Pelo segundo ano consecutivo, eu havia prometido a mim mesmo que não retomaria Elite. Afinal, após uma terceira temporada mediana, - porém trazendo fins dignos para a maioria dos personagens - a série havia finalmente encerrado o arco da primeira temporada: a morte de Marina e as consequências deste assassinato. No entanto, com a renovação da série, foi necessário conservar parte do elenco original e ascrescentar novos super modelos à trama, encaixotando-os novamente em uma trama de assassinatos. E eu, optando por trair meus princípios, me deixei levar pela curiosidade.

Eu não poderia ter me arrependido mais após assistir a quarta temporada. Hoje, finalizando a quinta, prometo a mim mesmo nunca mais consumir a série novamente. Conseguirei conter minha curiosidade? Talvez sim. Possivelmente não. Tudo seria mais fácil se Elite finalmente chegasse ao fim, mas já temos uma sexta temporada garantida. Sem mais delongas, comentarei sobre a tenebrosa quinta temporada.

O quarteto original (Samu, Omar, Rebe e Caye) se manteve no elenco, bem como Philipe, os irmãos Benjamin e seu rígido pai. Somos agraciados com a chegada de dois novos personagens, o brasileiro Ivan (portando um delicioso sotaque carioca) e a influencer Isadora. Em relação a Samu, pode-se dizer que o personagem está em mais um arco socio-econômico, onde suas motivações destoam da maioria de seus colegas ricos.

Omar, abandonado por Ander, acaba se envolvendo com um garoto em situação de rua (cujo personagem e ator não poderiam ser piores), acarretando um plot sem objetivo e que se encerra de maneira totalmente abrupta. Rebeka, por sua vez, começa explorando ainda mais sua sexualidade, mas logo se vê refém do amor por Mencía - ela que, por sua vez, está mais humanizada e tolerável na temporada, bem como sua irmã Ari. As consequências do assassinato da temporada anterior vêm à tona, juntando a maioria dos personagens num plot que, mesmo prometendo consequências mortais, entrega um desfecho morno e absurdamente previsível. Estamos diante do pior mistério da série até então.

Renegando a si mesma um roteiro interessante, a série se mantém pautada no soft porn. Um dos méritos dessa temporada é mesmo a fotografia e direção de arte, acertando em cheio com tons de neon - mas já é desgastante acompanhar o apetite sexual incessante dos adolescentes, que transam a todo instante, independente do lugar onde estejam.

Tudo isso é consequência de quando Elite abandonou as discussões sobre classes sociais (o primeiro grande motor da trama) para usar o sexo como ponta de partida de tudo. Uma pena desperdiçar personagens tão interessantes em tramas puramente visuais - excitantes, mas vazias. Desprovidas de qualquer conteúdo ou mensagem interessante.

Falando em vazios, não há outra palavra para descrever o plot de Isadora e Philipe. Por quê manter um estuprador no elenco, do momento em que este já foi desmascarado perante toda a escola? O arco de redenção do jovem não convence, tampouco a obsessão de Isadora (uma nova versão de Lucrécia) com o príncipe. A jovem possui suas camadas, é claro, mas de nada adianta se afundaram-na em um péssimo plot, onde defende a todo custo um abusador o qual ela mal conhece. A cereja do bolo vem ao final da temporada, que pune Isadora por seu vício em drogas para (adivinhe?), humanizar Philipe. Péssimas escolhas narrativas a todo instante, desperdiçando o talento de todo o elenco.

Felizmente, há acertos, por menores que sejam! Ivan, o brasileiro filho de um jogador de futebol, foi um acerto em cheio no marketing, conquistando legiões de fãs com carisma, talento e beleza (incrementada pelo charmoso sotaque). O personagem se envolve num plot com Patrick e seu próprio pai (isso mesmo), mas o desenvolvimento e desfecho dado aos adolescentes compensa as dificuldades do percurso. 

Por fim, mesmo com tramas detestáveis, sabemos que o adeus à série está longe de vir. Sabemos também que é perfeitamente possível eu descumprir minha promessa e assistir a sexta temporada, por pura curiosidade e conforto visual. Mas a verdade é que espero, de coração, não escrever mais uma crítica a vocês no ano que vem. Não sobre Elite.