Uma das séries mais queridinhas da internet mudou de casa quando a Netflix decidiu dar mais uma chance para o programa que tem um público fiel e muito a se explorar. A nova estrutura acrescentou muito na qualidade da série, visto que abandonou o formato padrão da televisão com vinte e poucos episódios, para o modelo clássico do streaming, que é mais dinâmico, com apenas dez.

A velocidade dos acontecimentos nos integra a história de uma forma muito clara, e apresenta o enredo em um ritmo bem agradável, que explora com primor os personagens principais. Durante a temporada, cada personagem que já conhecemos tem um tempinho de tela maior para que evolua, que caminhe e se desenvolva de modo a agregar o grande arco central. 

Ao contrário do que tínhamos nas temporadas anteriores, não há nenhum episódio que não leva a lugar nenhum ou explore personagens que não vão fazer a história central andar. Um grande acerto que evidencia como o modelo de televisão se tornou ultrapassado e prejudicial para as tramas, que se arrastam, ficam estagnadas e enchem linguiça. Agents Of SHIELD, da ABC/MARVEL, trouxe há alguns anos, algumas soluções para manter os vinte e poucos episódios, mas dividindo a série em três blocos dinâmicos com arcos menores, mas que ao final, se juntam e criam uma unidade muito coesa. Ou seja, são quase três temporadas em uma. Isso dá fôlego e mais liberdade no roteiro mesmo com o modelo de tv.

O fato é: Querendo ou não, dez ou treze episódios, são o suficiente e adequado para se contar uma boa história. 

Finalmente a série conseguiu se encontrar em suas intenções. O enredo queria abraçar o lado fictício e sobrenatural, mas ficava muito preso ao realismo do universo criado no roteiro. O resultado era um meio termo decepcionante, que não era ruim, nem tão bom, era apenas "ok". Na Netflix, o público já está acostumado com gêneros específicos, o que é mais difícil na televisão, e sabendo o caminho que quer trilhar, ficou muito mais fácil abandonar os receios de mergulhar no lado mais demoníaco que a série trata. Afinal, "Lúcifer" é mais que uma série policial. 

Perder esse medo, essa vergonha de ser sobrenatural, aumentou de forma incalculável a qualidade da história. Vemos mais o verdadeiro Lúcifer, e participamos mais de seus conflitos, que agora têm argumentos muito mais sólidos e humanos. Até mesmo a Detetive Decker está melhor construída. Aquele vai e não vai por vinte longos episódios entediava. Agora, a série entrega ao público  o que ele sempre pediu e sabia que era melhor para a história - Não foi tão difícil assim, né, roteiristas, rs! - e caminha a passos largos em uma evolução muito sadia.

A princípio, a Netflix havia resgatado a série apenas para dar uma última temporada que finalizasse esse arco de forma respeitosa aos fãs, e de fato, isso acontece. O roteiro deixa algumas pontas soltas que podem ser exploradas nos próximos anos, mas não fica dependente disso para fechar a história. O final é coerente com todo caminho traçado e deixa aquele gostinho de quero mais. De fato, a série conseguiu atingir seu nível mais alto, e agora que se encontrou, é uma pena que seja o fim definitivo - por enquanto. 

Ao mesmo tempo, sempre fica aquele medo de tentar extrair mais dessa história e acabar estragando as coisas, o que geralmente acontece. No entanto, não parece que o programa está de fato zerado de novas possibilidades. Inclusive, não seria nem um pouco decepcionante se o episódio 9 fosse o último dessa quarta temporada. 

Os produtores conseguiram equilibrar muito bem os ganchos e conclusões e isso é um mérito digno de se ressaltar. A história em sua nova estrutura, consegue expandir o universo, ao mesmo tempo que encerra histórias e responde muitas perguntas. Entendemos mais como a mente de Lúcifer funciona, e o que ele sente de fato com tudo isso. Sem rodeios. Sem preguiça de roteiro. É uma temporada emocionante, engraçada, quente e musical. Sim, isso deve surpreender, e isso é o máximo de spoiler que veremos por aqui.

Claro que a série deixa a desejar nas cenas de ação e nos momentos em que vemos o diabo de fato, mas ela consegue deixar tudo isso bem coerente com sua proposta, que é basicamente explorar a humanidade de Lúcifer em sua negação a maldade que reside dentro de si. Além de explorar novos pontos de vista sobre os personagens da bíblia com um tom bem leve e reflexivo, com uma dose de afronta que não faz mal a ninguém. 

Resumindo, Bora Assistir a nova temporada de Lúcifer!