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Assista ao trailer: Santa Clarita Diet (2ª Temporada) - Trailer Legendado | Netflix
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A segunda temporada chegou ao Netflix recentemente e trouxe episódios inéditos que se aprofundam nos personagens fortalecendo-os para o segundo ano.


A trama central deste novo ano segue imediatamente do ponto onde a temporada anterior terminou. A familia Hammond está passando pelas piores dificuldades possíveis. Sheila (Drew Barrymore) afundada em uma deterioração e desgraça tanto mental quanto psicológica, Joel (Timothy Olyphant) internado em um hospital psiquiátrico, cabendo a Abby (Liv Hewson) junto de Eric (Skyler Grisondo) tentar descobrir uma cura e também consertar o que colocou o casal de protagonistas dentro dessa situação aparentemente irreversível.

Mantendo o tom do ano anterior, essa nova temporada explora todos os acertos da primeira. Os diálogos cínicos e as situações cômicas que beiram o brega - e na proposta da série é incrível -, também abrem espaço para um mergulho no elenco coadjuvante que se mostra mais presente, renovando a trama entre núcleos e elevando suas importâncias. E é justamente a partir dessas adições de tempo para os coadjuvantes que há uma renovação importante na motivação da série, que agora aceita um descompromisso mais sério.

Como na primeira temporada, o roteiro busca trazer temas atuais para dentro do universo surreal e consegue encaixá-los muito bem através de suas manobras de estrutura que separam cada episódio de 26 minutos em 3 atos claros, onde o último, reponsável pela "resolução" ganha maior importância por se ligar quase que instantaneamente ao próximo episódio. Ou seja, a série encontrou uma fórmula que lhe cai bem. A montagem e o desenvolvimento do texto acaba ficando preso no próprio esqueleto, e somente a parte final dos episódios parecem ter maior relevância para o arco longo que a série traça, e isso abre as portas para as tramas subjacentes que ganham uma relevância dentro do próprio episódio. É como se por dois terços de cada episódio, as tramas secundárias se tornassem as principais, e aquela aventura que estamos seguindo desde a temporada anterior fosse apenas um pano de fundo para situações fechadas dentro daquele mundo próprio de Santa Clarita Diet. Claro, essa alternância de histórias em primeiro plano pode gerar algum desconforto para algumas pessoas, ou até mesmo deixar uma impressão negativa, no entanto, analisando puramente a proposta da série, é possível notar o quanto que essa variação ajuda a nos desprender da trama A (Sheila e Joel) e a mergulhar nesse mundo criado, expandindo-o em nosso imaginário.

Voltando aos temas atuais que a série trata, é necessário destacar a forma como abordam a crescente onda de nazismo. Toda a contrução do tema se dá por situações e piadas inteligentes, trazendo de volta aquele velho conflito moral que vem desde a primeira temporada, onde é preciso escolher as "vítimas" de Sheila. Tudo faz parte de uma comicidade apelativa que Santa Clarita Diet traz ao abandonar a seriedade e fundamentos de determinadas situações. Essa temporada mergulha de cabeça na ficção criada para esse mundo próprio.

Com isso, a temporada se torna um pouco mais complexa e pode até ficar um pouco confusa do que a temporada anterior, mas possui de sobra uma contrução e estrutura muito bem definida sobre seus personagens, principalmente a contrução do casal Hammond. Drew e Timothy conseguem um timing perfeito de comédia para todas as situações e interpretam com maestria o texto. Parecem estar mais livres, ou acostumados com seus personagens. É como se tivessem entendido completamente a proposta de cada um, e isso sem dúvida agrega um alto valor para a produção.

Ainda sobre a contrução dos personagens, conseguimos mergulhar profundamente em todas as dinâmicas de personagens. Abby e Eric brilham ao retratar as situações de um "shipp" que é super claro, mas super sutil e desejado, no entanto medroso e engraçado. É realista e cômico! Além do mais, nos aprofundamos na origem da "doença" que transformou Sheila em uma morta-viva, e as explicações criadas beiram o perfeito. Há muita variedade de opções para explorar nas próximas temporadas e encontrar uma solução para esse problema parece cada vez mais distante.

Assim como no ano anterior, os efeitos especiais estão incríveis. O exagero nas cenas de sangue chegam a lembrar Tarantino e com um tom de humor fica ainda melhor. Vale ressaltar também a participação de Nathan Fillion, que agrega valor aos dilemais morais e humanos de Sheila e Joel, que buscam ser boas pessoas apesar de matarem.

O que podemos dizer da segunda temporada de Santa Clarita Diet é que ela avança em relação ao ano anterior, principalmente no desenrolar da trama e na contrução mais profunda de seus personagens principais e secundários, e experimenta de uma sobriedade que não deixa de ser cômica, mas que se complementa aos poucos, deixando sua trama mais cheia, complexa, confusa e curiosa. Uma ótima pedida para maratonas!