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Assista ao trailer: 13 Reasons Why: Temporada 3 | Trailer: Quem matou Bryce Walker? | Netflix
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Após um tempo de reflexão, extremamente necessário, podemos começar a falar mais uma vez sobre a polêmica 13 Reasons Why. A série teve sua terceira temporada em foco nos últimos dias, dividindo opiniões como sempre. Continuo no time do acho necessário e que gosta dos novos episódios, vou explicar o porquê.

Nesses últimos 13 episódios um loop muito grande se deu na minha mente, porque mais do falar do assassinato do Bryce (Justin Prentice), essa temporada serviu para mostrar que as relações interpessoais e sociais são muito mais complicadas do que a gente pensa.

O drama da season 3 se voltou todo à morte do Bryce, o personagem mais odiado. O que seria muito “fácil” de contar, já que suas atitudes sempre foram tão desprezíveis, se tornou uma grande lição de vida.

Aprendendo ou não com os erros e a exposição de outros episódios em temporadas passadas, voltamos com uma terceira temporada mais madura e cheia de reflexão. Um estuprador morreu, mas pode a gente se sentir tão empática e sentir pena da sua morte? Um ser humano morreu, por mais ruim que ele fosse, mas quando a história do Bryce pós julgamento começa a surgir a gente pensa o quão doente está nossa sociedade.

Principalmente porque queremos acolher e entender o lado das vítimas, mas nunca é dado espaço para que os “monstros” possam se arrepender e pagar por seus erros dignamente. Digo isso porque a morte, de maneira alguma, é a punição por seus atos.

Enquanto um Bryce humano era pintado, as relações sociais entre os outros personagens também iam se desenrolando e a primeira delas que eu quero trazer aqui é a de Jessica (Alisha Boe) e Justin (Brandon Flynn). Não sei direito o porquê, mas sempre tive um apreço pelo personagem do Brandon. Justin é o garoto problemático da série, que fez muitas coisas erradas e não sabe lidar com isso. Justin é fraco e depende emocionalmente das drogas, mas acima de tudo das pessoas.

Jessica logo é pintada como a salvação do moço, o que eu entendo e aceito por gostar do casal, mas sabemos que nem só isso basta para ficar limpo. Os dois tiveram seus momentos de desgaste, mas em todos os episódios puderam crescer e ajudar um ao outro. Jess teve seu momento de brilhar nessa temporada e todo o seu ativismo com a questão da sobrevivência à violência sexual foi muito importante, principalmente após a revelação de Justin nos últimos episódios. Apesar de parecer um pouco forçado, fica claro o porquê dele ser tão perturbado.

Aliás, quem daqueles garotos não são? O fato é que Jessica sofre agora com o julgamento de estar com o ex-namorado que permitiu que o melhor amigo a estuprasse, e isso a pertuba cada vez mais.

O grupo das sobreviventes no final é uma das mensagens mais importantes dessa terceira temporada: há vida pós o abuso e existem pessoas dispostas a fazer com que ela seja um pouco mais leve, e até feliz.

Assim, o desfecho do Tyler (Devin Druid) é tocante e necessário. Aquele garoto que ninguém ousava chegar perto sofria, um sentimento que mata e traz a tona doenças ainda piores. As emoções e as feições que Devin fazia ao interpretar o Tyler me fez ficar profundamente incomodada com os Tyler’s da vida real. Quantos passam por nós e nem mesmo notamos? A história dele é pesada e tão necessária a ser contada ali. Para mim, o ponto mais alto do acerto dessa temporada.

E o ano três introduziu Ani (Grace Saif), a garota nova que chegou logo após o baile da primavera. Ela, que podia muito bem passar batido, deu um jeito de se incorporar em todas as histórias, estando presente em todas as investigações ao lado do Clay (Dylan Minnette). O que me incomodou, no entanto, foi sua pose de julgadora que sabia de tudo, mas no final ela mentiu para todos e tirava conclusões precipitadas. Ani, porém, foi peça chave na humanização do Bryce e acho que foi trabalhado da maneira certa.

Clay continua sendo o personagem principal mais sem graça de todos. Seu tempo em tela é ocupado com o brilho das histórias de outros personagens, sem atrair um protagonismo pra si. Ele é um bom condutor da história e só, pois todos se veem ligados a ele de alguma forma.

Os plots com Tony (Christian Navarro) e Zach (Ross Butler) também foram interessantes de serem vistos, trazendo motivações e sentimentos para preencher os treze episódios de maneira conivente.

E aí chegamos ao final envolvendo Alex (Miles Heizer) e Monty (Timothy Granaderos). De fato em nenhum momento eu me envolvi em saber quem teria sido a pessoa que matou o Bryce, mas sim em suas motivações e histórias que os levaram até aquele momento. Não foi um choque saber a verdade, mas também não foi nada que não fizesse sentido. O fato da morte do Monty sim, se tratou de algo que eu não esperava que fosse acontecer.

Apesar das maldades em seu coração, Montgomery era só mais um garoto desajustado no mundo que não se aceitava e possuía uma família super complicada, pra dizer o mínimo. E não achem que eu estou defendendo o personagem, pois concordo com a sua prisão e que ele pagasse pelo o que fez com o Tyler, mas como disse o Xerife Standall (Mark Pellegrino) no final “até os mortos merecem a verdade”.

O que Alex vai fazer com a nova chance que os amigos lhe deram, espero que seja abordado na quarta (e última) temporada da série. Só irei aplicar na crítica o que ficou muito claro pra mim nesses treze episódios: nada é assim tão preto no branco. É sempre tão difícil que não cabe a nós julgar, mesmo que seja uma obra de ficção.

Por meio de uma fotografia impecável, atuações acima da média e diálogos que mexem com a nossa consciência, a terceira temporada de 13 Reasons Why consegue ser a melhor, em disparada, da série trazendo assuntos importantes a serem discutidos na nossa sociedade, mas além de tudo, perturbando o nosso senso de julgamento, empatia e consciência com as pessoas ao nosso redor.