Sandy Kominsky (Michalel Douglas) é um homem de sorte, e talento. Em poucos anos de carreira, ele logo se consagra como um ator de sucesso de Hollywood. Por outro lado, seu agente e melhor amigo Norman (Alan Arkin) até acompanha o glamour do colega, mas não esquece dos problemas de sua própria vida.

Texto inteligente e atuações primorosas. Nada mais pode descrever essa série. O Showrunner, Chuck Lorre, é um nome conhecido no meio das sitcons, e está a frente de algumas produções importantes na indústria, como The Big Bang Theory e outras. É muito interessante saber quem está por trás de O método Kominsky para perceber o quão diferente essa série é, vindo de alguém que consegue trabalhar muito bem com formatos "quadrados" e padrões. 

Lembrando da abordagem feita em Grance and Frankie, onde também tínhamos protagonistas da terceira idade, Kominsky lida com a mesma visão sobre a perspectiva da morte.

Michael Douglas é Sandy Kominsky, um ator que teve sucesso no começo da carreira, mas que hoje é um professor de dramaturgia respeitado, porém quebrado financeira e amorosamente, tendo passado por três casamentos fracassados. Alan Arkin é Norman Newlander, o bem-sucedido e melhor amigo de Sandy - bem no estilo velhos ranzinzas entre tapas e beijos -. Norman é casado com a mesma mulher há 46 anos. O estopim da trama é justamente o falecimento de Eileen, interpretada pela maravilhosa Susan Sulivan (a estrela Martha em Castle). Com sua morte, Sandy e Norman se aproximam e a história começa a deslanchar pra valer. 

A premissa completamente fúnebre é que dá o tom diferenciado para a série. Entre esse clima de velório há sempre a interação cômica entre Norman e Sandy, explorando a química dos personagens; que devemos ressaltar é tão natural quanto sincera. 

Norman é um homem complexo em sua forma de lidar com a perda de sua esposa, e Sandy vive como Michael Douglas, no melhor sentido, claro. Ficando difícil saber onde termina o ator e começa o personagem, e isso funciona muito bem para a "sinceridade" da série. Uma outra coisa legal da série é ver como o roteiro é direto e focado na história que quer contar, sem rodeios ou tramas paralelas. E com isso, amplia a conexão com o espectador que mergulha nessa história, que além de cômica e sentimental, beira o bizarro, como na cena do velório de Eileen. 

Com todos esses elementos, O Método Kominsky gravita em torno dos dois pilares centrais da história, e acerta ao fazer esse recorte. Para expandir a intensidade dos protagonistas, a relação com suas respectivas filhas é um fator interessante para dar uma girada na mente de cada um deles; que rende excelentes diálogos e situações cômicas. Também temos Sandy tentando acertar na vida amorosa com uma de suas alunas e uma investigação sobre um possível problema em sua próstata, o que nos dá a oportunidade de uma ponta incrível de Danny DeVito como o médico urologista Dr. Wexler. 

A série é curta, tendo apenas 8 episódios de aproximadamente 25 minutos, e com isso, consequentemente, deixa algumas subtramas no caminho, puxando para uma possível segunda temporada, que esperamos ter em breve. 

No mais, a série cumpre o que promete. Ela é realista, leve, direta, bem humorada e pessimista ao mesmo tempo, e rende bons sorrisos e um ótimo entretenimento; também nos ajuda a explorar e dar visibilidade para a terceira idade que cada vez mais é menosprezada pela indústria cinematográfica e televisiva como um todo, em todos os polos de mídia, como o Brasil. 

Como a série é curta, é difícil falar sobre ela sem dar spoilers, mas fica aqui o conselho. Veja O Método Kominsky. Michael Douglas levou o Globo de ouro deste ano como melhor ator de série de comédia ou musical por essa série e ao assistir, vemos que foi mais do que merecido.