Quem não é fã de um bom audiovisual que retrata os melhores momentos de um verão épico? Tão comum nas produções americanas, até um velho clichê, mas sempre instigante, a Netflix veio com uma nova febre para o momento, a interessante Outer Banks.

Garotos sarados, meninas de biquínis, surf, violência e uma aventura muito louca pode ser sim a receita para um sucesso que anda deixando muita gente obcecada. E olhe que eu demorei a me render aos encantos da série.

10 episódios de pura adrenalina, grandes cenas e uma composição artística maravilhosa constroem uma série teen que cumpre seu papel adolescente, mas conquista muito mais que isso. Outer Banks tem algo muito encantador e charmoso, e não falo só de seus protagonistas.

Não sei se pelo fato dos personagens realmente parecerem grandes amigos ou pela fotografia impecável com muita praia e imagens áreas de tirar o fôlego, algo de muito especial foi construído nesses episódios.

Vamos a história, quatro amigos em uma ilha na Carolina do Sul que vivem uma vida simples e de muito trabalho. Outer Banks é dividido em duas partes: os Pogues, trabalhadores que vivem na periferia da cidade e os Kooks, ricos que tem duas casas e dois trabalhos. As diferenças entre as classes sociais dão o tom do que leva a narrativa a ser o que é, e apesar de achar no começo que essas diferenças iam ser o grande foco da história e que iria se tornar algo estereotipado e chato, foi exatamente pelo lado oposto que eles foram.

A série conta a história de John B (Chase Stokes), um adolescente de 16 anos que se torna órfão após o pai desaparecer em alto mar. Junto a ele, seus três amigos vivem a vida que sonharam e são rapidamente apresentados: Pope (Jonathan Daviss) é o nerd da turma que tenta uma bolsa de estudos para melhorar de vida, JJ (Rudy Pankow) é o problemático do grupo que tem um relacionamento difícil com o pai e não acha que dá para mudar o jeito que vivem, e a forte Kiara (Madison Bailey), única menina do grupo, que pertence na verdade ao lado dos Kooks da ilha, mas que anda com os meninos.

O primeiro episódio está ali para nos situar de tudo o que irá acontecer, e por isso é talvez o mais chato da temporada. Vi gente dizendo que achou muito devagar e desistiu da série nele, e posso dizer que esse foi o pior erro que eles cometeram.

Para quem gosta de ação, tem muita ação, para quem gosta de romance, tem muito romance, tem cenas que nos deixam nervosos, enojados, com vontade de bater em alguém e principalmente: ansiosos para o próximo episódio. Uma série se torna boa quando a gente quer assistir um episódio atrás do outro e nisso Outer Banks acerta em cheio.

Os diálogos, as motivações, as aproximações e os sentimentos são incrivelmente bem construídos. Todos estão relacionados de alguma forma, e não é só porque a ilha é pequena. Gosto também da boa dinâmica que existe entre o elenco adulto e o juvenil, bem entrosado e fantasioso na medida certa. Lógico que existem mentiras, coisas que adolescentes normais não fariam, mas é isso que nos leva a assistir séries assim não é mesmo?

Unido a uma atuação incrível está a trilha sonora perfeita. Digo com toda a certeza do mundo que ao ouvir qualquer uma das músicas escaladas para a produção você consegue visualizar tudo: o enredo, a fotografia, o estilo de uma ilha praiana e principalmente o verão. Detalhe interessante que devemos incluir aqui é que os próprios atores contribuíram com indicações de bandas e músicas que entraram para a trilha sonora. Eles estavam de fato muito conectados com o projeto.

Enfim, John B entra numa caçada muito louca por uma pesquisa que o pai deixou antes de desaparecer e é interessante como essa história chega até ele. Interessante também é ver a dinâmica da amizade dele com o resto do grupo que embarca na loucura de olhos fechados pelo amigo.

E quando eu achei que toda a história ficaria ali em John B e os outros seriam meros coadjuvantes, somos levados para a narrativa particular de cada um. Problemas de relacionamento com os pais, de aceitação, de imposição e outros detalhes são abordados e assim não ficamos somente com a versão da aventura que John B vive: temos um pouquinho de cada um também em tela.

Também não posso esquecer de citar Sarah (Madelyn Cline), filha de um rico poderoso na ilha para qual John B trabalha. Sarah vive seus próprios dilemas até se aproximar (ou como posso dizer, ser atraída) pelo surfista. John B é o tipo de cara que classificaríamos como caça problemas, por não conseguir ficar parado ou por não hesitar em ajudar seus amigos. Eles vivem um lindo romance, apesar de ser um pouco demais para duas pessoas que tem somente 16 anos, mas oh, quem sou eu para julgar. Só acho lindo no final e pronto.

Não consigo continuar aqui sem citar mais spoilers, porém deixo aqui a indicação de uma grande série que ainda vai alcançar muito mais sucesso do que já está tendo. E se no começo achava que a série não teria motivos para se alongar em mais de uma temporada, agora aguardo aqui uma segunda temporada que promete ser bem diferente do que eu imaginava.