Lucifer é uma série que consegue atrair a atenção dos mais variados públicos, principalmente no Brasil, onde essa faixa etária varia dos 16 aos 60 anos, o que é algo incrível. Embora houvesse no começo um pouco de preconceito por causa do nome da série, isso logo foi deixado pra trás quando a produção se provou divertida e viciante.

Se na primeira temporada Lucifer estava em conflito sobre o relacionamento com seu pai, no segundo ano temos a mãe dele presente e estragando as suas "férias" por aqui. Terminamos a primeira temporada com Lucifer preocupado, afinal, sua mãe fugiu do inferno e iniciamos o segundo ano com ele determinado a encontrá-la.

Lucifer desabafa sobre sua relação com a mãe nas suas sessões com a Doutora Linda. Inclusive é nessa temporada que a Doutora finalmente descobre a verdadeira identidade do diabinho. Lucifer ainda se recusa a admitir os seus sentimentos e culpa o mundo por tudo o que está acontecendo com ele. Claro que Tom Ellis, que interpreta o protagonista, ajuda a dar sentido ao seu conflito interno, pois seu carisma, beleza e poder dramático ajuda a compor as diversas camadas do personagem.

Amenadiel tenta convencer Chloe que Lucifer é uma fraude, isso tudo porque ela fica tentada em testar o sangue divino dele. Se na temporada passada o diabo fazia brincadeiras em relação ao seus sentimentos pela detetive, nessa ele consegue ser honesto e deixar claro o que sente por ela. E o melhor é a reciprocidade. Finalmente ele consegue despertar algo em Chloe. Tanto que ao deixar esse teste de lado, ela afirma que precisa de seu parceiro e pouco se importa com o que ele é de verdade.

Mas a razão de Lucifer ficar vulnerável quando a detetive está por perto ainda é um mistério, porém vamos começando a entender e a criar nossas próprias teorias. A série revela um pouco mais sobre isso, mas a razão verdadeira ainda está no hiatus. Tricia Helfer, que interpreta a mãe/Charlotte de Lucifer entrega uma excelente atuação. Combinando dramaticidade com sua beleza e "inocência" quando ela encarna em um corpo humano, temos um resultado engraçado, mas que também não deixa de ser carregado de emoções, e vamos variando entre odiá-la e simpatizar com suas ações.

Mazikeen está tentando descobrir o seu lugar na Terra e é uma das personagens que mais evoluiu neste ano. A amizade com a Doutora Linda gera consequências imprevistas e bem emocionais. A diabinha também decide dividir uma casa com Chloe e por isso acaba passando mais tempo com Trixie, filha da detetive. A relação de Mazi e Trixie é algo muito bonito e reflexivo sobre o olhar infantil, que procura sempre enxergar o melhor das pessoas.

Ou seja, a primeira temporada já tinha ganhado o coração de todo mundo, mas o segundo ano consegue elevar o nível. Tivemos novos personagens na trama, os personagens secundários foram mais bem trabalhados e comporam uma boa história. O roteiro evoluiu porque agora tivemos um antagonista para Lucifer, que na primeira temporada tinha seu arco focado em apenas apresentar seus dilemas, conflitos e trajetória em seu relacionamento com o pai. Esse combo nos deu uma série mais imersiva nas camadas dos personagens, e os atores parecem estar mais confiantes em suas atuações, o que entrega uma ótima série. Como no primeiro ano, a produção continua viciante e é impossível ver apenas um episódio. Assistindo, conseguimos dar boas gargalhadas e até ficar com os olhos mareados quando vemos Lucifer sofrendo com seus dilemas, ou quando ele desiste de tentar ser uma boa pessoa. No fim, Lucifer é sobre família e a série cumpre bem seu papel.

Ah, claro... Temos um gancho gigantesco para a terceira temporada...