Ironicamente uma das séries mais ousadas da parceria entre Netflix e Marvel optou por contar uma história simples em seu segundo ano.

Frank Castle retorna para o novo ano tentando ter uma nova vida após tudo o que houve quando foi caçado por praticamente todas as instituições da lei dos Estados Unidos. Conhecido agora como Pete Castiglione, ele viaja pelo interior do país. Finalmente Castle parece feliz quando encontra uma mulher em um dos bares que frequenta. É um indício de que já consegue internalizar seus traumas com o assassinato de sua família. Não demora muito para que ele seja puxado de volta para o seu dia-a-dia violento, quando em uma ação nobre de salvar uma garota da mira de assassinos, atrai todos os holofotes para si e se vê obrigado a fugir com a menina para tentar descobrir quem está atrás dela e consequentemente, dele. 

É nesse fuga que Frank parece sentir que o Justiceiro existe apenas por estar vivendo em um ciclo de violência, criando uma auto-reflexão bem interessante, que faz com que Frank analise seus métodos e seus pontos fracos e fortes, principalmente quando se depara com a trilha de corpos deixada por Billy Russo, que já não está mais no hospital, e não se lembra de como foi parar lá, ou quem o colocou entre a vida e a morte. 

Outro ponto forte do segundo ano é a abordagem dada na relação de Frank com o Justiceiro. Ele parece se conhecer melhor, entende que talvez nunca deixe de ser o Justiceiro porque simplesmente gosta daquilo, da matança, de uma espécie de purificação do mundo. Isso dá mais camadas ao personagem, e difere das abordagens nos quadrinhos, que o tratam apenas como uma máquina de matar alimentada pelo luto e nada mais. Aqui é diferente. Na tela temos outros elementos mais complexos e humanos. Realista. 

Bernthal também parece estar mais a vontade com o personagem, entendendo mais suas motivações e desejos, tal como seus dramas e traumas. O ator aumenta sua química no papel entregando cenas de luta muito melhores e dando para Frank um tom ameaçador mesmo em momentos mais serenos.

A relação de Frank com Amy ( a garota resgatada ) é construída de forma exponencial e sutil, passando de uma união forçada pelas consequências e mortes, para uma relação mestre e aprendiz, que proporciona alguns momentos engraçados e outros bem assustadores, demonstrando ainda mais como Castle teme se aproximar ou gostar de alguém. Isso tudo tende a humanizá-lo cada vez mais e o deixa mais palpável ao público que passa a enxergar naquele assassino frio, porém com diretrizes, muito mais do que apenas isso; é possível ver um sentimento de um herói.

É uma pena que todo esse arco entre Castle e Amy seja menos explorado do que gostaríamos, para dar espaço a outras tramas e conflitos, como é o caso que envolve o retorno de Billy Russo e sua vingança ao que Castle fez com seu rosto. Russo agora sabe como derrotar Frank; basta fazê-lo pensar que quebrou suas regras, matando pessoas inocentes. 

A segunda temporada oferece muito tiro, porrada e bomba, e nos entrega um Justiceiro muito mais ciente do que é capaz, e disposto a fazer de tudo para acabar de vez com os problemas, e também disposto a se abrir para suas amizades que se provaram valorosas. 

Como já é de costume, há dois vilões. Se um é Billy Russo, conhecido também como Retalho, o outro é John Pilgrin, um nazista que se tornou padre e parece ser tão habilidoso quanto Frank, e além disso, tem recursos para caçar Amy, que está com algo que é de seu interesse. O personagem parece ter muito a colaborar para a trama, no entanto, é deixado de lado e serve apenas como um objeto para mostrar que existe uma ameaça maior, além de Russo, e claro, ele é a justificativa perfeita para fornecer homens para o Justiceiro matar.

É uma pena que a série possa estar ameaçada. Seu cancelamento parece certo, visto que as outras série dessa parceira Marvel/Netflix já não voltarão. Com exceção da próxima temporada de Jessica Jones que também deve ser a última. Será que veremos esses personagens de volta no serviço de streaming da Disney? Os atores casaram com os papeis e acho que ninguém gostaria que fossem trocados.