Finalmente tivemos um episódio recheado de atitudes explícitas.

Para quem acompanhou a última review, viu que eu não tava muito alegre com o desenvolvimento da história até o episódio passado – principalmente o da semana passada – mas dessa vez, The Handmaid’s Tale mostrou toda sua amplitude dramática ou ao menos uma grande parte dela, nesse episódio.

Antes de tudo, é preciso dizer que, June está de volta. A Handmaid voltou ao seu eixo e parou de sentir culpa ou ao menos conseguiu superá-la por um tempo e está debochadíssima outra vez. O Episódio começou exatamente onde parou, June no hospital, com uma Serena Joy boazinha deixando-a até ver o ultrassom, essa mulher é um anjo.

E não parou por ai. Dessa vez Serena realmente se empenhou em fazer June, de uma forma insana e absurda, se sentir bem e em casa. A Handmaid fez as ordens de sua senhora, sorrindo e assentindo pra tudo, se preocupando em ter sua “antiga personalidade” – entendendo que Serena gostava dela – e ao mesmo tempo aceitando tudo e fingindo gostar dos “Mimos” que começou a receber.

O outro plot do episódio, foi o de Mr. Waterford na finalização da construção do “Rachel and Leah Center”, uma espécie de centro de ensinamento para Handmaid’s e outras coisas relacionadas. O que de início me pareceu mais uma encheção de linguiça, com um cenário incrível e diálogos recheados de conteúdo para compor a cena, só que dessa vez, não. Porém vou falar disso mais a frente.

O Mr Waterford também esteve ocupado em casa.

June, que como disse, está mais debochada do que nunca. Em uma bela noite após deixar sua barriga ser tocada por Serena e esperá-la adormecer, foi até a cozinha “beber um copo d’água” encontrando seu “senhor” bem ali, sentadinho, comendo um pão com queijo enquanto a encarava com aquela cara de tarado.

É óbvio que ela não ia deixar de se aproveitar da situação para pôr o seu plano em prática, mesmo que ainda não saibamos o que ela tem em mente, na verdade nem ela deve saber.

Voltando um pouco a Serena Joy e suas atitudes estranhas. Dessa vez, vimos seu passado levando a sua ideologia do papel da mulher para uma universidade, antes de Gilead realmente tomar o poder.

Foi interessante, vê-la como uma mulher que parecia tão imponente e poderosa, ao mesmo tempo ironicamente defendendo toda uma ideia que fundamentalmente a impediria de ser assim. Vimos ao menos um pouco, do porquê Serena ter se tornado uma mulher tão rancorosa e passivo-agressiva com June e seu próprio marido.

De volta ao presente, já havia falado antes que Serena estava tendo várias atitudes confusas a respeito da ideologia que supostamente deveria defender e como isso estava se refletindo em sua “relação” com June. Dessa vez, vimos um pouco mais de empatia real sobre sua Handmaid e tudo bem, pode ser apenas pelo bebê que ela carrega, mas nesse episódio senti algo mudar no olhar de Serena, mesmo que no fim suas atitudes tenham sido tão terríveis como sempre foram.

Toda a situação de Nick e sua “mulher” parece realmente ter uma grande importância no enredo de June e sua possível fuga/vingança. Já disse antes e repito; ver June ativa e com sangue nos olhos é uma das melhores coisas dessa série, principalmente quando sabemos que ela tem algo na cabeça. É importante ver como o roteiro mesmo que de maneira extremamente irônica, dá poder a suas mulheres. June pensa e age por si, ela quem controla Nick, manda-o transar com sua própria mulher de 15 anos para não estragar seus planos e logo depois de escutar um “Eu te amo” , responde:

Ela é sua mulher

Do mesmo modo, no passado, quando Serena acorda no hospital após os tiros toma uma posição e pede para seu marido se “tornar um homem” e ir atrás de quem atirou nela. Mais uma vez a ironia está presente através do controle manipulativo que Serena exerce ou ao menos exercia sobre o companheiro.

Esse foi um episódio lotado de momentos interessantes. O que foi guardado para o final, não decepcionou nem um pouco. Todo o processo de inauguração do Centro para as Handmaid’s se tornou o palco de uma das melhores cenas da série. O que foi aquele final? Durante o discurso de inauguração do Centro, com vários homens de Gilead sentados no centro de uma sala com as Handmaid's nos cantos (Senti uma espécie de referência as salas de câmara, recheadas de deputados e quando acontecem protestos - que é quase sempre - essas pessoas ficam nos cantos, assim como as handmaid's estavam).

O que importa é que Ofglen iniciou uma rebelião, explodindo provavemente a si mesma e todos os homens que estavam ali naquela sala opressora, incluindo o Mr. Waterford.

Se ele realmente explodiu junto, não sabemos ainda, o que resta agora é esperar...

Cheia de significado e gerando muitas dúvidas, The Handmaid’s Tale continua sua caminhada para a reta final, só que agora finalmente deu um passo largo e ao mesmo tempo sem ser maior que as pernas.

Muita ansiedade para o próximo episódio!

Highlights

1. Ver Nick consumando seu casamento com Eden através de um lençol branco com um buraco pra vocês sabem o que entrar e aonde, foi a coisa mais estranha que já vi nessa série.

Inclusive, ainda sobre essa cena, fica claro que a melhor frase para ser dita antes do sexo é:

- Você irá ser um ótimo pai.

2. Serena Joy era fértil e o tiro que recebeu teria sido no útero? Tornando-a incapaz de conceber filhos?

3.Todas as Ofglens arrasam