Desde de 2015 a Netflix fez a gentileza de presentear sua grande audiência com uma das suas séries mais longas, foram 7 incríveis e inesperadas temporadas. Precisa-se dizer que o termo inesperada vem a calhar muito bem já que estamos tratando da gigante Netflix que tem uma fama de cancelar produções lá pela sua…. Primeira temporada.

A série que gira em torno da vida conturbada da Grace e Frankie na terceira idade e das pessoas ao seu redor, como por exemplos os seus ex-maridos que eram amantes e ficam juntos após abandoná-las, foi elogiada pela crítica e rendeu várias indicações a premiações como o Globo de Ouro, esse reconhecimento é fruto do roteiro e rumos inteligentes e provocativos proposto pelos criadores da série como Marta Kauffman (lembra de Friends? Ela tem uma mãozinha na série pois é uma das criadoras) e Howard Morris. A mistura de humor ácido e bobalhão deu o tom certo que o show precisava.

A terceira idade quase sempre foi colocada em escanteio nas produções do áudio visual e quando retratadas sempre associadas a doença, morte ou personagens resumidos a serem avós e avôs, nada de protagonismo, e nesse sentido Grace and Frankie muda totalmente a visão sobre como retratar essa parte da vida que pasme: todos nós vamos chegar um dia.

Existe uma mensagem explicita nas entrelinhas dos episódios, é a de uma certa liberdade em um estagio da vida e isso fica claro quando temos Sol e Roberte assumindo seu amor um pelo outro em plenos 70 anos, Frankie ficando chapada, Grace com uma taça de Martíni na mão ou duas senhoras empreendendo juntas no rumo dos vibradores femininos. Não importa, o que temos aqui são pessoas normais lidando com situações um tanto fora do comum, mas vivendo.

 

 

 

O humor ácido, rápido e inteligente presente nas relações dos personagens, principalmente nas entre pais e filhos, sozinho já faz muita coisa, contudo a junção deles com roteiristas, criadores brilhantes e um elenco experiente e entregue fez sair do forno uma receita daquelas de deixar água na boca de qualquer um. Só para lembrar os nomes que passaram pelo elenco durante as sete temporadas: Jane Fonda, Lily Tomlin, Sam Waterston, Martin Sheen e entre outros.

 

Apesar dessa mistura certeira, houve momentos em que a série pareceu perder força e continuar em um arco de mesmice ou exageros, talvez tenha sido necessário para voltar com o folego que encontramos na sexta temporada e principalmente na sétima e, infelizmente, a última da saga de Grace e de Frankie. E o que falar dessa última temporada que te leva as lagrimas e depois a gotosas risadas em menos de segundos. Se você procura alguma produção que fale sobre laços, família e amizade de uma forma excêntrica (Frankie que o diga), divertida e dramática essa é a produção certa.

 

 

A amizade entre Frankie e Grace é simplesmente linda, a sua construção é encantadora e da gosto de assistir a cada temporada, visto que as duas se odiavam e acabam virando melhores amigas. Talvez a química entre as atrizes principais deixe toda história correr de forma mais natural e leve. O telespectador ira se encantar com enredo da sétima temporada com cenas inesperáveis entre as duas protagonistas e com toda certeza, não haverá arrependimentos após mergulhar no universo acolhedor de Grace and Frankie. Por aqui a saudades que a série ira deixar vai ser grande e acredito que por ai também.