"Está na hora das coisas voltarem ao normal por aqui" - Serena Joy.

Tivemos mais uma semana forte em The Handmaid’s Tale. Com uma abertura forte, talvez a mais bonita que já vi na série, o episódio se iniciou com uma espécie de ritual de despedida ou funeral para todas as Handmaid’s que morreram na explosão da bomba. De início sinceramente achei que nos caixões estivessem todos os (poucos) comandantes que também morreram, mas de fato eram as “companheiras” das mulheres que sobreviveram. Foi muito triste e bonito de assistir.

Logo ficamos sabendo que infelizmente morreram mais Handmaid’s do que comandantes, mas isso não diminui o ato heroico da corajosa Ofglen que não tinha seu nome original conhecido pelas próprias companheiras, mesmo depois de sua morte.

O Comandante sobreviveu, e Serena Joy está mais no papel de esposa preocupada do que nunca. Agora, toda Gilead está sofrendo as consequências do “ataque terrorista” e ficou entendido que todas elas através das ordens do comandante Putnam que está revoltado (aparentemente) com tudo o que aconteceu. A Série continua sem nenhum pudor ao mostrar vários corpos pendurados nas portas das casas, e dessa vez o regime não poupou os homens.

É claro que as mulheres foram as mais prejudicadas, mas agora, a retaliação de Gilead foi diferente, fazendo a própria Serena temer o que poderia acontecer ao seu marido e à sua casa.

O outro plot de episódio, mostrou o passado de Moira e sua decisão de "alugar" seu óvulo para um casal por uma quantia de dinheiro, o que provavelmente se torno comum com todo o problema de fertilidade que o mundo estaria passando. Porém, o que mais me chamou atenção foi quando fomos apresentados ao presente de Moira e a grande diferença entre seu comportamento e de Luke a respeito de June.

A Amiga da handmaid, ainda parece preocupada em ter a amiga de volta e obviamente ainda não superou tudo o que aconteceu em Gilead, já Luke continua sendo o mesmo banana de sempre e nem aceita esperar saber se a mulher está entre os nomes que morreram na explosão. Sinceramente como já disse em outra review, não tô entendendo qual é a função desse cara.

Ainda sobre a explosão, é importante lembrar que Nick havia pedido ao comandante Pryce a sua transferência da casa Waterford, mas agora com ele “enviado a Deus” suas esperanças foram por água abaixo.

A melhor coisa do episódio foi o retorno de Emily e Janine. Com as mortes das Handmaid’s, A República de GIlead ficou com seu “estoque” de mulheres férteis, desfalcado e elas puderam voltar. Óbvio que isso não é de fato uma notícia boa, mas só em saber que agora elas estão próximas a June e seu sentimento de vingança, está tudo bem. Foi realmente emocionante a cena em que as duas amigas se reencontraram e tivemos a segunda melhor cena do episódio.

Fica difícil não pensar que Alexis Bledel (Emily) e Elisabeth Moss (June) não irão sair juntinhas do Emmy mais uma vez com a estatueta nas mãos.

Todas as Handmaid’s durante o momento de compras no mercado, dizendo seus nomes verdadeiros umas às outras. Lembra que eu disse no começo que Ofglen morreu por todas e elas nem sequer sabiam o seu nome? Como uma forma de homenagem, todas as outras finalmente compartilharam, mesmo que baixinho seus nomes e de certa forma suas verdadeiras histórias.

Nessa cena o jogo de câmera mais uma vez foi sensacional e casou com o contexto. Enquanto as mulheres compartilhavam seus nomes, o plano foi se afastando para o alto, mostrando como aquele chapéu branco opressor faz parecer que elas não podem e não têm poder de se comunicar entre si.

E foi sobre isso que o episódio tratou, a sororidade que mesmo em momentos difíceis ainda precisa existir ou ao menos florescer mesmo que de forma tímida. As mulheres, que tanto são postas umas contra as outras, são mais fortes quando estão unidas ainda que em prol de uma causa difícil de se ter um resultado imediato. Handmaid’s nos mostrou essa esperança essa semana.

É Claro que sabemos que com a série já renovada para uma terceira temporada, não é tão cedo que o sofrimento dessas mulheres vai acabar e se vai acabar, mas dessa vez a fagulha de união pareceu a mesma nos olhos de todas as Handmaid’s, na simples revelação de seus nomes. E o roteiro levou muito em conta essa questão dos nomes como uma identificação da história verdadeira de cada mulher que passou por Gilead.

Seja na cena do mercado, seja no momento da identificação das mulheres que morreram na explosão, seja no momento em que Moira descobre que sua possível namorada que a acompanhou no processo da gravidez, foi morta e fotografada também para sua identificação.

O nome próprio como reconhecimento de uma luta pessoal ainda é uma questão muito grande atualmente e a série conseguiu falar sobre esse tema muito bem, mesmo que de certa forma indiretamente. Na verdade, eu até acho mais legal quando isso acontece, o texto subentendido é muito mais legal de se aproveitar do que quando eles simplesmente jogam a problemática na nossa cara – o que em certos temas é necessário.

Handmaid’s apresentou mais um episódio pesado, com um roteiro dinâmico e nem um pouco cansativo como há algumas semanas (mesmo tendo sido proposital). O que nos resta agora é esperar o que essa reta final nos aguarda.

Highlights:

  • Não sei se eu estou louco de pensar isso, mas parece que Serena está nutrindo uma espécie de sentimento contra Gilead. Foi o que me pareceu quando ela deu nas mãos de June, uma caneta para editar o texto das novas normas de Gilead, que para ela “Precisa voltar ao normal”.
  • Gente, cadê a barriga da June nesse episódio??
  • Tia Lydia mostra cada vez mais em suas expressões o quanto ela sofre juntinha das Handmaid’s. Li em alguma teoria por aí, que ela seria uma “traidora do gênero” antes de Gilead e que passou por um processo de lavagem cerebral para se tornar uma guardiã da República.
  • Eden parece cada vez mais assustadora. E eu amei a June revirando os olhos nas costas dela.