O Silêncio e a relutância tomam conta de The Handmaid’s Tale.

Desde o começo sabíamos qual era o intuito de Serena. Aos poucos fomos descobrindo o porquê de algumas de suas atitudes e ao mesmo tempo nunca entendemos outras. Recheada de paradoxos, a personagem finalmente brilha ao receber o que tanto esperou. A série não nos poupa do show de horrores que é ver Serena Joy com seu novo bebê, Nichole – o nome dado para a criança que na verdade já se chama “Holly” – tratando toda a situação com a maior normalidade possível. Na verdade, acho que não esperávamos uma atitude diferente.

A Cena seguinte é o paradoxo que semeia esse episódio. Somos levados de uma doce Serena até a amarga e apática June, bombeando leite do seu próprio peito para alimentar a filha que não pode estar em seus braços.

O Arco completo do episódio me fez finalmente começar a chegar a uma conclusão sobre Serena e suas virtudes, mas isso vou explicar mais á frente.

Após o que aconteceu na sua última cerimônia, Emily é transferida para uma nova casa, depois de ser recusada por quatro famílias, a handmaid é mandada ao comandante Lawrence – um homem estranho que possui uma centena de objetos símbolos de outras religiões espalhados por sua casa, incluindo livros e outros artefactos que gritam conhecimento e aprendizado para qualquer um que os observe. Logo ficamos sabendo que ele é um homem importante, foi ele o responsável por arquitetar o plano econômico de Gilead.

Quando Tia Lydia pergunta a Emily o que ela tem a dizer sobre isso, ela dá uma resposta à altura de qualquer espectador:

Estou me perguntando por que um homem tão importante e brilhante, aceitaria uma merd* de handmaid em sua casa

A Resposta ainda parece nebulosa, porém mais tarde naquela noite o quarto de Emily é invadido pelo que me parece a senhora Lawrence e ela conta que ele é um monstro, pois foi o idealizador das colônias e do que acontece lá. Além disso, ninguém mais achou estranhíssimo o modo como ele ficou fazendo perguntas sobre coisas específicas de Emily que ele já sabia?

Realmente não dá pra saber o que esperar do velho, não vou mentir que de início tive uma pequena centelha de esperança de que ele poderia ser alguém legal que ajudaria finalmente Emily, mas depois da cena do vinho, já não sei mais...

Dito tudo isso.

É preciso falar sobre Eden.

Quando a personagem chegou a série, todos nós nos assustamos com o seu comportamento de praticamente devoção as normas de Gilead, mesmo que muitas vezes nem a mesma entendesse o que estava fazendo. Por sua idade, é óbvio que a moça cresceu e desenvolveu suas ideologias dentro dessa “sociedade” e por isso não se torna tão difícil de lidar como June ou Emily, por exemplo, que estavam acostumadas a viver “no mundo de antes”.

Eden é o fruto de tudo o que Gilead reserva para uma mulher, ou seja, nada. Nada além de submissão e frigidez. Sua cabeça foi tão imensamente mergulhada nessa ideologia venenosa que suas ideias sobre uma boa vida, desenvolveram-se sobre um tabuleiro de regras que de tão grande, não a faz enxergar o que ela mesma perpetua.

Porém, a juventude, é algo que eles preocuparam-se tanto em perverter que não notaram que essa mesma é responsável pela coragem que muitas vezes só está presente quando somos jovens. Eden e Isaac se apaixonam e tentam fugir juntos, porém são capturados no meio do caminho. As consequências confirmam o que já imaginávamos daquela imagem divulgada lá no trailer da segunda temporada.

Eden decide não confessar seus pecados, assim como Isaac, pois segundo a garota o amor dos dois é o que importa. A Cena que os leva a morte é densa, cruel e assustadora, por mais que também possua uma certa beleza.

O Significado que levamos após o acontecimento é mais uma vez o sentimento de humanidade que caracteriza tudo, que sempre retorna a série como o verdadeiro protagonista por trás de todas as ações. A verdade é a seguinte: por trás de toda a ideologia fundamentalista de Gilead, ainda existem pessoas, e não, essa não é uma tentativa de justificar os atos de quem aceita e prossegue com esses ensinamentos, mas apenas precisamos lembrar que um personagem como a Serena, que muitas vezes nos chocou em vários momentos se mostra sensível e dá a entender que toda sua maldade tem como motivo a vontade louca de ser mãe. Isso ficou bem claro, quando ela se tranca no quarto e tenta dar de mamar a criança. Nessa cena eu realmente fiquei assustado com o que ela ia fazer ao bebê. Considerando que o que aconteceu no episódio dez foi fruto da cabeça dela.

Esse foi o penúltimo episódio da temporada, por isso tantas coisas a perceber e tentar entender. Realmente não posso dizer o que espero para o último episódio, mesmo sabendo que a série foi renovada. Será que eles vão manter June na casa dos Waterford? O Que será de Emily e seu possível sádico novo comandante? June vai finalmente conseguir criar algum plano concreto para fugir com suas filhas?

Realmente não dá pra saber. A Cena final, nos mostra que a sensibilidade e o apoio após a perda de Eden, torna a postura de Serena mais uma vez um pouco mais humana do que o normal. É claro que nao dá pra confiar depois de tudo que ela fez, depois do que parecia uma evolução pessoal da personagem, porém dá pra sentir que seu amor pela criança e sua grande vontade de ter um filho, provavelmente foram os grandes e talvez únicos motivadores para tanta maldade. Ainda que jamais justifiquem seus atos.

Highlights:

- O Comandante Waterford está cada vez mais nojento

- Mais uma vez não sabia se ria ou me assustava com Serena querendo ser a mãe de Holly a todos os custos

- Apesar de assustador... Ô omi bonito esse comandante Lawrence, viu?

Veja as outras reviews aqui:

2x11 - Holly

2x10 - The Last Ceremony

2x09 - Smart Power

2x08 - Woman's Work

2x07 - After 

2x06 - First Blood

2x05 - Seeds

2x04 - Other Women

2x03 - Baggage

2x01 e 2x02 - June/Unwomen