Já tem algum tempo que histórias sobre mulheres donas de casa fazendo coisas estranhas não são nenhuma novidade, porém, Disque Amiga para matar trouxe um novo frescor a essa narrativa tão conhecida e manteve isso ainda mais em seu segundo ano. 

Criada por Liz Feldman, e com Christina Applegate fervorosamente no comando na atuação, junto a estranheza boa de Linda Cardellini, temos uma nova série de donas de casa assassinas que fala sobre coisas muito mais sérias do que parece e ainda assim não perde a piada.

A série que originalmente se chama Dead to Me, manteve o nível da sua temporada de estreia no ano passado, trazendo a continuação da história de Jen Harding Christina Applegate  e sua melhor amiga/inimiga, Judy Hale Linda Cardellini, só que agora em uma intensidade um pouco mais elevada. Os aspectos de um grande novelão de drama e mistério já se apresentavam na proposta inicial da série e se ainda tínhamos alguma dúvida se a produçãoo realmente era uma dessas histórias, tivemos a resposta clara com essa nova leva de episódios e vejo isso claramente como um elogio.

Com uma história que mantém seus níveis de maturidade e emoção, traz um desenvolvimento de personagens ainda melhor esse ano, criando uma ótima atmosfera que faz os 10 episódios passarem muito rápido.

Além disso, o subtexto que provavelmente foi um dos motivos para termos Christina Applegate nesse papel, ficou ainda mais evidente. As questões sobre como uma mulher se aproximando da meia idade e mãe solteira, precisa lidar, são bem apresentadas e explicitadas nos momentos certos. Em alguns momentos dá para perceber que algumas delas aparecem um pouco soltas da trama principal, o que destoa um pouco da narrativa, mas ainda assim são importantes para a construção da personagem.

Mesmo com uma trama simples e decifrável demais para um drama que inclui mistério, a série continua a se fazer interessante tanto pela forma como os acontecimentos vão se dando, como principalmente pelas atuações que só crescem. Ambas as protagonistas, além de estarem muito bem em seus papéis, possuem muita química em cena. Além disso, tivemos algumas surpresas, com Diana Maria Riva que trouxe um novo lado da detetive Ana Perez para as telas, fazendo a gente entender as motivações da personagem por trás do que conhecemos no primeiro ano.

A forma como a relação entre as protagonistas evoluiu, foi o ponto forte. Antes a sensação que a série passava era de que a história pendia muito mais para o lado de Jen. Judy parecia servir mais como um personagem de apoio. No entanto com muita delicadeza, o roteiro aprofundou a relação das duas, deixando claro e finalmente explicando com todas as letras o porquê Judy sempre foi propensa a se colocar em relacionamentos abusivos, independente de qual tipo. A forma como isso foi colocado em específico ao longo dos episódios, foi um das melhores coisas dessa temporada.  

Dessa vez, conhecemos muito mais de Judy, que conseguiu finalmente se impor e teve a história a seu favor. A inversão que o roteiro fez entre as duas protagonistas tinha ficado óbvia no final da temporada passada, mas ainda assim foi interessante de se ver a evolução da amizade e companheirismo.

Mesmo que em alguns momentos a decisão de alguns artifícios usados exaustivamente por esse tipo de trama tenham ficado quase piegas, com a decisão que envolveu trazer o ator Steve Wood de volta depois de assassiná-lo e jogá-lo em uma piscina; a trama em geral conseguiu se manter e ainda deixar ganchos para um possível próximo ano.

Disque Amiga para Matar funciona como uma nova Desperate Housewives só que com uma trama bem mais enxuta e direta e que se encaixa perfeitamente para esse tipo de série no mundo rápido dos streamings. Com ótimas atuações, uma história dinâmica que faz a gente querer assistir tudo em uma só noite, a produção possui potencial para crescer ainda mais.