ATENÇÃO: TEXTO CONTÉM SPOILERS!

Os bandidos mais queridos e famosos do mundo estão de volta com a continuação do roubo ao Banco da Espanha! A parte 4 de La Casa de Papel vem nos trazer mais informações do plano mais louco e arriscado que podemos acompanhar, e digo mais, está eletrizante!

Se com a temporada do ano passado tivemos a certeza que o novo roubo era algo que não sabíamos, mas era o que a gente queria, nesta nova parte o começo nos deixa confusos. Os três primeiros episódios são arrastados e nos fazem duvidar se realmente uma continuação era tão bom assim, mas meus amigos eu digo que a adrenalina dos últimos vicia e supera para que fiquemos ansiosos pela parte 5.

Terminamos o ano anterior com Lisboa (Itziar Ituño) sendo levada pela polícia e Nairóbi (Alba Flores) levando um tiro pela janela do banco, após cair na armadilha da inspetora Sierra (Najwa Nimri). E digo que justamente por não termos a rainha do matriarcado mandando e desmandando naquela bagunça que o começo não pareceu tão bom.

Primeiro porque a tensão entre os atracadores estava insuportável, Palermo (Rodrigo de la Serna) entrou numa crise de autoridade com Tóquio (Úrsula Corberó), Denver (Jaime Lorente) estava com ciúme de Estocolmo (Esther Acebo) e Rio (Miguel Herrán), entre outras coisinhas. E num ataque de surto, Palermo simplesmente põe todo mundo em perigo e acaba causando uma reviravolta no plano, mas chegamos lá jájá.

Voltando ao começo monótono, poucas coisas aconteceram a não ser a cirurgia arriscada para salvar Nairóbi, briguinhas de casais e Arturito (Enrique Arce) enchendo o saco. Sim esse homem deveria ter morrido na primeira temporada e no final ele ainda dá mais motivo para morrer. Personagem mais insuportável e inútil que existe.

E aí depois disso é que vamos aos fatos que movimentaram a temporada, e esse fato tem nome: Gandía (José Manuel Poga). O cara era o chefe de segurança do governador, super treinado para matar geral, conseguiu escapar graças a Palermo e causou o maior rebuliço, entre eles a maior perda da temporada.

Não achei que os criadores tivessem a coragem de se desfazer de uma personagem tão querida e importante para história, mesmo que as mortes dos ladrões não fosse algo impossível. Sim, Nairóbi conseguiu se recuperar do tiro da policia, mas não escapou do tiro certeiro na cabeça pelo guarda. A cena mais triste, aliás o episódio inteiro, incluindo o seu “funeral”, dedicado a uma personagem que era fundamental para a narrativa e para os fãs. Foi forte e importante como ela. Uma perda, mas uma perda corajosa.

Com esse desfecho, tudo fica meio nebuloso para os ladrões, mesmo com os planos do professor seguindo do lado de fora, isso inclui o de salvar Raquel. Porém como sempre, rastros foram deixados o que levou a inspetora do caso a lhe achar, mas isso é assunto para a próxima temporada. Apesar de ser o final, foi longe de ser o clímax da temporada.

Isso porque a partir do episódio 4, com Gandia solto, as coisas ficam muito mais elétricas, os tiros mais constantes e os efeitos mais precisos. Digo com tranquilidade que por muitas vezes fiquei com o coração na mão e as construções dessas cenas foram feitas com muita qualidade, dando tensão na medida certa. E mesmo sabendo que tudo ia dar certo no final, afinal ele é O Professor (Álvaro Morte), a gente esperava que algo fosse sair do controle e não dar certo, afinal já vimos não dar certo algumas vezes.

Os diálogos continuam intensos, cheio de nuances e com sentimentos sendo despejados. Eles estão mais apegados, se conhecem mais, então as problemáticas envolvendo os relacionamentos ganham destaque nessa nova parte.

E talvez por isso tivemos a sensação de que andamos tão pouco nessa temporada. Sim, esperava que o assalto tivesse seu desfecho nessa parte 4, mas vamos para uma nova temporada, ambientada no mesmo lugar. Ai fica aquela sensação de até quando eles pretendem levar o novo assalto? Será medo de encerrar a história ou de criar novas motivações para voltar a atacar?

O que fica claro aqui, no entanto, é que os ladrões estão bem dispostos a levar isso até o final, e acredito que fazer até mais vezes, não importa quantas baixas tiverem. Eles de fato não querem perder mais ninguém e isso já faz mais parte do ego do que de fato a necessidade de dinheiro.  O interessante vai ser ver até onde eles conseguirão manter o apoio popular para as suas ações, enfoque que foi bem dado durante algumas cenas nessa nova parte.

E ainda sobrou tempo para trabalhar temas interessantes, como a introdução de uma nova aliada, Julia (Belén Cuesta), que passou por um processo de mudança de sexo e o estupro que o nojento do Arturo cometeu no meio do assalto. Aliás, a história de Julia é interessante pela proximidade que ela tem de Denver e sua cena explicando para ele sobre como sempre se sentiu mulher é bem legal.

Resta-nos agora esperar a confirmação da parte 5 e esperar por um desfecho interessante. Pelo menos a garantia de grandes emoções a gente tem.

P.S: O governador do banco chamando o Arturito de palhaço resumiu o que todos nós queríamos fazer.