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Assista ao trailer: Sex Education | Trailer Oficial | Netflix
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A nova queridinha da Netflix, Sex Education, chegou seguindo a premissa já implantada em Elite com colégio, adolescentes e muito sexo. A série traz elementos muito bons de trabalhar e que facilmente conquista um público específico. Contando a história de Otis (Asa Butterfield), um adolescente antissocial que se torna amigo de Maeve (Emma Mackey) através da ideia de montarem uma clínica de terapia sexual para os problemas que os alunos da escola têm acerca de seus corpos e de seus parceiros.

A principio preciso dar crédito a ideia de trabalhar vários assuntos ligados à sexualidade em uma fase cheia de dúvidas como a adolescência. O mais estranho da história toda é que apesar de toda “baixaria” que a série tenta trazer, os assuntos são tratados de maneira delicada, quase beirando a romantização. A série pouco me incomodou e foi me ganhando aos pouquinhos com personagens queridos e presenciosos.

Falo assim, pois todos os personagens parecem ser muito bem escritos e ligados em toda a história. Nenhum deles é pouco trabalhado ou passa em branco de alguma forma, o que traz uma diversidade de personalidades e atraí ainda mais público. Um pouco de cada um se vê representado naquelas histórias que traz gays, lésbicas, os sexualmente reprimidos, os que estão descobrindo sua sexualidade, os que estão soltos até demais e o que todos são um pouquinho: descobrindo seus limites e desejos.

Toda a narrativa parece ser preenchida em sua totalidade e talvez por isso o número pequeno de oito episódios são o suficiente para contar a história sem ter a sensação de inchação de linguiça. Por outro lado nada falta a ser explorado, mesmo que seja minimamente, pois é claro que há a introdução de um gancho para a segunda temporada.

As atuações são primorosas e naturais. É tudo muito espontâneo como se todo mundo tivesse realmente mergulhado naquele universo. A trilha sonora é presente nos momentos certos e combina com o restante da produção. Outro ponto que agrada é a fotografia, tantas vezes me lembrando 13 Reasons Why, outra produção adolescente do canal, mas sem o ar sombrio e pesado da história contada pelos porquês. O acerto fica por conta da leveza e comédia que a produção traz, mesmo em assuntos pesados.

O grande brilho da série é de fato seu roteiro e seus personagens, onde o prazer de assistir e descobrir cada detalhe sobre eles é o que motiva a permanecer durante oito horas naquela narrativa. Meu destaque vão para Maeve, Otis, Eric (Ncuti Gatwa) e Jackson (Kedar Williams-Stirling).

Não vou entrar em detalhes sobre suas histórias, pois como eu disse o bom é acompanhar o desenrolar, mas não posso poupar o comentário de que não consigo shippar Otis e Maeve, bem como ter qualquer tipo de sentimento de raiva ou desprezo pro Jackson, mesmo tendo atitudes questionáveis. E que com certeza a história de Eric é uma das melhores e que ele deve sofrer ainda mais na segunda temporada, pois há muito a se descontruir ali ainda. E ah, o sotaque britânico dos atores é a melhor parte em assistir legendado! haha

Em uma fase tão estranha onde tudo é multiplicado por 100, produções sobre adolescência não perde o brilho nem a necessidade. Se tratada com naturalidade e cuidado, o sucesso é garantido e passa longe do batido. E eu não tenho dúvida de que a apimentada e romântica Sex Education já conquistou isso.