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Assista ao trailer: 3% | Temporada 3 | Trailer oficial [HD] | Netflix
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Com o anúncio de que a primeira série original brasileira vai chegar ao fim em 2020, 3% teve um terceiro ano com melhorias técnicas notáveis, mas um roteiro fraco que não prende. Nessa terceira temporada pouco foi acrescentado na história do casal fundador e uma grande repetição de cenas desnecessárias foi postas em tela.

Depois de um razoável índice de audiência, a Netflix resolveu investir na continuação da série de ficção científica brasileira, e não me entendam mal, mas acredito que foi sim a melhor decisão da empresa. Não por sua qualidade e feitos, mas pela oportunidade que a produção abriu para o gênero em território nacional.

O novo ano de 3% definitivamente veio para provar que nem só de bons orçamentos é feito uma série. Apesar da melhora em sua fotografia e efeitos especiais, as atuações e o roteiro pararam no tempo, fazendo com que os poucos oito episódios se tornassem pequenos infinitos que nunca acabavam ou que não tinham nada de importante a acrescentar.

Essa terceira temporada foi basicamente dividida em duas partes: a introdução da Concha e sua quase derrubada. Esse novo cenário surge como uma alternativa ao Maralto, fornecendo comida e água, dentro do continente. O ambiente foi criado por Michele (Bianca Comparato), que abandonou a ilha dos 3% no fim da segunda temporada após os descobrimentos de uma terceira pessoa no “casal fundador”.  Só que como nem tudo que promete ser bom dura muito, uma tempestade de areia destrói toda a estrutura, o que leva a fundadora a tomar medidas drásticas.

Antes de entrar nesse fato é importante destacar que Fernando (Michel Gomes) teve uma grande parcela de responsabilidade na criação da Concha, mas que nesse novo ano aparece morto. Devo confessar que senti falta do personagem que trazia uma dinâmica diferente a série, além de possibilitar uma interação entre vários outros personagens.

Voltando ao desastre, com a falta de água e comida a concha se vê impossibilitada de acolher todos os seus moradores e Michele tem a “brilhante” ideia de fazer um novo processo dentro da Concha para que um grupo menor reconstruísse o lugar. É muita hipocrisia!

Lógico que as eliminações causam uma revolta entre os que foram postos para fora, entre eles Glória (Cynthia Senek) e Marco (Rafael Lozano), que resolvem liderar uma revolução contra Michele e se aliam ao Maralto para resolver os problemas de abastecimento da Concha. Eu juro que isso me irritou mais que a hipocrisia de realizar um novo Processo, pois só um ingênuo acreditaria nas “boas intenções” daqueles que mantem uma segregação por meio de uma meritocracia fajuta.

Nesse meio, entre tantas cenas desprezíveis, temos uma Joana (Vaneza Oliveira) tentando se encontrar após o desmonte da Causa e o ódio por Michele, mas acabou que a personagem perdeu o brilho e a força por mudar tanto de lado durante os episódios. De insuportável à justiceira, até se aliar aos seus piores “inimigos” ela conseguiu. No final ainda pudemos a ver ganhando um novo amor com a chegada da Natalia (Amanda Magalhães) a série.

Entre todos esses acontecimentos destaco dois: a prova das salas durante a seleção da Concha, em que Michele coloca dois grupos em salas distintas e eles precisam escolher um critério para a eliminação de uma pessoa do outro grupo. Só que no final esse critério vale para o grupo em que estava, fazendo assim o julgamento se virar contra o julgador. Que lição de moral!

O outro ponto, único avançar da história, ficou por conta dos flashbacks do casal fundador, em que eles têm uma filha e são obrigados a mandá-la para o continente. Acontece que a menina não passa no Processo e funda a Causa. Eu fiquei chocada com a falta de humanidade dos dois, mas o que esperar quando eles foram capazes de matar a terceira parte do trio fundador não é mesmo?

Aqui vai agora minha teoria da conspiração: Joana, que nunca conheceu a mãe, deve ter algum vínculo de parentesco com o casal fundador por meio da filha deles. Muito suspeito ter sido logo essa menina que fundou a Causa.

Em meio a uma história que poderia avançar de alguma forma, os roteiristas preferiram focar em uma temporada inteira sobre a tal Concha, não deixando espaço para que as consequências da suspensão do Processo acontecessem ou como ficou o Maralto com a fuga de Michele, Rafael (Rodolfo Valente) e Elisa (Thais Lago). Deixaram todo o desenvolver para a última temporada e que Deus queira que se encerre bem essa trama.