Alguém uma vez disse:

Os Homens têm medo que as mulheres riam deles, Mulheres têm medo que os Homens as matem.

Nós deveríamos saber melhor. Eu achava que ainda haviam lugares secretos, escondidos nas rachaduras e fendas desse mundo

lugares que poderíamos tornar bonitos, cheios de paz, quietos, seguros ou ao menos suportáveis

Somos seres sensíveis por natureza e demonstramos isso ao nos importamos com o próximo, semelhante ou não. O Laço que nos une, identifica nosso sentimento de humanidade e nos faz manter a vontade de continuar ajudando uns aos outros, independente das circunstâncias a que somos submetidos.

Dessa vez, mais do que nunca, Handmaid’s nos apresentou seus laços humanos, na verdade seu maior traço humano. O sentimento de se importar com o outro talvez seja o único elo que mantém a esperança para dias melhores e é nele que June se apoia para manter-se sã. Através deste sentimento vimos finalmente uma relação diferente se iniciar; Serena Joy e June agora trabalham juntas, reescrevendo as normas do comandante e ainda que provavelmente mantenham a maioria das regras que tornam Gilead o que ela é, o ato de junção de duas mentes tão ativas é um grande passo.

Deu pra finalmente perceber o propósito de todo o acontecimento da explosão, as mortes que aconteceram foram apenas consequências de um ato que refletiu de maneira penetrante na construção ideológica dessa nova “sociedade”. Primeiro teve-se as consequências graves, mais mortes e violência, mas nada comparado ao início de uma pequena revolução dentro da própria casa do comandante Waterford que foi iniciada, talvez, sem a ciência de sua própria magnitude por sua mulher.

Como já disse muito antes, Serena Joy parece estar cada vez mais desperta de tudo ao que se propôs quando concordou, aparentemente por livre e espontânea vontade, a se tornar submissa a uma ideologia. Suas atitudes, que há alguns episódios já estavam bastante suspeitas, dessa vez avançaram de uma forma mais concreta.

Digamos que coisas de verdade começaram a acontecer em GIlead.

Com o bebê de Janine doente, June, que agora está de certa forma mais próxima de Serena, pediu que a amiga tivesse a chance de ver ao menos uma última vez seu bebê. Não vou mentir que não levei muita fé nesse pedido, Serena me surpreendeu ao aceitar e ainda ajudar em toda situação. Porém, uma das cenas que mais me chamou atenção, não foram todos os momentos no hospital e sim quando June vai fazer o pedido e Serena nega de primeira.

A handmaid fala como se desabafasse com uma amiga, e ao vermos a reação de Serena, fica claro que toda aquela situação mexe com ela do mesmo jeito que já havíamos notado em Tia Lydia, por exemplo. Outra coisa que notei é que June está cada vez mais focada em seu plano de vingança e sim, ainda é bastante nebuloso tentar saber o que ela pretende fazer. Como já disse antes, provavelmente nem ela sabe.

Contudo, o que dá pra ver é que a personagem tem consciência que deve se aproximar o máximo que puder dos senhores Waterford, se não for de um lado vai no outro. Isso ficou bem claro no fim do episódio. Quando o Mr. Waterford descobre o que Serena fez e a pune dando-a uma surra de cinto.

June vai até seu quarto e oferece ajuda, Serena a trata como antes, tentando consertar suas atitudes provavelmente por medo de ser punida novamente. A handmaid, quando vê que dali nada mais pode tirar, ao menos agora, corre atrás do Mr. Waterford e tenta logo uma aproximação. Algo que a torne imune aos efeitos de Gilead de alguma forma, do mesmo modo que sua relação com Serena quase a tornou.

Ficou bem claro nesse episódio o quanto June está calculando tudo o que faz, tá certo que certas coisas como sua ajuda a Janine a ver sua própria filha foi algo realmente humano e um ato de amizade, mas porque não usá-lo como tática pra mexer ainda mais com os sentimentos de revolta de alguém que está cada vez mais fora de si?

Me surpreendeu como Serena se relacionou com o sentimento de Janine, aliás, todas as mulheres que estavam ali, incluindo o Mr. Warren, pareciam estar unidos para que aquele bebê tivesse força para viver, que de alguma forma a presença da mãe biológica ajudasse.

Em toda essa situação, o olhar humano e sensível foi se identificando em cada um de uma forma diferente. Tia Lydia como sempre mostrou sua preocupação tão individual e característica com as possíveis reações de Janine, Serena foi por cima da palavra do Mr. Waterford e quando achou que nada mais podia fazer, chorou. Atitude que não foi seguida por June, que enquanto todos se entristeciam com o possível destino trágico de toda aquela situação, June olhava friamente, encarando a situação como um desafio, uma fase a ser vencida, um destino a ser mudado, um futuro que precisa ser transformado nem que seja através de suas próprias mãos.

O Sentimento parece ser algo que não pode mais atrapalhar o destino de June, quando ele voltar a aparecer será pela espontaneidade de ser humana e nada mais.

De forma mecânica ou espontânea, as atitudes quando são tomadas em contextos de risco, revelam o nosso lado mais instintivo. Isto faz nos conhecermos ainda mais, assim como ao próximo. Ter humanidade, vai muito além de uma simples ajuda, esse sentimento não segue apenas um caminho de ida, ele também volta pra nós mesmos e serve pra nos ajudar a crescer de alguma forma ou até mesmo aceitar deixar a culpa que habita em nosso coração ir embora.

Isso me lembrou muito um episódio de Friends, em que Phoebe e Joey discutem se boas ações altruístas realmente existem, pois quando fazemos algo de bom ao próximo também nos sentimos bem, também nos ajudamos. June ajudou Janine não somente para se sentir bem de volta, mas talvez para aliviar a culpa de suas atitudes de aproximação à ideologia de Gilead, mesmo que com segunda intenções.

E no fim das contas, o bebê apenas precisava de seu retorno a sua própria natureza. Natureza essa tão defendida às cegas por Gilead. Porém uma natureza a certos olhos, categórica, não aos olhos de todos.

Highlights:

- Não gostei que Emily só apareceu nesse episódio só pra xingar Gilead, o que nunca é algo ruim, mas eu amo a Alexis bledel e nunca perdôo quando ela aparece pouco.

- Eden continua me assustando. Tenho medo do que essa menina pode fazer com o plano de June e Nick.

- Ainda tô tentando decidir se deu pena de Serena ao vê-la ser punida, mas adianto que amei a relação dela com June se solidificando um pouco mais. Principalmente quando ela disse que odiava fazer tricô.