um fim agridoce, Sense 8 nos deixa com a sensação óbvia de que podia muito bem ter durado mais. Contudo, infelizmente, criar uma produção tão rica em detalhes como essa, acaba tendo o seu preço, mas isso não torna a experiência completa menos importante. A mensagem conseguiu ser passada e na minha opinião isso foi a coisa mais importante que essa produção nos trouxe.