/////CUIDADO! A CRÍTICA DE REBELDE CONTEM SPOILER ///////

A Netflix lançou no dia 5 de janeiro o remake da novela mexicana Rebelde exibida entre os anos de 2004-2006. A novela conquistou uma legião de fãs fieis pelo mundo inteiro, criou tendências, revelou talentos e uma banda que saiu da trama para a vida real fazendo show e turnês mundiais. Bom... com esse currículo era muito arriscado a Netflix mexer nesta “colmeia de abelhas” onde qualquer movimento em falso poderia atiçar um enxame de fãs furiosos.

Mas, o streaming conseguiu desenvolver uma nova versão de um sucesso com muito respeito ao seu antecessor, trabalhando bem a nostalgia, temas atuais da sociedade e emplacar rostos, que não substituem, mas trazem uma nova geração a conhecer rebelde.

Que tal ler antes: Rebelde: Primeiras Impressões

  •  Aun Hay Algo – (História)

Estamos em 2021 recebendo os novos alunos no internato Elite Way School (ou apenas EWS) Jana Cohen (Azul Guaita), Luka Colucci (Franco Macini), Andi Agosti (Lizeth Selene), MJ Sevilha (Andrea Chaparro), Dixon Alvarez (Jeronimo Cantillo), Esteban Torres (Sergio Mayer Mori). Neste mesmo ano os alunos tem a chance de mostrar seus dons musicais através de um “Show de Música” (A Batalha das Bandas) e assim conseguir chegar perto de ter o sucesso que o RBD teve. Paralelo a isso um grupo de alunos da escolha ressuscitaram a “seita”, uma organização que humilhavam os calouros e, principalmente, os bolsistas lá em 2004. Através de alguns conflitos, o que realmente vai unir estes 6 jovens é o seu grande talento e o seu gosto musical, além de muito romance e mistério.

A primeira decepção é que o streaming entregou apenas 8 episódios para um enredo que cumpriria seu papel como uma novela com seus mais de 60 episódios tranquilamente. Fica uma sensação de quero mais, mas não por causa da história cativante ou diferenciada e sim pela sensação de algo não muito bem desenvolvido. Eles tentam trabalhar muitos pontos e conflitos familiares que ficam em aberto, na maioria das vezes, ou sem profundidade. O foco principal é da série é a música. Os dois primeiros episódios passaram uma vibe de história fechada com começo, meio e fim (com uma cena pós crédito para lhe puxar para o próximo episódio), já os seguintes pareciam trabalhar "isoladamente", quase uma série procedural.

O aspecto não novela também fez falta pois o fato de não ter personagens secundários prejudicou um pouco o desenrolar da história. Muitas vezes parecia que só existam eles na escola mesmo tendo muitos figurantes em cena. A seita também é um assunto muito mais complexo que foi resolvido em 5 minutos de cenas finais e isso quebra o clima de mistério e perigo que eles estavam tentando construir. 

As tramas não tem força o suficiente para lhe deixar curioso, ou causar muitos sentimentos, pelo que vem pela frente. Na maior parte do tempo as coisas se resolvem muito facilmente ou até com apenas um diálogo. Isso é compreensível, pois o fato de ter uma pouca quantidade de episódios deixa alguns quesitos a desejar. O envolver a nostalgia muita das vezes salva algumas cenas que te traz muitas memórias afetivas e faz você esquecer um pouco do que está passando naquele momento.

  • Así Soy Yo - (Personagens)

A verdade é que eles são únicos. Cada um tem sua personalidade, seu estilo, seu talento, e com certeza não lembram nada os rebeldes “originais”. Isso é um ponto positivo, criar a própria identidade para personagens que carregam nomes fortes e um legado mais ainda. Contudo, tornam-se personagens muito rasos e superficiais ao ponto de o público não saber o porque de suas determinadas atitudes ou ambições e apenas aceitar que ele é assim.

Vamos conhecer um pouco de cada um:

  • Luka Colucci (Franco Macini)

O Colucci é o personagem bem melhor trabalhado na trama. Ele tem aquela vibe “patricinha de colégio” que se mistura com seus problemas familiares, principalmente com o pai que não tem tempo para o filho (algo de praxe na família Colucci). Um cara muito talentoso, sarcástico, irônico e um influenciador digital. Ele vai se juntar a seita para conseguir seus objetivos de ganhar a “Batalha das Bandas”.

  • Jana Cohen (Azul Guaita)

A cantora Jana Cohen é a filha de ninguém mais, ninguém menos que Pilar Cohen e neta do ex-diretor do EWS. Sua mãe tem projetado nela uma carreira muito forte de modelo mas o que realmente ela quer é ser cantora. Por isso, ela está indo para a EWS provar a mãe que é talentosa com suas várias músicas originais. Ela forma um par romântico com Sebas Langarica mas descobre o verdadeiro amor em outra pessoa.

  • Sebas Langarica (Alejandro Puente)

Sebas é filho da futura presidente do México, estuda na EWS a algum tempo e tem um caráter duvidoso. É através de sua ambição que ele se torna o líder da seita e tenta prejudicar não apenas a sua namorada, como também, a banda “Sem Nome”. Ele se junta com Emília (sua ex namorada) para conquistar a vitória na "Batalha das Bandas".

  • Emilia Alo (Giovanna Grigio)

Temos uma brasileira no elenco! Emilia é uma veterana no colégio, sendo este seu último ano. Por isso, é a última chance dela vencer a Batalha das Bandas e conseguir seu estrelato. Nada muito em especial é revelado sobre sua relação com a família mas seus relacionamentos amorosos com Sebas e Andi são bem evidenciados, apesar de rasos.

  • Andi Agosti (Lizeth Selene)

Andi é a baterista do grupo, pouco social e de personalidade forte (ao que parece). Ela vai para o EWS para se afastar um pouco de seus pais, ao que parece existe um conflito que não é explorado nos demais episódios, e viver seu sonho musical.

  • MJ Sevilha (Andrea Chaparro)

Maria José é filha de pais cristãos e quer mostrar para eles, entrando na EWS, que seu talento pode ser explorado. É uma ótima cantora e tecladista, engraçada, ingênua e sonhadora. É com a ajuda de Dixon que ela realmente percebe o seu potencial e encontra o amor.

  • Dixon Alvarez (Jeronimo Cantillo)

O rapper da banda, Dixon é um cara misterioso mas ao mesmo tempo amigável e confiável. Filhos de pais advogados, e também colombiano, ele vai mostrar todo o seu carisma e talento na Batalha das Bandas com seus novos amigos, principalmente Esteban.

  • Esteban Torres (Sergio Mayer Mori)

O aluno bolsista da EWS que chegou ao colégio tentando resolver um mistério que envolve um Colucci (acho que já ouvi essa história). Ele tem um bom relacionamento com o pai, mas sua mãe o abandonou e a família Colucci pode ter a resposta para suas perguntas.

  • Qué Hay Detrás - (Referências)

O que não poderia faltar neste remake era as referências ao seu antecessor. Desde uma vitrine com os uniformes antigos e objetos da banda RBD, até personagens como Celina Ferrer retornando como a diretora do colégio. Detalhes dos uniformes, as cores, o celular na bota, as músicas, até mesmo a própria seita modernizada, dão um toque especial na nostalgia. Claro que eles cantando Sálvame e Rebelde conquista o coração de qualquer fã;

As referências não ficam apenas no próprio universo, este escritor percebeu muitas semelhanças com várias séries e filmes que envolvem música. High School Musical é a principal referência, até mesmo o próprio Luka faz uma piada disso. Por envolver música também, e continuando no Disney Channel, eu viajei um pouco e lembrei da novela argentina Violetta (por me lembrar alguns pontos da trama envolvendo batalhas musicais) e muitas vezes a confusão se era um colégio onde eles estudam matemática e geografia ou era apenas uma escola de música. O novo Gossip Girl também da seus pulos aqui, os uniformes estilizados com a personalidade de cada personagem, roupas extremamente largas, curtas, rasgadas e corpos tatuados são apenas um toque de referências percebidos por mim.

Temos também um toque de Elite para aqueles que já estavam comparando antes mesmo da estreia, mas eu comparo apenas nível de cena de sexo. Ademais, foge bastante da trama mais quente e sexual que Elite passa. Muito pelo contrário, a trama é bastante leve, tudo muito claro – até mesmo as cenas anoite – sem muitos palavrões, gestos obscenos, nem peitos ou bundas na tela.

Lembrando que esses pontos eu senti ao longo que ia assistindo e não que dizer que foram inspirações ou que são referências a essas produções.

  • Fuego – (Considerações finais)

Se tem algo que faltou nesse remake foi o “Fuego”. Não me refiro as cenas de sexo e sim algo que queimasse e fosse contagiante e icônico, algo que marcasse de uma forma especial. Faltou aparecer um ex-RBD para dar aquele toque surpreendente? Pode ser que sim, mas desvincular um pouco a imagem deles foi essencial para um olhar especial e novo.

Teve um andamento muito corrido e pouca exploração de personagem, mesmo eles sendo muito talentosos e carismáticos não significa que o público vai conseguir se apegar a eles. Os problemas envolvendo bullying, orientação sexual, xenofobia e relacionamentos familiares espero que sejam melhor abordados na segunda temporada.

No mais, Rebelde da Netflix cumpre seu papel nostálgico e envolvente de algo novo para uma nova geração. O respeito com que é tratado o Rebelde Mexicano é impressionante. Ela vai conquistar o seu novo público e cativar os veteranos, unindo todos pela música novamente, assim como fez o RBD.

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