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Preciso começar dizendo que não foi nada fácil organizar todos os meus pensamentos em palavras e talvez por isso a demora em postar a crítica. Definitivamente maratonar, em minha opinião, não funciona para essa série. É real demais e pesado demais para simplesmente passar pouco mais de 13 horas assistindo e pronto, vamos para próxima. É preciso digerir. Respirar fundo e refletir sobre as atitudes mostradas. Repito: não é uma história qualquer. Não dá pra passar batido.

E sim: ela é polêmica e está aí para problematizar. Mas tomem cuidado para que lado e até onde levar essa problematização. A série é muito além do que só causar, eles de fato querem fazer uma denúncia, mesmo que os seus métodos sejam um pouco pesados demais.

Então, vamos ao resumo. A segunda temporada começa 5 meses após o desfecho do primeiro ano. A primeira temporada termina cheia de lacunas e a segunda vem para preenchê-las. Temos aqui uma Sra. Baker (Kate Walsh) desesperada por respostas e enfrentando um julgamento contra a escola, onde ela acusa negligência com a sua filha.

Se ilude quem acha que o julgamento é para Hannah (Katherine Langford). Temos tantas histórias misturadas que isso termina ficando em segundo plano por um tempo. A gente não fica interessado se a escola será punida ou não, a gente acompanha os desdobramentos que nossos personagens apresentam no tribunal. E para mim esse é o ponto alto da série: aqui não temos a Hannah conduzindo a história, temos outros lados e outros desdobramentos. E aí sim fica bom porque percebemos que Hannah não tem a verdade absoluta e aí, para aqueles que ainda não tinham enxergado, fica bem claro: todas as ações e atitudes que rodearam Hannah e os outros personagens é que a fizeram reproduzir aquele ato. E todo mundo errou, inclusive ela.

Deixo os detalhes para vocês conferirem, mas algumas histórias me chamaram atenção, positiva e negativamente. Zach (Ross Butler) foi uma surpresa agradável e linda, não esperava nada daquela história que finalmente começou a fazer mais sentido. Justin (Brandon Flynn) ganhou uma profundidade super interessante e ganchos para a próxima temporada, eu amei a jornada dele e se tornou um dos meus personagens favoritos.

Alguns passaram um tanto batido como Sheri (Ajiona Alexus), Ryan (Tommy Dorfman) e até mesmo Alex (Miles Heizer), apesar de render algumas boas cenas o envolvendo. Jessica (Alisha Boe) é um ponto chave na história e eu me compadeci tanto com sua situação que foi impossível não se emocionar no final, apesar de uma sequência no último episódio um pouco aleatória pelo o que estavam construindo dela durante toda a segunda temporada. Courtney (Michele Selene Ang) teve passagens importantes bem como o Sr. Porter (Derek Luke), que ganhou meu respeito em suas cenas no tribunal. E Clay (Dylan Minnette), bem, muitas vezes o odiei e outras eu estava simplesmente ignorando ele em cena. Apesar de tudo, se tornou bem importante e eu gostei de alguns arcos.

No geral eu achei a segunda temporada muito bem construída e, ao contrário de muitos por aí, não achei nem um pouco desnecessária. Eu achei sim bem necessária para gente enxergar que existem outros lados, ver outras interpretações e preencher lacunas nas histórias contadas por Hannah onde ela era sempre a vítima. E aí eu encaixo Tony (Christian Navarro), que a gente nunca entendeu bem seu papel, finalmente descobrindo sua história. Eu fiquei extremamente satisfeita.

E deixei Bryce (Justin Prentice) por último, porque é muito nojo e revolta para uma pessoa só. O que aquele cara fez e continua fazendo me deixa tão enjoada que nem consigo imaginar. E de pensar que isso acontece a todo instante e tem tanta gente culpando mulheres e menosprezando as suas dores. Apenas parem e olhem todas as cenas desse nojento. Quem puder dizer que não teve vontade de socar a tela toda vez que ele aparecia de fato não tem nenhum entendimento e empatia. Uma pena.

E claro, não podia deixar de falar sobre Tyler (Devin Druid). O menino que sempre sofreu bullyng na primeira temporada não tinha minha simpatia. Não o conseguia entender e até achei mesmo que ele era um pervertido sem noção. Mas tudo o que o garoto sofreu me deixou bem mal e ele é o dono da cena mais difícil e pesada da segunda temporada, cena essa que eu não consegui assistir de tão dolorosa que é. Me fez ficar tão reflexiva de quantas pessoas tem a saúde mental frágil e a gente, até sem querer, acaba piorando toda a situação. Acaba como a gente vê tantas vezes, infelizmente: com notícias de alunos revoltados entrando em escolas e matando os seus colegas. A sociedade está doente e a gente não faz nada a respeito.

Quanto aos aspectos técnicos, não temos do que reclamar. Temos uma bonita fotografia, bons e poucos efeitos e uma trilha sonora impecável. Um toquezinho que for já nos conduz para as cenas e a carga necessária que elas carregam. Um belo trabalho. E o maior destaque de todos vai sem dúvidas para as atuações. Super bem feitas e se avaliarmos o tipo de coisas explícitas que vemos eles reproduzirem a gente valoriza muito mais todo o trabalho. Não foi fácil, tenho certeza. E eu puder sentir a dor deles em várias e várias cenas. Isso já conseguiu me ganhar por completo.

Eu achei uma conclusão para a história da Hannah bem bonita e tocante e espero que, se houver uma nova temporada, ela não seja mais o arco central. Ainda temos alguns pequenos ganchos e aposto que uma possível continuação será uma história completamente diferente.

E finalizando como falei no começo, é uma série difícil. Mas para aqueles que têm uma saúde mental estável aposto dizer que é uma série necessária. Para debater, para esclarecer, para deixar de ser tabu. A gente só vai conseguir resolver as coisas conversando. Nunca se esqueçam das lições que bem ou mal, ela nos traz. E lembrem: sempre vão existir os porquês não, façam com que eles sejam muito maiores que as causas.