É bem provável que você já tenha assistido ou pelo menos ouvido falar de Eu Nunca… (Never Have I Ever), uma serie teen da Netflix. Criada por Lang Fisher e Mindy Kaling (The Office), a série que acaba de ganhar segunda temporada, foca na vida da adolescente Devi e sua busca por subir na pirâmide social depois de um primeiro ano difícil no colégio

Chegando em sua segunda temporada, a série ainda consegue o feito de se superar, trazendo ainda mais temas para serem discutidos enquanto Devi (Maitreyi Ramakrishnan) vai tomando decisões cada vez mais questionáveis e caóticas, recheando o humor com momentos absurdos de vergonha-alheia.

Trama

Durante a primeira temporada, vimos toda uma formação do triangulo amoroso entre Devi, Ben (Jaren Lewison) o nerd fofo, e Paxton (Darren Barnet) o garoto mais popular do colégio. Quanto a sinopse da segunda temporada saiu, e revelou que na duvida da adolesceste entre os dois rapazes, ela resolveu engatar um romance com ambos, o receio tomou conta.

Não é a primeira vez que um serie se acomoda no básico e faz as temporadas seguinte serem arrastadas e desgostosas de assistir, fiquei preocupada de que “Eu Nunca” seguisse o mesmo. Mas de fato não foi isso que aconteceu.

Todo o lance de namorar dois ao mesmo tempo, obviamente não teria como dar certo, e sendo bastante realista a trama se incumbiu de fazer ambos garotos descobrirem e os dois terminassem com ela. Algo que trouxe bastante proposito serie, não só pela Dave, mas também outros personagens.

Analise

Com todos os conflitos pertinentes, a série explora muito bem os arcos de cada personagem dando a eles um início, meio e fim bem redondinhos. A série aborda temas como anorexia, relacionamento abusivo e a dificuldade em seguir a vida após o luto. No entanto, todos os personagens da série têm suas próprias batalhas e questionamentos.

Devi ainda está lutando com a perda repentina de seu pai. E apesar do acompanhamento com a psicóloga, ela ainda é uma adolescente com bagagem emocional, hormônios em fúria. Ela também ainda se envolve em um comportamento impulsivo e prejudicial.

Paxton agora deixa de ser somente o rostinho e corpinho bonito e começa toda uma jornada para entrar na universidade, mesmo que seja sem a bolsa de atleta. Vemos ele realmente se empenhar por algo, descobrindo que nem sempre tudo é fácil.

Temos também Eleonor (Ramona Young)tentando superar tem uma mágoa do passado em relação a sua mãe, reconhecendo o valor de seu pai que sempre a apoia, e também vemos da trama dela as nuances de relacionamentos abusivos, o que é algo extremamente necessário, pois os abusos podem ser além do físico, como emocional e psicológicos.

Outro ponto extremamente necessário é o arco da Nalini (Poorna Jagannathan), Mãe de Dave, que ainda está tentando superar o luto, tentando educar uma filha adolescente, não tendo o apoio dos pais e no meio disso tudo a solidão de ser ver sozinha frente aos problemas

Nesta temporada vemos Kamala (Richa Moorjani) sendo levada para um novo conflito, o machismo, fora a Moça tem que lidar cm um laboratório cheio de homens que não a enxerga como profissional, além de descreditar as suas conquistas, nesse aspecto a moça realmente educada segundo as tradições indianas, não consegue ter a voz ativa de dar um basta naquela situação.

Vale ressaltar que é impressionante como a serie consegue abordar tantos assuntos em apenas 10 episódios de 30 minutos cada. Outro ponto de ressalva é para o timing do humor e como o elenco inteiro consegue se adaptar a uma comédia inspirada em séries sitcom clássicas, como The Office, cheia de situações absurdas e muito non-sense.

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Considerações finais

Eu Nunca… é no geral uma série muito divertida, com personagens bastante carismáticos e uma trama interessante, que vai te prender já nos primeiros episódios. São muitos os acertos do time por de trás desta produção original Netflix.

Dos menores detalhes, até os elementos essenciais para fazer desta narrativa teen, algo que abrace e convença o espectador de que aquilo sendo assistido, mesmo que elevado a uma potência mais cômica, pareça algo orgânico, real.

Este é o segredo para que uma boa comédia dramática funcione: perceber que ambos os valores narrativos contrapostos são somatórios, e não alternados entre si.