Depois de todo o alvoroço do episódio passado, era provável que essa semana fosse mais calma. De fato o que Apocalypse nos trouxe dessa vez foi um interessante recheio de narrativa, que talvez revele um filler mas que não exatamente deixou de nos servir o sabor de algumas respostas, mesmo que algumas delas já fossem bem óbvias...

Como já havia sido anunciado na série no episódio 8x04, “Could it Be... Satan?” e na promo do 8x07, “Traitor”, Dinah Stevens de fato é uma bruxa da linhagem vodu, sim, a mesma de Marie Queen Laveau. Com toda uma vibe Coven, que pra falar a verdade tá tomando conta desse crossover muito mais que Murder House, Dinah foi apresentada de fato como a Queen Vodu substituta de Laveou e super poderosa, usando toda a sua magia em troca de dinheiro de mulheres ricas, tirando o coração das amantes de seus maridos ao invés de culpa-los.

Sororidade? Aqui não.

Cordelia acaba indo procurá-la em busca de ajuda ao perigo que Michael e o futuro representam. É através dessa desculpa que temos o retorno dele mesmo, o Papa Legba, que até hoje me mata de medo com aqueles olhos vermelhos e o jeito de falar. A nossa Supreme pede que Legba abra o portal do submundo para atraí-lo para dentro, porém, é claro que isso não ficaria barato e o demônio vodu, ao não se contentar com a alma de Nan que foi revelada como uma ótima escudeira e fazendo a gente matar as saudades, diz que vai precisar de TODAS as almas das meninas de Cordelia que claramente nega, oferecendo a sua própria em uma atitude nem um pouco esperada...

Pra falar a verdade, toda essa bondade nos olhos de Cordelia não me faz realmente levar a sério todo o seu papel de suprema dentro do clã. É claro que existe toda uma empatia pela personagem, mas toda essa benevolência a lá Jesus Cristo fica um pouco chata e não combina tanto com o espírito da série e do próprio Coven. Acho que falta um pouco de Fiona e até mesmo Madison em Cordelia. A bitch que já voltou da morte três vezes, vem funcionando muito mais como uma liderança consciente que está mostrando seu lado bonzinho dentro do clã e ainda assim não perdendo seu humor negro que sempre foi característico da personagem.

Dessa vez, a atriz foi procurar Bubble McGee, que traz de volta a diva Joan Collins por meio de uma ótima versão de filme de terror com “A Christmas To Dismember”, a atriz que curiosamente também é uma bruxa, é recrutada por Madison para fortalecer o Coven contra os Warlocks. McGee que fazia parte do Coven, é amiga de Myrtle desde a adolescência e possui o poder de “enxergar a alma dos outros” o que é muito bem traduzido por Madison como “Então a vadia lê mentes?”.

Myrtle e Bubble vão até a academia dos Warlocks e por meio de um jantar armadilha e da habilidade especial da bruxa atriz, acabam descobrindo as verdadeiras intenções de Ariel e Baldwin por traz dos sorrisos e felicitações.

Na Miss Robinchau’x Academy, que continua com uma péssima ambientação no que diz respeito a representação de uma escola de bruxas MUNDIALMENTE reconhecida mas que sempre parece vazia, Coco parece ter descoberto mais um super poder, agora a bruxa boring também consegue detectar as calorias dos alimentos, mas quando tenta ingerir uma snowball acaba engasgando e morrendo. Mallory acaba mostrando mais uma vez o tamanho de seu poder e consegue salvá-la.

Zoe, que até agora não fez nada, vai até Cordelia e conta o que todo mundo já desconfiava: Mallory provavelmente é a nova suprema e na verdade é por isso que Cordelia estaria enfraquecendo e não por causa de Michael.

Ao fazer um jantar de celebração pela possível descoberta da nova suprema, Cordelia conta finalmente como Myrtle voltou a vida, e isso serviu apenas como um fã-service que encheu a linguiça desse divertido filler. A bruxa balenciaga voltou a vida porque a suprema do coven estava temendo o que poderia acontecer e precisava de uma direção sobre o que fazer. Após a celebração, as bruxas se reúnem e com a ordem de Cordelia, decidem o primeiro passo de seu plano.

John Henry é trazido de volta a vida pelas bruxas e finalmente explica porque o nome do Cheyenne Jackson estava na abertura, me fazendo também perder as contas de quantas pessoas já morreram e voltaram só nessa temporada, fica sabendo que seus próprios aliados sabiam de tudo e conta quem o matou. Mead é capturada e eu realmente não entendi qual a importância Coco teve nesse plano todo a não ser ficar fazendo piada sem graça como alívio cômico da cena.

No fim do episódio, Cordelia retorna a academia dos Warlocks e flagra Ariel e Baldwin tramando exterminar todas as bruxas do coven por meio de um pó mágico que foi criado por uma própria para acabar com homens lá em 1590, mas teve o gênero do efeito trocado para acabar apenas com mulheres pelos próprios Warlocks. A Suprema mostra finalmente que não é tão benevolente assim e leva, Mead, Ariel e Baldwin para a nossa já conhecida fogueira. É nesse momento que o “Traitor” do título se revela através do motivo das mortes.

Para falar a verdade eu não dava tanto por esse episódio, no fim, parece que estava enganado e o que parecia um super filler se mostrou como um pequeno golpe de roteiro de meio de temporada, quando a narrativa se arrasta um pouco, que conseguiu prender a atenção mesmo com algumas revelações óbvias. O final decepcionou um pouco, pois a morte em American Horror Story: Apocalypse não é mais um recurso que choca, por isso, não há clímax aqui.

HIGHLIGHTS:

1 - O que você acha de um suquinho de coração humano no liquidificador? É uma das especialidades das bruxas vodu!

2 - O retorno de Nan poderia ter sido mais aproveitado

3 - Gente, sério... O que porra a Taisa Farmiga tá fazendo?

4 - Depois daquela conversinha com o Papa Legba, tá ficando meio sugestivo que Cordelia acabou ou vai acabar fazendo algum acordo envolvendo sua própria alma...

5 - Alguém demite a equipe de efeitos especiais?