A Review dessa semana demorou mais um pouco do que o normal por questões de internet ruim e copa do mundo se tornando interessante, peço desculpas a todos que acompanham toda semana mas fiquem tranquilos que já voltamos a programação normal.

A narrativa dessa semana se concentrou em June abandonada e tentando entender o que poderia fazer, mesmo no último estágio de sua gravidez e com seu companheiro provavelmente capturado. Fomos induzidos a sentir o desespero de uma mulher que está sozinha, em circunstâncias terríveis para se estar grávida porém parece não perder a força de tentar cumprir a promessa feita ao filho que irá nascer. Promessa essa que serviu esse tempo todo como uma fonte de força que a fez lutar e tentar arquitetar todo um plano para fugir de Gilead, mesmo quando não sabia o que poderia fazer.

Dessa vez, June se viu na chance de fazer tudo o que havia pensado. A Casa estava ali para ela, com todos os mantimentos possíveis, todo o conforto e ainda um carro para uma possível fuga. Porém, assim como haviam as portas para a liberdade, as fechaduras continuavam ali, sorrateiras, disfarçáveis... porém, sempre presentes.

June nunca iria sair dali, a neve nunca iria facilitar, a garagem nunca iria se abrir com sua força, nem mesmo o carro, que tava ali, com o tanque cheio, poderia sair do lugar e talvez até a mataria ali mesmo. A ironia da possível salvação esteve presente no episódio do começo ao fim.

Pela primeira vez June realmente teve a chance contra os senhores Waterford, porém por algum motivo não conseguiu ir até o fim. Enquanto os dois a procuravam na casa, brigavam entre si, e foi importante ver como Serena lida com a paixão de Fred por June e o quanto é fria a respeito disso. O Desespero de Serena por achar que realmente perdeu a chance de ter um bebê para si ficou muito mais evidente do qualquer possível importância aos sentimentos de seu marido.

O grande paralelo da narrativa também se concentrou em June, e todos os flashbacks se relacionaram com apenas um tema principal: a maternidade. Parece que nesse episódio, tivemos uma continuação do (2x03 – Baggage) que também se concentrou nessa mesma linha de construção da maternidade e foi um dos mais bem construídos da temporada.

Durante o desespero que as contrações trouxeram à June, pudemos ver um pouco mais através de flashbacks, sua primeira vez como mãe e toda a sua relação com a gravidez. June sempre pareceu tranquila, aceitando seu destino e esperando o seu bebê, porém quando comparada a figura de sua mãe, Holly, parecia perder essa força e se tornar apenas uma filha amedrontada e que quer fazer as coisas do seu próprio jeito. É assim que sua mãe, a vê. Ou ao menos é o que June sempre guardou para si.

A promessa também foi uma grande questão nesse episódio. June prometeu ao seu bebê que a levaria longe dali, mas no fim, diante de todas as circunstâncias e sua luta para deixar lugar, não conseguiu. Dizem que cumprir uma promessa é algo que se relaciona muito com a questão de ser mãe e se de fato é verdade, sabemos porque esse episódio leva tanto isso em conta na hora de mesclar suas duas narrativas principais.

Holly, a mãe de June, quando não consegue persuadi-la a ter o bebê longe do hospital, promete ainda assim que estará com ela no momento do parto. June logo duvida e parece ofendê-la. No fim, vemos que Holly não consegue cumprir sua própria promessa.  Porém, temos o motivo desse momento ter sido apresentado logo depois. Assim como a mãe, June acaba não conseguindo cumprir sua promessa no presente e termina tendo o bebê sozinha e denunciando sua posição a Gilead para manter sua filha a salvo.

"Eu sei que prometi, vai ficar tudo bem." diz June.

A Cena do nascimento, foi a coisa mais bonita que vi em Handmaid's, até hoje.

Na frente da lareira, June está nua, nos últimos segundos de sua gravidez, a partir disso temos um contra luz incrível junto aos gritos agoniantes de Elisabeth Moss. Relembramos todos os momentos da série que envolveram o parto em si, montandos em uma sequência que vão coroar essa cena, provavelmente, como uma das mais emblemáticas da série.

Por fim, é importante lembrar que esse episódio se relaciona com a metáfora da mulher selvagem, uma mulher que tem dentro de si esse espírito selvagem, mas também o esforço de cuidar de sua cria.

Após ser deixada sozinha, June começa a sentir o desespero do que poderia vir a acontecer se continuasse ali por mais tempo. Durante três momentos, June é encarada por uma loba e em todos eles, o possível medo não é o que está nos seus olhos. O animal está ali apenas para lembrarmos da força que essa mulher teve que ter para encarar toda aquela situação sozinha. Para cumprir uma promessa de uma mãe para seu filho. Para fugir daquele ambiente e ter esperança de um futuro melhor para a criança e tambem, por que não para si?

June vai até o fim, abraça sua dor porque não possui mais nenhuma opção, mas também dá pra sentir sua força em continuar aquele processo por uma espécie de esperança de um futuro livre para finalmente poder ser mãe.

Highlights:

- Fred e Serena completamente avulsos no episódio. Era melhor que June tivesse atirado naquela fudida, mesmo que não desse em nada

- Com apenas sua voz, Oprah já é responsável pela melhor participação da série

- A Trilha sonora de The Handmaid's Tale não para de fazer a gente chorar

- Elisabeth Moss, depois da cena da lareira, o Emmy é teu mulher. Concorrentes, nem precisam ir as premiações dessa vez