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Assista ao trailer: A Cinco Passos de Você | Trailer Legendado
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Filmes que tem o propósito de emocionar sempre causam rebuliços entre as críticas, principalmente por serem acusados de terem roteiros “iguais” e sem grandes atrativos. Não ter diferenciais talvez tenha sido o diferencial de A Cinco Passos de Você, filme que veio na sombra de A Culpa É das Estrelas, mas surpreendeu bem mais que a adaptação do best seller de John Green.

Confesso que esse romance me ganhou desde o trailer com a historinha fofa de amor impossível. E durante o filme isso só comprovou mais ainda o meu sentimento. Doenças foram feitas para fazer com que a gente aprenda com elas. Pode ser na pele ou vendo o outro passar por uma situação difícil, querendo ou não repensamos a vida vendo esse tipo de cena.

E nada melhor que trazer esse objetivo em forma de jovens de 17 anos. Eles estão ali, começando a vida, cheio de fogo e vida, mas vivem em um hospital, sozinhos e sem poder se tocar. É inevitável não pensar em injustiças sabendo que eles estavam ali esperançosos em sair por aquelas portas e serem felizes.

Dentro de suas limitações, no entanto, existem sorrisos e amizades verdadeiras. Stella (Haley Lu Ricardson) é uma garota que quem vê de fora nunca iria acreditar que ela passou a vida se preparando para morrer. Temos que admirar alguém que tem a coragem de gravar vídeos contando sobre uma doença terminal com um bom humor que eu em perfeitas condições de saúde (e certos privilégios) não tenho.

A protagonista faz amizade facilmente e cultiva bons relacionamentos no hospital, como com a enfermeira Barb (Kimberly Hebert) e o também doente Poe (Moises Arias). As melhores cenas de amizade com certeza são protagonizadas por eles, o que torna o filme ainda mais incrível e para além do somente amor entre os dois personagens principais.

Nosso protagonista é Will (Cole Sprouse), um menino rebelde e revoltado com seu destino marcado pela fibrose cística, até conhecer Stella. Até aí é tudo um grande clichê adolescente onde ele vai mudar por ela e blá blá blá, mas o fato deles não poderem se tocar e em como os atores conseguem transmitir isso é que torna mágico.

Talvez o melhor de tudo seja de fato as atuações que dão vida a diálogos intensos e até mesmo surpreendentes. É tudo tão fofo e natural que até mesmo os maiores clichês do fim do filme se passam despercebidos, porque só temos olhos para aquela história de amor. Amor sim, puro e comovente.

A fotografia, a ambientação, a trilha sonora, tudo é pensando nos mínimos detalhes para contar a história dos dois. Algo bem complicado se pararmos para pensar que 90% do filme se passa dentro do hospital. Os detalhes é que fazem aquele lugar não parecer tão sem graça para se viver uma história de amor.

E agora um comentário tosco que se passou durante todo o filme na minha cabeça: onde estavam os pais dessas crianças? Gente,são adolescentes com doenças graves internados no hospital sozinhos, 24h, sem nenhum responsável por perto. Mais parecia uma colônia de férias do que de fato um centro de tratamento de doenças terminais.

Eu saí da sala de cinema querendo abraçar todo mundo. Não imagino uma vida sem poder tocar a pessoa que eu mais amo. Sem um abraço, sem um afago. O que seria de nós sem a expressão tátil de um carinho?

Eu não posso me esquecer de fazer um comentário: é fato que existem mortes. Mortes reais, difíceis de engolir e assistir. Quem vai a filmes como esse não esperando isso vai numa ingenuidade sem fim. Agarrem nos seus parceiros e liberem as lágrimas sem medo.

As comparações com A Culpa É das Estrelas, no fim, parecem bobas e sem sentidos. Filmes sobre doenças não devem ser colocados todos no mesmo saco. Filmes com adolescentes doentes têm particularidades. Filmes com todos esses elementos ainda podem te fazer chorar e sair da sala pensando na vida e desejando ser capaz de sentir tão genuinamente cada sentimento exposto na tela. Abracem esses momentos e vamos ser felizes.