Após tanto tempo vendo American Horror Story, já deu pra perceber que nem sempre os finais de temporadas são os episódios mais aguardados, a narrativa de Ryan Murphy sempre se deu bem quando em um episódio várias demônios eram exorcizados de uma vez só e acredito não precisar dizer que nesse caso, estamos falando de demônios literais...

Return to Murder House foi um verdadeiro desfile de alegorias que representam e exaltam a própria história da série. Mesmo que o crossover tivesse de fato começado nos episódios que já havíamos visto antes, dessa vez, as referências ultrapassaram as simples aparições de personagens amados, mesmo que em alguns momentos nesse mesmo episódio esse recurso tenha sido usado; ao que parece, estamos rente ao crescimento contínuo de uma narrativa que até agora, só evoluiu.

Indo aos acontecimentos do episódio, devo dizer que foi muito bom ter tido Madison como a grande representação dos fãs, chegando a Murder House e reapresentando todo esse universo que nos cativou lá em 2011. Não demorou muito e com a ajuda de Behold – que teve uma ótima química com Madison – a bruxa invocou todos os malditos 36 espíritos e mais alguns que viviam na Murder House, justamente para iniciar sua missão de investigar o passado de Michael Langdon.

Os espíritos começaram a dar sinal de vida, logo vimos Beaul, Violet super gótica fumando e Tate, em mais uma consulta com o Mr. Harmon, reclamando sobre o fato de sua amada não aceita-lo. Foi legal ver que Harmon ao que parece manteve sua sanidade, mesmo que ainda se masturbe cronicamente enquanto chora olhando para a janela, exatamente como a cena icônica da primeira temporada, só fiquei me perguntando porque ele não continuou fazendo isso pelado.

Indo direto ao ponto, depois de tantas aparições inclusive de Billie Dean Howard, que por um momento pareceu Cordelia com todo aquele cabelo loiro, mas isso serviu pra nos contar que a vidente ainda está viva e é uma das poucas que os espíritos deixam entrar e sair daquela casa.

Sem mais delongas, eis que o retorno de Jessica Lange como Constance Langdon não poderia ser mais legal e fã-service possível, e isso jamais será uma reclamação. A frase de retorno da personagem foi tão emblemática que pareceu a própria Lange falando a Emma Roberts, que também é uma das principais musas da titia Ryan Murphy, que não só a Murder House é dela e sim a porra da série toda.

Voltando a cronologia do episódio, a avó do anticristo aceitou explicar sobre Langdon, mas com uma condição, que Moira e seu espírito fossem expulsos daquela casa para sempre, o que rendeu o primeiro momento bonitinho do episódio com a eterna rival de Constance sendo liberta da Murder House e indo descansar em paz com sua mãe.

Costance então contou o que já sabíamos, Michael sempre foi um netinho diferente, desde muito criança gostava de matar. Começou pelos insetos, passou pelos pequenos animais e sua própria babá, como já tínhamos visto lá no final da primeira temporada. Em um belo dia, Michael envelheceu e se tornou adolescente instantaneamente. O seu crescimento claramente não poderia ser normal e Constance de fato constatou que ele não poderia ser uma simples assassino em série. Em uma noite, Michael tentou estrangular a própria avó, mas conseguiu parar, o que não aconteceu quando um padre foi visita-lo. Mesmo que Constance estivesse acostumada em “criar monstros”, não poderia lidar com aquilo. A Murder House a acolheu quando decidiu pôr fim a sua própria vida para criar seus verdadeiros monstros, que ali ficaram presos para sempre.

O mesmo instinto que a fez criar Michael, a fez querer viver naquela casa para sempre, sendo mãe, mesmo depois da morte.

Michael acabou achando o corpo de sua avó e foi amparado pelo fantasma de Harmon, que o acolheu e tentou dar sentido a sua vida, vendo que ele realmente tinha um grande potencial o ajudou, mas no fim, percebeu que a maldade era muito maior que qualquer coisa.

Vivien Harmon então acaba contando que a partir do abandono de seu marido, Michael começou a ter seguidores para poder expandir sua maldade, quando três integrantes de uma seita chamada “Igreja do Satanás” chegaram a Murder House, dentre eles estava o que seria equivalente ao papa dessa religião e ela mesma, a Mead.

Michael passa pelo seu primeiro ritual ao comer um coração retirado de uma mulher viva e sua força acabou se revelando em uma cena assustadora em que a poc satânica invoca seu verdadeiro pai que apareceu por meio de uma sombra escura. Vendo o perigo, Vivien acabou tentando matar seu próprio filho mas foi impedida por ele mesmo, quase tendo sua alma exterminada para sempre e sem nenhuma chance de salvação. Por sorte e também pelo velho fã-service, Tate mostra seu lado bom e salva a mãe de Violet.

Entendendo a gravidade do que está por vir, Madison decide ir embora mas antes, ao ouvir o espírito triste de Violet chorando e fumando loucamente, decide intervir e fazer a tumblr girl entender que Tate não é tão mal quanto parece, e literalmente sopra o pó de pirlimpimpim, fazendo Violet compreender tudo e perdoar seu eterno amor gótico das trevas. Os dois acabam então ficando juntos e os fãs agradecem depois de tanto tempo de dúvidas e sofrimento.

Esse foi mais um episódio que mostrou o quanto essa ideia de crossover está se provando como a coisa mais divertida que a gente não via faz tempo.

 Agora resta saber se vamos continuar tão bem ou se todo esse circo serviu apenas para culminar nesse ótimos últimos episódios. Dá pra ver claramente que o território está bem preparado e mesmo com todas as loucuras e aquela velha forçada no roteiro, Apocalypse está cumprindo seu papel de agradar os fãs e não tem vergonha de assumir isso.