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Assista ao trailer: The Crown - Temporada 3 | Trailer oficial | Netflix
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A monarquia é sempre um assunto interessante de ser tratado nos audiovisuais. Apesar da grande diversidade de narrativas sobre os reis e rainhas (sejam ficcionais ou não), The Crown consegue um lugar de muito destaque no mundo. Muitos dizem que essa façanha se dá por puro marketing da Netflix, outros atribuem pela qualidade da produção. O real é que a mistura dos dois transforma o produto em único e interessante.

O terceiro ano da série demorou um pouco mais que os outros para chegar até o público. É que a história da rainha Elizabeth II percalça todo o seu reinado e, desde sua concepção, ficou acordado que a série mudaria de atores ao decorrer que os personagens envelhecessem.

Ponto que deu origem a muito receio, mas que quando vimos o resultado se apresentou de maneira primorosa. Claire Foy fez um trabalho maravilhoso que não queríamos que deixasse, porém, Olivia Colman continuou com a elegância e frieza de uma rainha intrigante.

A fotografia continua impecável, como um dos trabalhos mais bem feitos que o canal de streaming já entregou, que junto à trilha sonora delicada, se combinam e dão tom as cenas. Nessa temporada em especial, com músicas mais conhecidas do grande público e clássicos do rock.

Mas de fato são as atuações e o roteiro que chama a atenção nesta terceira temporada. Todos os atores compõem muito bem e transmitem sentimentos que parece que era exatamente assim que a verdadeira família real se comportava. Cada episódio traz uma sessão de descobertas e para os que não conhecem cada detalhe sobre os componentes que vivem entre os palácios, se vê desesperado para ler sobre.

E claro, precisamos ressaltar que tudo é baseado em acontecimentos reais. E sabendo que aquilo aconteceu é inevitável não pensar se os verdadeiros personagens agiram exatamente daquela forma, falaram naquele tom ou fizeram aquelas caras. Um verdadeiro entretenimento que só vemos igual nos livros, quando imaginamos como a cena aconteceu.

Um dos maiores destaques desta temporada está nas personas do Príncipe Charles (Josh O’Connor) e a Princesa Anne (Erin Doherty). Que contribuição e acerto! A princesa sempre astuta e respondona não se intimidava na presença de ninguém e roubou a cena em muitos episódios. O príncipe teve seu devido destaque ao contar todo o seu sofrimento dentro da família que não o apoiava nem o compreendia.

Toda a trajetória de Charles em largar a faculdade que se sentia bem, passar meses no país de Gales para sua investidura como herdeiro do trono e seu relacionamento com Camila Parker foi tratado de forma muito contundente e precisa. Os diálogos, as frases de efeito e até o silêncio que mostrava o quanto de dor aquele pobre rapaz carregava consigo foi trabalhado de uma forma que podia ser até mesmo palpável e de gerar muita pena.

A história envolvendo o próximo herdeiro ao trono da Inglaterra deve ganhar ainda mais respaldo na próxima temporada com a chegada da tão esperada Lady Diana. A introdução da personagem deve gerar ainda mais interesse na série no próximo ano, aumentando sua audiência.

Um contraponto interessante é a de que sua narrativa é construída em um ritmo lento. Não há espaço para grandes reviravoltas, trocas de cenas ou inclusão de muitos plots. Por nada ser criado do nada e respeitar a linha de acontecimentos, a sensação de ser parada ou repetitiva pode circundar a série, mas tá longe de ser um problema. Na realidade é um dos diferenciais de The Crown.

Apesar de todos os seus dez episódios trazerem histórias interessantes, dois ganham grande destaque. O segundo episódio traz a espevitada Princesa Margaret (Helena Bohman Carter) em uma viagem até o Estados Unidos, onde ela faz um favor a Rainha e se sobressaí em um jantar com o Presidente Johnson. Com o jeitinho desbocado da irmã da rainha, a princesa conquista Johnson e consegue que a relação entre os dois países siga intacta.

O outro fica por conta terceiro episódio que traz a história da tragédia de Aberfan, um vilarejo em Gales que foi soterrado por um deslizamento de uma barreira de carvão. O episódio é o mais emocionante de toda a série e mostra como o acontecimento se tornou o maior arrependimento da Rainha durante todo o seu reinado.

Assim, The Crown segue se estabelecendo de maneira primorosa em contar os acontecimentos que percorreram (e percorrem) a trajetória da atual monarca. Cada passo contado em sua narrativa nos aproxima da família mais intrigante da história. Talvez por ser cercada de protocolos e muros fechados, a familiaridade com que a série conta a história nos deixe mais a vontade e prontos para saber ainda mais sobre cada integrante.