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Assista ao trailer: American Horror Story: Apocalypse - Season 8 Official Trailer (2018) | FX
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Descobrir que a oitava temporada de American Horror Story seria um crossover de cada um dos dois anos mais populares das série – Murder House e Coven -  foi, talvez, o ato mais esperado pelo verdadeiro fã da antologia. Sabíamos todos os cliffhangers deixados para trás e principalmente aqueles que mereciam uma boa resposta, apesar de que com as últimas temporadas, isso parecia cada vez mais difícil.

Depois de tanta especulação sobre quais personagens retornariam e principalmente, quais retornariam, chegamos ao Apocalypse, o novo tema já era bastante esperado e mesmo que outro título tivesse chegado aos nossos ouvidos Oi Radioactive nosso lado CSI ainda assim provou-se útil, pois a forma como o fim do mundo foi abordado nesse primeiro episódio tudo tem a ver com o possível título descartado.

Fomos apresentados a um episódio que pareceu um pouco bagunçado de início, com a revelação direta e muito rápida de que o mundo como conhecemos está chegando ao fim e que isso será logo. Alguns personagens até chegam a ser apresentados, porém não deu pra interpretar muita coisa – ao menos não nesse primeiro momento.

Apesar da velocidade com que essa primeira parte do enredo foi apresentada, já deu pra relacionar e principalmente identificar a estética das produções de Ryan Murphy e da própria American Horror Story, que depois de oito longos anos, já pode-se dizer que possui uma linguagem própria. As referências e alfinetadas à figuras da cultura pop e da política conectadas ao enredo já nos fizeram lembrar do humor negro que sempre foi muito característico da série.

As críticas a nossa cultura atual também retornam, dessa vez sobre como o mundo do digital influencer pode ser falso e montado para a criação de uma vida que não existe fora das câmeras dos celulares. Tudo isso e provavelmente muito mais, na figura de Leslie Grossman como a fútil, Coco St. Pierre Vanderbilt, uma socialite que vive do dinheiro da família e aparentemente cria uma visão ilusória de tentativa de independência, ainda que os caminhos para essa, envolvam a ida ao cabelereiro de confiança com tratamento de uma rainha, tudo isso custeado pelo pai.

Falando em cabelereiro, precisamos falar que Evan Peters incorporou a sua namorada (Emma Roberts) e está incrível como uma poc perfect na pele de Mr. Gallant, agora com mais veneno do que nunca. Lembrando que o ator irá voltar a interpretar Tate Langdon – seu primeiro e mais memorável personagem da série – mas como chegaremos a isso, ninguém sabe.

Sarah Paulson mais uma vez nos dá o ar de sua graça com Wilhemina Valable, uma personagem que parece pesada e maléfica, mas apesar do talento incrível da atriz, o universo que foi construído para esse ano a sua volta, não torna o personagem tão memorável ou diferente do que já foi apresentado na série.

Todo o ambiente pós-apocaliptico que é apresentado após a introdução do primeiro segmento que mostra uma bomba nuclear chegando a Los Angeles é construído para o espectador sob o olhar severo do personagem de Paulson e também de alguns acontecimentos que seriam chocantes para qualquer outra série, mas já tivemos coisas piores em outros anos, e o que acontece, apesar de ser algo pesado é facilmente previsível e nada impressionante, para falar a verdade.

Temos um clima todo dark e sem cores muito chamativas além do filtro laranja que está presente mesmo nas cenas dentro do “Posto 3” – uma espécie de refúgio da radiação construído por uma “Cooperativa” onde antes era uma escola para garotos e a partir daí já temos a desculpa para a aparição de futuros fantasmas.

Com esse primeiro episódio, já se inicia o “processo” de união entre as temporadas com a chegada do “anticristo”, na figura de um crescido Michael Langdon, o filho de Tate e Vivien Harmon (Connie Britton). Não dá pra imaginar quais serão as possíveis conexões entre todos esses personagens e se suas participações realmente irão ser interessantes no desenrolar desse ano. Já era um pouco óbvio que com a promessa de retorno de tantos rostos conhecidos, tudo poderia acabar se transformando em uma grande bagunça sem nenhum nexo ou propósito específico, além de agradar os fãs mais saudosos pelas primeiras temporadas.

 No entanto, a iniciativa ainda tem muitas chances de trazer bons frutos com um tema interessante como o Apocalypse, que já foi tantas vezes citado em teorias sobre a história da série como uma grande referência à onde tudo começou. Porém, se os fãs esperavam um retorno para aquela atmosfera da jovem e trevosa American Horror Story lá de 2011 ou 2013 com Coven e seu maravilhoso figurino, parece que não foi bem assim que as coisas se encaminharam, não ao que vimos até aqui.

Isso pode não significar algo negativo, trazer antigos personagens de volta pode não parecer tão bom assim para o amadurecimento da série, mas se esse retorno for bem aproveitado em cima das complexas personalidades de cada personagem, que, diga-se de passagem é um dos pontos fortes das produções de Ryan, com tudo isso conectado a um roteiro interessante, quem sabe?