Quando saiu o título de “The Last Ceremony” não passou pela minha cabeça ao que The Handmaid’s Tale estava realmente se referindo.

O episódio se inicia com Emily sendo estuprada no ritual mais característico de Gilead. Sem rodeios, suas reações ficaram explícitas na atuação brilhante de Alexis Bledel junto a um dos monólogos que mais podem chegar perto de caracterizar o horror que essas mulheres sofrem, mais especificamente como elas devem se sentir.

"Você trata como um trabalho, um trabalho desprazeroso, mas um trabalho. Para que passe o mais rápido possível. Beijar é proibido, o que faz ser mais suportável. Nos separamos. Um descreve. Um ato de copulação. Fertilização, talvez. Você não é mais do que uma abelha é para uma flor. Você se rouba. Finge não estar presente. Não na carne. Você deixa seu corpo."

 

 

A Construção dos detalhes ainda impressionam a essa altura da série. Na cena em questão, o plano de câmera não trata Emily como uma pessoa, ele é opressor, de cima pra baixo e mais importante, não mostra seu rosto enquanto a personagem ainda está de pé - Uma posição ainda que mínima de reconhecimento. Apenas quando o ritual começa e Emily está em uma posição de extremo desprezo, suas feições são retratadas com protagonismo. Combinado ao texto e ao que viria a seguir, o roteiro cumpre seu papel.

Sabemos que a grande cerimônia a que a série mais se refere se trata do “processo” de fertilização da handmaid. Sabemos também que sexo propriamente dito e propriamente “feito” é um dos fatores naturais que podem ajudar a induzir a gravidez de forma mais rápida.

Duas informações aleatórias demais? Não para The Handmaid’s Tale.

June finalmente começa a ter suas contrações o que leva a todo o ritual bizarro da sociedade de Gilead, e mesmo que já tenhamos visto isso antes e com detalhes lá na época de Janine, todo a coisa não deixa de ser assustadora e até chega perto de ser cômica não fosse o contexto absurdo e o tema tão atual na nossa realidade.

 

 

Acontece que era um alarme falso. Serena, estava a todo vapor fingindo ser a mãe do filho de June, incluindo até as respirações do parto ao redor das outras esposas. A Senhora Waterford ficou possessa e isso não foi surpresa pra ninguém, mas o melhor da cena foi ver June mais uma vez tirando uma onda forte da situação, apesar de estar claramente apavorada com o que poderá acontecer ao seu bebê

Ficou claro que toda essa construção de uma possível Serena revoltada com as leis de Gilead pesou muito menos na balança do que o lado que sempre conhecemos. Ter o “seu” bebê nos braços foi algo muito mais levado em conta do que qualquer sentimento de humanidade que vinha aflorando ou que ao menos parecia estar aparecendo na personagem. Tudo bem, isso era meio que esperado, talvez toda essa apresentação desse lado venha a ser mostrada muito depois em uma outra situação, como também, talvez não, deu pra ver nesse episódio que realmente não podemos criar esperanças.

 

 

Com a cerimônia cancelada por meios naturais e com muito deboche de June, tivemos uma combinação de acontecimentos que levou esse a ser o episódio com a cena mais pesada da série, até hoje.

Ao saber que vai ter que ir para outro distrito, June vai até Fred, tentar uma possível aproximação com Hannah, pedindo pra ele mudar seu encaminhamento para o distrito da filha e ele -  que de início pareceu complacente - nega em alto e bom som. Revoltado, provavelmente porque achava que June iria pedir para fugir com ele ou algo do tipo. Isso explica que a paixão dele é bem maior do que achávamos e isso vai ser bastante trabalhado no próximo episódio como uma consequência grave.

Porém uma coisa me chamou atenção. June jogou na cara dele que ele nunca saberá como é ter um filho do próprio sangue, o que aponta ainda mais toda a paternidade para Nick. Como já vimos o quão Fred está obsessivo pela Handmaid, fiquei esperando uma possível atitude de retaliação do mesmo jeito passivo-agressivo de sua esposa.

Serena que vinha me surpreendendo nos últimos episódios, na verdade em toda essa temporada em si, mostrou seu verdadeiro lado. Se achávamos que ela nutriu algum tipo de sentimento de apreço por June... Se duvidávamos que essa nova atitude dela com a Handmaid era apenas por causa do bebê. Essas incertezas terminaram aqui.

Vendo que o parto não ia acontecer tão cedo, ao menos não no momento e do jeito que ela queria, Serena decidiu que iria tentar fazer as coisas acontecerem de um jeito natural, de fato.

Em uma cena extremamente forte, Serena chama June ao seu quarto, o mesmo das cerimônias em que June é estuprada e do mesmo modo que o episódio começa mostrando Emily passar por isso. Quando se dá conta do que está acontecendo June clama por ajuda da própria Serena, que havia sido tão diferente nos últimos tempos, que havia dado luz a uma espécie de esperança a toda aquela situação. A cerimônia acontece. Em meio a gritos de socorro, June é estuprada a poucos dias de dar à luz.

Parecendo Sentir uma espécie de culpa pelo que fez, Fred manda Nick levar June a algum lugar secreto e ficou na cara que ele estava armando alguma coisa para o motorista. Chegando no destino, June finalmente se encontra com Hannah. Ela teria dez minutos. Hannah agora possui outro nome, mas lembra de tudo o que aconteceu, inclusive de sua verdadeira mãe.

O Que parece um frescor para June, logo se transforma em sua maior angústia. Sua filha logo precisa ir embora.

Quando Fred deu a chave do carro para Nick, disse que não era pra deixar ninguém ver pra onde ele estaria indo. No fim do episódio, Nick e June são surpreendidos pela chegada da guarda de Gilead ao lugar secreto e finalmente o plano do Mr Waterford se conclui e Nick é levado.

Antes de concluir a review, queria lembrar que tem aparecido uma teoria sobre a possível morte de Nick e Eden.

Imagem do trailer da segunda temporada e que ainda não apareceu nos últimos epiódios.

Nessa imagem, um casal será morto pela ideologia de Gilead. Nick e Eden, aparecem como os principais suspeitos, que seriam mortos provavelmente pela divugação das cartas que realmente abalou a imagem de Gilead lá no Canadá. Porém, existem outras possibilidades, como:

Fred e Serena: pelas várias regras que já quebraram.

Isaac e Eden: pela relação imprópria entre os dois.

Mr e Mrs Warren: Por terem deixado uma criança - o maior símbolo de Gilead - quase morrer.

Voltando a trama do episódio, após Nick ser levado pelos guardas para sua possível execução como um plano arquitetado por Fred, June é deixada sozinha no meio do nada, em plenos últimos momentos de sua gravidez.

Esse foi um episódio bem intenso no que diz respeito a tramas internas digamos assim, não tivemos nada grandioso demais. As relações entre os personagens foram o foco dessa vez, criando uma narrativa bem conectada e em certos momentos intensa demais para se acompanhar sem derramar algumas lágrimas.

Highlights:

- Eden realmente é louca, mas está acordadíssima e não perdeu tempo ao beijar Isaac. Porém tenho medo do que pode acontecer.

- Serena fingindo as dores do parto não sei se deu pra rir ou ter raiva

- Nick realmente não tá fazendo nenhum esforço no que June pediu. Tá na cara que a Eden vai fazer merda.