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Assista ao trailer: VOCÊ - Temporada 2 | Trailer oficial | Netflix
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A sociopatia está em alta nas produções audiovisuais, ganhando cada vez mais adeptos por instigar o fascínio das pessoas pela temática. De fato é intrigante ver até onde vai a mente humana, porém dentro do mundo ficcional as coisas tendem a se romantizar.

É o caso do sucesso da Netflix que visa construir a identidade de um homem sociopata. You tem uma primeira temporada chocante no sentido de repugnar as ações do personagem Joe Goldberg (apesar das várias replys nas redes sociais de meninas sem noção dizendo que se casariam com o personagem, mesmo com o tanto de maldade que ele apronta) e ganhou uma segunda parte no finzinho de 2019, trazendo um nova faceta para história.

ATENÇÃO PARA SPOILERS DA PRIMEIRA E SEGUNDA TEMPORADA DA SÉRIE!

Após o desfecho da história da Beck (Elizabeth Lail), com sua terrível morte pelas mãos de Joe (Peen Badgley), Candace (Ambyr Childers) reaparece. Para quem não lembra, a ruiva é uma ex-namorada do sociopata que ele tentou enterrar viva e jurava que estava morta. Ela volta querendo vingança o que o leva a se mudar para a cidade que mais odeia na vida: Los Angeles.

A história começa com indícios de que iremos viver novamente todo o drama da primeira temporada, mas de alguma forma ela consegue ser diferente, e isso a gente nota desde o começo. Foi o que acredito que fez boa parte das pessoas a continuarem pelo restante dos episódios.

Love (Victoria Pedretti), a nova paixão de Joe se mostra diferente de Beck e das garotas que cairiam facilmente em sua lábia por ser imprevisível e ausente das redes sociais. Lembro de achar ainda no segundo episódio que ela seria a protagonista da nova temporada e que no final descobriríamos que ela perseguia ele igual ele fez com todas as namoradas. E foi quase isso que aconteceu.

A moça tem uma bagagem, junto com ela vem um irmão gêmeo problemático e uma família que não vale um real, além de ter perdido o primeiro marido muito jovem. Isso intriga Joe, ele quer estar perto, mas o que acontece é que vemos uma faceta dele que ainda não conhecíamos: ele tem medo de se aproximar.

Se na primeira temporada o personagem arquiteta cada passo para que seja favorável ele, criando até mesmo “coincidências”, nessa ele se torna muito refém do destino. E o mais interessante é que ele gosta de se tornar uma “boa pessoa”.

Mas claro que sociopatia não se cura por amor e isso vai atraindo diversos problemas (e mortes). No entanto, a confiança começa a pairar na sua vida e Joe até mesmo arrisca seus segredos a pessoas que no ano anterior a gente já dava como morta.

Por falar em mortes, nessa temporada elas não foram muitas e não foram premeditadas como estávamos acostumados a ver. O diferencial é que em todas elas Joe não queria matar, mas matou acidentalmente. E logicamente elas atraem uma série de acontecimentos e desconfianças sobre sua identidade e ações. Sim, identidade, porque descobrimos já no trailer que ele finge ser outra pessoa.

Abandonamos um pouquinho (só um pouco) a versão stalker da primeira temporada para acompanhar um Joe que se deixa levar na própria história e entender um pouco mais no que levou ele a se transformar no monstro que é.

Já havíamos visto o quanto ele sofreu na mão do antigo dono da livraria que ele tomava conta e nesse novo ano acompanhamos a família disfuncional que ele tinha e a infância conturbada que ele viveu. O pai batia nele e na mãe, a mãe traía, mentia e largava ele nos cantos e no final ele ainda foi parar num orfanato. Nada que justifique ele ser um sociopata, lógico. 

Porém essa premissa de família traz um ponto interessante na reviravolta que se dá na história de Love no final da temporada. O choque que foi ver o quão parecida com Joe que ela é, assustando até mesmo ele próprio, também é explicado através da família complicada e do quanto ela já teve que “fazer o que era preciso” para se manter firme na vida.

O curioso é ver que mesmo quando ele se assusta e fica muito perto de ser pego, inclusive aceitando que isso era o melhor para pagar por tudo de ruim que já tinha feito, ele não consegue se afastar de velhos hábitos, como vimos no fim do último episódio. Joe encontrou um novo alvo, mas como será a dinâmica já que Love segue vivíssima e com uma barriga enorme? Eu não sei vocês, mas se fosse o Joe vendo tudo o que a doidinha é capaz de fazer não sairia atrás da própria vizinha.

A segunda temporada, assim, tenta trazer um pedacinho de humanidade ao personagem, fazendo ele sofrer, repensar os atos e até mesmo aceitar ser castigado. Valeu a pena ver algumas poucas e boas que ele passou, mas ainda falta muito para ele perder o jeito de psicopata e ser olhado com bons olhos. Besta é quem acredita nele sem pestanejar.

O destaque fica por conta do envolvimento dele com as irmãs Delilah (Carmela Zumbado) e Ellie (Jenna Ortega), duas adições interessantes para o segundo ano. Isso mostra que novamente como foi com Paco na primeira temporada, ele se preocupa com algo além dos seus envolvimentos amorosos.

E isso será algo que vai manter ele ligado a problemas antigos, já que ele acha que se safou. Esse deve ser o padrão que a série vai estabelecer daqui para frente, como já vimos com o retorno de Candace e toda a história com o livro da Beck. Se preparem para mais anos que estão por vir de muita loucura e mortes.