Todos temos um super-herói dentro de nós, só é preciso um pouco de magia para que ele ganhe vida. No caso de Billy Batson (Asher Angel), basta gritar a palavra SHAZAM! para que o jovem de 14 anos se transforme no super-herói adulto Shazam (Zachary Levi), cortesia de um antigo mago.

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Após fim da trilogia de Christopher Nolan, a Warner/DC viu uma oportunidade de começar seu próprio universo compartilhado. Foi então, que O Homem de Aço deu o pontapé desse tal universo. Trazendo o mesmo sistema de Nolan para contar uma história de herói, o filme, dirigido por Zack Snyder, teve uma boa bilheteria e críticas mistas. Isso foi o bastante para a Warner continuar com o projeto e apostar em uma de suas produções mais ambiciosas. Batman vs Superman: A Origem da Justiça trazia o confronto dos dois maiores da Terra e Ben Afleck como o novo Homem-Morcego. Mesmo com essa grande proposta, o longa não impediu que crítica e o público o detonasse. Então, o estúdio mexeu no seu outro trabalho, Esquadrão Suicida, o que fez piorar as coisas. Mulher-Maravilha ainda conseguiu deixar a DC respirar um pouco. 

Mas a bomba só foi explodir no lançamento de seu primeiro filme de equipe, Liga da Justiça. Em meio a produção, tivemos a notícia que Snyder estava fora do cargo de diretor e que Joss Whedon, conhecido por dirigir Vingadores, iria ser o seu substituto. Ao estrear, o longa foi uma decepção e mal chegou a atingir a bilheteria esperada. A DC passava vexame nos cinemas e olhava sua rival decolar em sua frente. Restava apenas ver o resultado de Aquaman e Shazam!, as últimas esperanças da Warner Bros..

O Rei dos Mares foi a maior surpresa de 2018. Ele deixava a ideia de um universo compartilhado e o tom sombrio e realista eram deixados de lado, trazendo apenas uma história de aventura ótima e colorida. Mas ainda faltava fazer uma coisa: esquecer todo o legado de Zack Snyder. Por mais que Aquaman e a Princesa Amazona tivessem conseguido se sair bem nas telas, eles ainda possuíam alguns vestígios do diretor.

E foi isso que Shazam! fez, ele abandonou tudo que a DC construiu em 2013 e abriu as portas para um novo começo.

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Ao ser anunciado, a ideia de levar herói para os cinemas não foi muito bem aceita pelo público, afinal a Warner Bros. possui o direito de outros personagens maiores. Mas pense um pouco, tudo começou com os gigantes Batman e Superman. Já agora, Afleck abandonou o papel do Cavaleiro das Trevas e não existe nenhuma confirmação se Henry Cavil vai pendurar a capa do Kryptoniano.

Desde os trailers, vimos que a proposta do filme era ir por um lado mais cômico e não se levar a sério, era nítido que iriamos  presenciar uma assumida Sessão da Tarde. Quando veio ao Brasil no ano passado, vimos que Zachary Levi era escolha perfeita para viver o herói. O ator transmitia o seu carisma e mostrava a sua felicidade de estar participando do projeto, isso tudo pode ser visto na sua química com Asher Angel. Mesmo sendo muito brincalhão, Levi consegue fazer a gente acreditar que, em meio a tanto músculo, a personalidade do ator mirim, mostrada no começo, ainda está lá. Outro que ganha bastante destaque é Freddy Freeman (Jack Dylan Grazer), irmão adotivo de Billy. Ele é como se fosse os fãs de quadrinhos. Usando acessórios, sabendo de tudo que se passa no mundo dos super heróis e trazendo algumas referências divertidas. Você não sabe se gosta mais do protagonista ou de Freddy.

Os outros integrantes da família, Mary Bromfield (Grace Fulton), Eugene Choi (Ian Chen), Darla Dudley (Faithe Herman), Pedro Peña (Jovan Armand), Rosa (Marta Milans) e Victor Vasquez (Cooper Andrews), tornam o lar ainda mais divertido, humorado e acolhedor. Mark Strong interpreta aquele típico vilão caricato, que até podia ser mais uma versão jogada no lixo, mas Strong entende que seu personagem não vai ser um grande vilão e evita qualquer tipo de atuação séria, fazendo ele até ficar interessante na trama e resultando em uma boa interação com seu rival.    

O roteiro de Henry Gayden sabe que o seu enredo é muito parecido com Quero Ser Grande, estrelado por Tom Hanks, que até rola uma breve referência ao filme. A história é super básica, cujo o único objetivo é entender o significado da família e o que é ser um herói. Não me surpreenderia se alguém falasse "com grandes poderes, vem grandes responsabilidades". O diretor, David F. Sandberg, nem se deu ao trabalho de criar cenas de ação memoráveis. São apenas lutas leves e rápidas, que não faz o cenário ficar todo destruído e com cara de um pós-apocalipse. Sandberg nem tem vergonha de mostrar que os atores estão utilizando uma corda para voar, evitando que os personagens, em cena, parecem bonecos feitos no computador.

Enfim, gostaria de agradecer a Warner/DC por finalmente ter aprendido com seus erros, ao deixar seus diretores trabalharem melhor no projeto e querer contar a história que seu personagem precisa, e não fazer ser tudo com mesmo tom.

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