"Você não pode me queimar, não pode me balear e, definitivamente, não pode me quebrar. Quer me testar? Pode vir". - Luke Cage.

O segundo ano da série do herói do Harlem traz uma honestidade no caminho que quer seguir. Se na primeira temporada a trama fica meio perdida entre o humor e o lado mais sombrio, o novo ano parece mais confiante, mantendo uma linha homogênea em seu tom. Com momentos onde o humor é simples e sincero e outros onde a escuridão e todo o lado sombrio dos crimes se sobressaem dando um peso para a história, finalmente encontramos um Luke Cage de respeito. 

Repetindo a dose do ano anterior, agora temos novamente um vilão carismático e muito bem interpretado. O Bushmaster apresenta uma construção de personalidade muito exemplar e se pudermos comparar, permita-me comparar à Thanos. Isso significa que temos um personagem que está dado claramente como antagonista e vilão, e que ao mesmo tempo temos a justificativa comprovando sua motivação e tirando totalmente o clichê de ser um vilão por ser. A Marvel vem aprendendo a elaborar seus antagonistas e temos mais um vilão para a galeria dos que merecem ser valorizados. Loki e Hela para Thor, Thanos para os Vingadores, Killgrave para Jessica Jones, Killmonger para o Pantera Negra, Wilson Fisk para o Demolidor, e agora, Bushmaster para Luke Cage. 

Bushmaster

Bushmaster ajuda Luke a fazer a série andar. Ele provoca as reflexões morais e sociais, tal como Killmonger lá em Pantera Negra. Forte como Luke, Bushmaster tira sua força de um esteróide natural cujo principal componente é uma erva africana chamada Nightshade. Assim, ele ganha super-força e um certo grau de invulnerabilidadem algo que, aliado ao seu domínio de artes marciais, o tornam um perigoso e formidável inimigo para Luke, chegando a desestabilizar o herói.

 

Na primeira temporada tínhamos um Luke Cage reservado, que negava seus poderes e o que poderia fazer. Agora ele está no topo da montanha. Se sente como um verdadeiro rei do Harlem. É admirado e temido, consegue manter a ordem e até a polícia aprendeu a "tolerar" seu método de trabalho. Bushmaster chega para reconquistar seu reino por direito - o Harlem - e Mariah é seu único alvo. A vereadora criminosa carrega o legado sujo da familia Stokes, e no conflito interno de descobrir quem ela realmente é, se é uma Stokes ou Dillard, Mariah encontra em Shades um forte aliado para elevar seu império e dominação.

James Lucas, o pai de Luke Cage, chega no Harlem. Interpretado brilhamente por Reg E. Cathey, em seu último trabalho; o ator faleceu em fevereiro desse ano, o personagem dá a abertura para conhecermos o lado mais humano e frágil de Luke. O lado que luta sem parar com as mágoas do passado e todo o sentimento vindo da relação com seus pais. Inclusive, um dos melhores momentos da temporada, é uma sequência que constrasta as cenas de Luke com seu pai e Bushmaster com Mariah, fazendo uma ponte entre perdão e vingança, conectando o herói e o vilão. 

O lado familiar fala mais alto nessa temporada. Temos Bushmaster e as questões familiares que o ligam diretamente à Mariah e os Stokes, apresentando também Tilda, a filha da vereadora, em uma relação complicada e tensa cheia de rancor e mentiras. Temos a querida Claire e todos os seus dilemas quanto aos métodos de agir de Luke e se são realmente uma família ou não. 

Como na primeira temporada, a parte musical da série é exemplar. As bandas de jazz, blues e reggae que se apresentam no Harlems Paradise ditam o tom musical das sequências e as letras conversam e agregam com a temática de cada cena. James Gunn aprova ;)

Além de tudo, temos muitas referências. Das armas Hammer aos heróis de Aluguel. Danny Rand e Coleen fazem uma participação importante para o crescimento de Luke Cage e Misty Knight. O espírito - não literalmente - de Pop trazem para o Harlem um sentimento de que ainda há esperança. Shades também cresce enquanto personagem e conhecemos um pouco mais do gangster que agora possui uma relação... caliente com Mariah.

Falando na detetive Misty, ela agora divide o protagonismo com Luke. Como nos quadinhos, ela possui um braço mecânico feito pelas empresas Rand. Ela e Luke enfrentam pesadelos similares relacionados a linha moral que devem seguir. O que é certo e o que é errado? As lembranças de Scarfe são muito presentes em Misty e ela quase perde a linha. 

Ou seja, O segundo ano de Luke Cage consegue ser melhor, muito melhor, do que a temporada anterior, e evolui todos os persoangens de forma primorosa. Temos reviravoltas chocantes e pessoas que se juntam para deter um inimigo comum. Lá pelo episódio 9 temos a face real de quem é o verdadeiro "demônio" do Harlem e de Luke e o bicho pega! 

Claro, nada é perfeito, há alguns erros bobos que se repetem, mas vamos falar de coisa boa, porque de pessoas para criticar um trabalho sem conseguir enxergar os seus pontos positivos o mundo tá cheio.

E aí, Bora Assistir, Luke Cage?