Love, Victor , é uma serie norte americana transmitida pelo streaming da Hulu em 2020. Aqui no Brasil a atração só chegou em 2021 com o lançamento da Star+, que ficará responsável pelo conteúdo adulto da toda poderoso Disney.

O seriado adolescente que se passará no mesmo universo do livro Simon vs. the Homo Sapiens Agenda e que deu origem para o filme Com Amor, Simon lançado em 2018. A dupla de roteiristas do filme, Isaac Aptaker e Elizabeth Berger retorna para escrever os roteiros da série de 10 episódios e irá apresentar um novo protagonista, o jovem Victor (Michael Cimino) que chega para estudar na mesma escola que no filme, a Creekwood High School.

Jovem Victor

A Trama

O enredo basicamente nos apresenta a uma família cheia de segredos mantendo uma aparência de família feliz e perfeita!

A serie se inicia com a família Salazar tendo que se mudar do Texas para Atlanta - a família de origem hispânica ? os pais Armando Salazar (James Martinez) e Isabel (Ana Ortiz), a irmã Pilar (Isabella Ferrera) e o caçula Adrian (Mateo Fernandez), tipicamente tradicional e extremamente religiosa.

 A mudança dos Salazar, ou melhor o motivo, tem uma grande importância para a trama. Essa é a primeira grande mudança que vai mexer com os pilares da família, detonando de certa forma, a confiança dos filhos. Além de tudo isso, temos um protagonista que precisa enfrentar um grande conflito interno, quando o assunto se trata de sua sexualidade.

Família Salazar

Descoberta de Victor

Seguindo a premissa de Com amor, Simon, Victor busca se descobrir e não se sente bem em se abrir com alguém. Ao chegar na Creekwood High School, ele acaba conhecendo a historia de Simon e como foi a declaração épica em uma roda gigante e como todos o apoiaram e se sente invejoso daquela historia feliz.

Meio que como um desabafo, Victor envia uma mensagem na rede social de Simon, expressando toda sua, raiva, dor, inveja e de certa forma pedindo ajuda. Para surpresa do garoto, Simon o responde! A partir desse momento Simon vira uma espécie de mentor para Victor, dando conselhos e falas compreensivas em suas duvidas.

Vale ressaltar que a descoberta do garoto não é nada fácil, podemos perceber que muito de sua criação em um meio extremamente machista e religioso faz Victor nem suportar ou cogitar sobre ser Gay. Inclusive reprimindo sua clara atração por Benji (George Sear).

E é nessa pegada que vemos Victor se martirizar, tentando a todo curto ser o "Garoto Normal", que todos desejam que ele seja.

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Victor e Benji

Coadjuavantes roubam a cena

Não estou aqui para dizer que Michael Cimino é um ator ruim, não é isso, mas talvez a trama dele, mesmo sendo o personagem principal é morda demais. Apesar de ter muito o que se contar na historia, o roteiro é um pouco preguiçoso o que deixa o personagem Victor bem atrás das tramas dos outros jovens.

O jovem Felix (Anthony Turpel) por exemplo é uma ótima representação do que eu falei. Apresentando primeiramente como o vizinho estranho, o garoto nerd zoado na escola e apaixonado pela popular, é o auge do clichê adolescente. A grande sacada talvez esteja ai, como não esperamos nada, somos surpreendido pela trama complexa que o garoto lida, ao ser responsável por uma mãe com bipolaridade e com obsessão em acumulação, deixando o jovem responsável por ter, mesmo que de certa forma, com assuntos nos quais seria a mãe a lidar (moradia, contas, assistência medica para a bipolaridade). O que nos surpreende de como um garoto que passa tanta alegria e leveza, na verdade carrega algo muito obscuro.

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Felix é a personificação do cara gente boa, amigão de todas as horas

A dupla de amigas Mia (Rachel Hilson) e Lake (Bebe Wood), também são destaques a ser relevando. Mia lida com grandes questões de abandono familiar, tanto da mãe que simplesmente foi embora sem dar adeus e de seu pai que passa maior parte do tempo focando em sua carreira profissional, mal tendo tempo de dar um misero "oi" a garota.

Lake também não passa em branco, num primeiro momento a raiva dela é inevitável, o clichê de patricinha americana está nela, sem tirar e nem por. Mas quando a conhecemos profundamente vemos o peso enfrentado pela jovem, que sofre uma pressão e até bullying de sua própria mãe, uma jornalista consagrada que insiste que Lake pode sujar sua imagem se não andar não linha que ela determinou.

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Uma boa Série

Diferente de outras produções contemporâneas do gênero, a estética visual de Love, Victor se afasta-se da costumeira sobriedade azulada e se volta para uma vibrante construção artística, que reflete bem a cultura latina dos personagens principais.

Além disso o seriado se distancia de uma presença majoritariamente branca para dar voz a outras minorias que, apesar de convergirem para uma celebração da diversidade, eventualmente rendem-se a diálogos convencionais, que não saem da zona de conforto.

A habilidade dos criadores em usar todos os pontos automaticamente reconhecíveis das rom-coms em favor próprio, é um grande atrativo na serie, deixando os fãs de comedias românticas dos anos 90 e 2000, muito felizes!

Veredito

Love, Victor faz um começo promissor para uma série que deverá ser gostosinha de se acompanhar, permitindo ser tão pura, mesmo que não tão coerente, quanto a que a precedeu, a obra é uma ótima opção para se devorar nos próximos dias. Vale ressaltar que  a série não parece que irá abordar questões sexuais na mesma intensidade, e profundidade que Sex Education e Euphoria, por exemplo, então é uma ótima recomendação para quem procura leveza.