Quando a segunda temporada de The Handmaid’s Tale estreou, a expectativa nos fez esperar por respostas que viriam rápido demais.

Não tá sendo bem assim. Finalmente cheguei à conclusão que não devo esperar pelas respostas, a estória tem o seu próprio tempo, e tudo bem. Dá pra entender, até porque não é nada ruim acompanhar o processo, mesmo que em alguns momentos seja entediante.

Os roteiristas criaram um sentimento de sufoco, passando uma forte sensação de prisão mental, assim como June está atravessando. A personagem está passando por um processo de negação desde que foi capturada e descobriu que seu ajudante teve sua família destruída e foi morto. Tia Lydia cumpriu seu papel em criar o sentimento de culpa e torná-lo uma paranoia a ponto de fazer uma espécie de lavagem cerebral em June.

Fazendo-a pensar que ela realmente é Offred e pertence à aquela família apenas para reproduzir e aceitar tudo o que os outros mandam.

Quem realmente se destacou nesse episódio foi Serena Joy.

Está ficando cada vez mais confuso e suspeito seu posicionamento a respeito de Gilead e suas políticas, principalmente a respeito de June e seu comportamento.

É Claro que a gente pode pensar que é por causa do bebê, mas nesse episódio a personagem parecia estar preocupada em saber onde estava a verdadeira June, que estava em um estado praticamente catatônico. Serena buscou June onde pôde, até finalmente confrontar sua atitude numa simples caminhada diária, clamando uma conversa e não somente concordâncias.

A Parte suspeita de Serena a respeito de Gilead nada mais é que, sabemos que ela participou do processo de desenvolvimento da ideologia, mas vemos também que está cada vez mais infeliz naquela vida. Isso ficou bem claro no último episódio. O Fato é que, Serena começou a zombar e criticar pelos cantos o que Gilead representa, seja com palavras ou atitudes.

Quando Tia Lydia fala sobre seu cigarro e vai embora, o ódio na resposta de Serena poderia mata-la se ela mordesse a língua.

Tivemos a volta das colônias, e nada mudou muito por lá. Alexis Bledel continua perfeita como Emily e agora temos o plus de Janine e sua loucura. O que foi uma boa adição. Porém, ver o que aquelas mulheres sofrem, não me choca mais, não porque acho normal e sim porque acho que a série tá exagerando demais artisticamente falando.

Os planos de câmera estão cada vez mais lindos, sem falar da fotografia e o simbolismo presente nela em TODOS os momentos, mas as vezes tenho a sensação que o enredo tá ficando vazio.

Não sei se é apenas um episódio praticamente filler ou de fato foi o intuito dos roteiristas criar essa atmosfera lenta que me fez mexer no celular em boa parte das cenas e voltar a ver a cena de novo porque não prestei atenção. Como falei no início, já deu pra entender esse intuito, mas tá ficando massivo toda essa teatralidade épica visual só que com um roteiro morno e até previsível.

Não dá pra saber o que esperar dessa reta final, uma possível fuga/rebelião nas colônias? June fazendo um plano para fugir com seu bebê? Agora o que nos resta é aguardar, porque não tem como acreditar que o plot das colônias começou a ser trabalhado apenas como um plano de fundo.

Longe de mim, fazer uma review negativa para uma série tão maravilhosa e que ainda tem o respeito de todos.

Sabemos da importância social e cultural que esse enredo tem nos dias de hoje. A Abordagem do episódio a respeito da visão da mulher como um objeto alcançou outro patamar. Em um ritual – desdenhado por Serena – Nick, participando por influência do comandante que quer destruír qualquer coisa entre ele e June, tivemos uma nova perspectiva sobre Gilead.

Várias moças, quase crianças, são oferecidas a homens que trabalham nas casas. Sim, elas se casam a mando de suas próprias famílias, que as entregam de boa vontade ou não, para a política do regime totalitário.

Quando a série toca nesse assunto, fica claro a referência a inúmeras religiões fundamentalistas que ainda fazem esse tipo de coisa até hoje.

Desse modo, não tem como The Handmaid’s Tale se tornar um produto vazio, é por isso que disse lá no começo que “deu pra entender”. O Vazio que compõe o roteiro é complementado pelo recheio de crítica social que a série vem fazendo.