Criada por Eliot Laurence, a série Motherland – Fort Salem (exibida pela rede de TV norte-americana Freeform estreou em março desse ano). Originalmente trama foi pensada para ser um livro, talvez uma trilogia.

Mortherland: Fort Salem se passa numa realidade alternativa em que bruxas são  utilizadas à serviço de uma máquina de guerra imperialista, e não mais perseguidas como nós conhecemos a história cruel e sanguinária das bruxas de Salém.

Sarah Alder  lutando ao lado de Lincoln

Nessa realidade as bruxas  conseguiram um acordo com a Colônia da Baia de Massachusetts em 1692, e para salvar a sua espécie, elas concordaram em assumir o papel de “guerreiras” de um Novo Mundo, no qual lutariam suas guerras e colocando todos os seus poderes à serviço da Pátria.

Após esse acordo toda jovem bruxa ao completar 21 anos é recrutada para ao exercito e nesse momento encontramos as três protagonistas : a rebelde Raelle Collar (Taylor Hickson), a entusiasta Tally Craven (Jessica Sutton) e Abigail Bellweather (Ashley Nicole Williams), que vem de uma longa linhagem de bruxas militares. Elas estarão treinando sua magia de combate , bem como sua habilidades individuais sob o olhar atento da general Sarah Alder (Lyne Renee) e da sargento Anacostia Quartermaine (Demetria McKinney). Durante o inicio da trama já somos apresentados a uma ameaça bem evidente os intitulados “The Spree”, um grupo terrorista que se utiliza da antiga força maligna para derrubar o governo.

Mulheres no poder!

O seriado é praticamente todo sobre mulheres, praticamente não existe homens na trama em um único momento importante em que eles aparecem em é um ritual para que as cadetes possam aliviar sua tensão sexual.

Anacostia, Scylla, Raelle, Abigail, Tally e Alder.

Outro fato importante é que as mulheres estão sempre a frente de cargos de poder ou em lutas históricas, um exemplo é a  lendária bruxa Adler está ao lado de Washington, Lincoln e outras figuras importantes na época da revolução americana.

O respeito à cultura também está bem presente, as bruxas não são apenas pessoas comuns que fazem feitiços ocasionais da maneira como as vemos em outros shows. Elas têm toda a sua cultura distinta. Feriados próprios, diferentes opiniões sobre casamento: fica claro que na narrativa uma bruxa pode ter vários parceiros para que possam gerar herdeiras e criar uma linhagem ao seu nome.

Representatividade

Algo tão falado nos dias atuais e bem pouco visto de forma realmente convincente, justamente em Motherland  isso acontece de forma muito bem sucedida. Temos mulheres negras fortes, inteligentes e ambiciosas nas linhas de frente da série, temos uma personagem abertamente lésbica como principal. É bem satisfatório observar a boa representatividade das minorias ser trabalhada de foram tão fluida e eficaz, sendo respeitada a diversidade racial e também a de gênero.

A sexualidade feminina também é tratada como algo real e normal, nenhuma mulher é taxada de promiscua por ter uma vida sexual perfeitamente normal, ao contrario é bastante incentivada.

Raelle e Scylla

Critica a Politica          

Apesar da historia ser sobre as forças armadas, o programa não é uma propaganda militar, muito pelo contrario, a briga entre as Bruxas de Salém e a organização The spree, trata justamente dessa briga de ideais.

Para os Spree, a estrutura militar desse mundo alternativo e o chamado alistamento são basicamente um regime de escravidão, onde seus poderem são utilizados para comandantes se manterem em seus confortáveis cargos. Porem apesar da causa nobre, a organização utilizasse de métodos bastante intransigentes, matando humanos sem o mínimo remorso. O que deixa a duvida se esses métodos não poriam as bruxas novamente em risco, fazendo as mesmas serem caçadas pela humanidade.

Roteiro

É extremamente ver como o roteiro funciona, a trama mostra muitos assuntos,  problemas políticos, ações terroristas, o treinamento das jovens bruxas, o poder da general sendo posto em duvida e tudo isso em torno de 10 episódios.

Abigail, Tally e Raelle

É interessante como Raelle, Abigail e Tally estão no centro de tudo, porem estão tão imersas em seus próprios problemas pessoas que não conseguem observar o que esta acontecendo ao redor. Essa individualidade de ambas trás sérios problemas em seu treinamento, e a cada episodio elas aprendem na marra a estarem juntas e trabalharem assim, pois elas estão destinadas a serem companheiras de tropa. Cada trio é designado no dia do recrutamento.

Outro ponto interessante do roteiro são os Spree, ninguém sabe quem eles são, a forma de comunicação deles é através de um balão, porem para nossa surpresa temos um membro deles infiltrado na zona de treinamento. Scylla (Amalia Holm) é a única Spree que nos é apresentada e também é a namorada de Raelle, climão!

O roteiro é muito bem trabalhado, a cenas de ação, tanto em treinamento quanto em campo são muito bem elaboradas e o ponto mais instigante são as perguntas que cada episodio deixa na nossa mente, como: a Scylla é mesmo a Scylla ou alguém estaria usando o rosto dela? Como a General Alder se manteve jovem durante os últimos 300 anos? Será mesmo que a mãe da Abigail foi responsável pela morte da mãe da Raelle? Será que a mãe da Raelle está realmente morta? É de queimar os neurônios.

Veredito

Motherland: Fort Salem é uma serie bastante diferente nas series sobrenaturais que temos atualmente. Trabalhar magia, matriarcado, militarismo, critica social e politica, é algo que realmente poucas conseguem fazer, e principalmente trabalhar isso sem deixar de modo fatigante e extremamente chato. Para que quer fugir da mesmice e dos romances adolescentes a serie é um grande achado.

Já foi confirmado pela Freeform/Hulu a segunda temporada da serie, porem devido Pandemia da Covid-19, não a data para o inicio das gravações e, por conseguinte não há uma data de estreia. Outra noticia um pouco chata é que a serie não se encontra em nenhum serviço de Streaming aqui no Brasil e não há nenhuma data para que isso possa ocorrer.