Desde o anúncio da série de Buck Barnes e Sam Wilson, nos perguntávamos o que seria de grandioso que a Marvel estava tentando trazer. Na real, não tínhamos ideia do que seria composto uma série de dois personagens do núcleo Capitão América logo após o aposento de Steve Rogers. Afinal, o que teria de tão especial nessa série pra ser uma das primeiras originais da Disney Plus? Ok, talvez veríamos o surgimento de um novo símbolo. Mas, definitivamente não esperávamos ISSO.

A série dos coadjuvantes preferidos de Steve estão juntos em cinco episódios de uma série que a primeiro momento venderia só ação e porradaria surpreende trazendo questões sociais e necessariamente presentes nos debates contemporâneos. Além disso — do peso social — a obra parece se encaixar bem no Universo Marvel. Isso, pois traz questões do Blip (não consigo me acostumar com esse nome para o estalo de Thanos), fora as participações de personagens do núcleo Capitão que dão as caras.

Contudo, um de seus primores está no novos personagens. Com uma camada humana desenvolvida de forma decente e quase nunca antes vista nos longas da produtora, a Marvel traz um lado pouco abordado de ser herói. Com o questionamento: como vocês, heróis, ganham dinheiro? Tony Stark paga salários? A gente se vê naquele mundo. Esses questionamentos existiriam, assim como consequências, visões e debates sobre ações e dos próprios personagens. Ainda no clima daquele mundo (pseudo?) pós apocalíptico que os “vilões” da série são apresentados. Vilões? Sim! O trunfo do roteiro são as camadas de problemáticas ligadas aos personagens, tendo uma mais profunda e principal — o ser Capitão América — e outras pormenores que fazem parte do todo.

O Capitão, o Falcão e o Soldado

A grande trama gira em torno da trindade: Falcão, Soldado e o Capitão. Buck é o personagem que mais ganha o lado humano que sempre faltou. Sua história faz sentido e de nenhuma forma se descola da realidade proposta por aquele Universo por tudo que já havia acontecido desde então. O ex-assassino da Hidra está nerfado, fazendo a gente se questionar se realmente é o mesmo super soldado que deu trabalho em um dos melhores filmes da Marvel até hoje, o Capitão América 2: O Soldado Invernal dos Irmãos Russos.

Aqui a diretora Kari Skogland modifica o poder dos super soldados no todo. Além do mais, sem querer dar spoilers, mas os novos mutantes energizadas pelo soro são bem mais miúdos e atrativos visualmente, contudo fazem sentido naquele universo. Assim, a trama consegue reunir aspectos distintos e coligados pelos filmes do núcleo Capitão América. O roteiro é inteligente e claramente bem desenvolvido, fechadinho, conciso e sem grandes pontas soltas. Inicia com o um intuito claro e finaliza sem grandes reviravoltas mas, diferentemente de WandaVision, entregando o que prometeu desde o início.

O diferencial da série está em algo quase nunca trazido nas obras do MCU (talvez apenas em Black Panther), as questões sociais. Há um peso nas ações dos personagens, trazendo aquele mundo ficcional  camadas realistas. Não é algo forçado ou grandioso, é dentro dos conformes e de certa forma merecido. Isso, novamente, é um triunfo do roteiro, que não é preguiçoso. Ele não tenta trazer questões já resolvidas ã tona. O que é o carregado é o orgânico para o desenvolvimento dos personagens.

O manto do Capitão América está vago. Quem o conhecia por dentro sabe a sua grandiosidade e complexidade a ponto de não se achar o suficiente para assumir esse cargo. Quem vem de fora, vê a oportunidade de brilhar como um símbolo do poder americano. Some isso à questões em pauta como o negro americano em sua existência e propósito às desigualdades sociais ocasionadas por descaso do poder público e gestores que não se importam com o povo. Sim, isso também é Marvel. Surpresos? Também estamos.

Conclusão

Apesar de tudo, Sebastian Stan no papel de Bucky é o que mais entrega nas atuações. O peso de viver uma vida centenária no mundo contemporâneo diversificado já em si uma grande desafio, porém Bucky ainda vive seu drama de ex-assassino de cédulas nazistas. É a partir daí que temos uma atuação que se destaca dentre as medianas de Anthony Mackie e Wyatt Russell que, apesar de convencer com a sua versão de Capitão, não é algo que me fez comprar a série como Stan tentando viver com os seus pesadelos.

As cenas de ações são orgânicas e em conjunto com bons efeitos visuais, faz-se uma imersão decente.A trilha sonora é minimamente boa e não se faz muito presente para vender o filme, assim como a maioria dos filmes da Marvel exceto Pantera Negra. Já a fotografia sai do padrão predefinido. Ela conta com bons recortes e arriscando mais com movimento e ângulos novos, principalmente nas cenas de ação e as que estão desenvolvendo a narrativa com um tom mais lento.

O roteiro é a manteiga no cuscuz quentinho da série. Ele que faz você amar personagens que anteriormente passagem quase despercebidos por todos. Anthony Mackie faz sua jornada em 6 episódios para se promover e ganhar espaço com seu novo personagem no coração dos fãs assíduos e os que não acompanham os quadrinhos. Sebastian Stan tem um caminho menos grandioso, mas tão complexo quanto de se mostrar um humano e perto do público na medida que se descobre e descobre o mundo à sua volta.


Precisamos de mais Zemo! Por favor, coloquem ele ao lado de Loki