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Assista ao trailer: La Casa de Papel: Parte 3 | Trailer oficial | Netflix
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Depois do grande sucesso que La Casa de Papel fez repentinamente em todo o mundo, eis que a Netflix anuncia uma terceira parte na história dos ladrões mascarados. Confesso que eu era uma das que achava completamente desnecessário uma continuação para a história, mas fui vencida pelo trailer e completamente derrubada durante os episódios.

A parte 3 da série trouxe uma história com roteiro quase que completamente coeso e que brincou com flashbacks durante seus oito episódios. Na nova história os atracadores estavam todos divididos após o roubo na Casa da Moeda para poder sobreviver. Porém, com a prisão de Rio, os ladrões voltam a se encontrar e planejam um novo roubo, desta vez ainda maior.

O mais interessante da história com certeza é o plano. Afinal, foi tudo tão apressado para poder resgatar Rio (Miguel Herrán) que não daria tempo de pensar em algo grandioso como o primeiro roubo e é aqui que temos uma resposta interessante: Berlim (Pedro Alonso) tinha um sonho de assaltar o Banco da Espanha e roubar o ouro do cofre. Nada mais justo que resgatar a ideia já pensada e trabalhada.

Com isso a introdução de Palermo (Rodrigo de la Serna) faz total sentido e é bem utilizada. Ele é uma espécie de Berlim 2.0 e nutria por ele grande admiração. No entanto os outros novos personagens apesar de ter um andamento na série incrível são introduzidos sem qualquer explicação de quem são e suas histórias como Bogotá (Hovik Keuchkerian) e Marsella (Luka Peros).

Os dramas pessoais são o que move essa temporada, com muitos conflitos e culpa. Os relacionamentos amorosos se torna pivô para cada ação durante e antes do roubo, seja com Tóquio (Úrsula Corberó) e Rio, Denver (Jaime Lorente) e Estocolmo (Esther Acebo), Professor (Álvaro Morte) e Lisboa (Itziar Ituño) ou Nairóbi (Alba Flores) e o trio com Helsinki (Darko Peric) e Palermo. Fica claro que por mais preparados eles estejam, tudo é movido pela improvisação do sentimento deles no momento, crucial nos últimos momentos do último episódio.

 Inclusive, Nairóbi de fato é a sensação da temporada. Com o jeitinho único dela, consegue colocar todo mundo em seu lugar, mandando no processo de extração de ouro ou dando patadas em comentários desagradáveis. Ela também protagoniza cenas de empoderamento com conselhos especiais e uma cena final angustiante. 

A nova inspetora também traz representatividade com seu grande barrigão. Estar grávida e pensar de maneira impiedosa em acabar com o roubo traz um contraponto interessante na história, principalmente em como ela trata Rio. Apesar de tudo fica bem claro para os telespectadores que ela é polícia e não vai se vender como Raquel, o que termina não tendo total simpatia do público que torce pelos ladrões, eu me incluo nisso.

A resistência se torna o grande símbolo dos atacadores que ganham um grande trunfo com a simpatia da população. A identificação e a chuva de dinheiro logo no primeiro episódio foram um importante marco para que as pessoas ficassem do lado deles. No entanto, o fato de nunca haver vítimas fatais era o que fazia a população acreditar na ideologia do grupo. Agora estamos em guerra e a reputação dos ladrões pode ir para o ralo com isso.

Para mim a Netflix acertou muito em manter somente oito episódios e deve trabalhar em um desfecho para o roubo na parte 4. Terminar nessa temporada faria as coisas ficarem apressadas e sem sentido demais com ainda mais furos no roteiro.

Assim, a série me conquistou mais uma vez e mostrou valer a pena uma nova temporada. Novos roubos, mesma pegada e trabalhar a nostalgia de ter nossos personagens em ação de volta. Até o último descrente deve se render a essa boa temporada.