Em primeiro lugar, acho válido destacar que, sempre me achei muito especialista em comédia romântica. Tenho diploma de mérito com MBA em O amor não tira férias, Casa comigo, Antes só do que mal casado, A Proposta, Uma linda mulher, Separados pelo casamento, Esposa de mentirinha, Minhas adoráveis ex-namoradas, e uma infinidade mais de títulos. Portanto, concluí eu, uma sátira sobre comédias românticas vai ser uma perda de tempo total, não vai me acrescentar em nada. Obrigada, Rebel Wilson, por me mostrar que eu estava super errada. Pois, Megarrromântico é um besterol completo, mas possui um elenco super carismático, uma protagonista totalmente fora dos padrões, todas as nuances idiotas do amor de filmes do gênero, e a ideia de que o amor pode estar mais perto do que você imagina. Sem dúvida, é um piegas dos bons.

O roteiro é beeeeem básico, e muito bobo, confesso! Mas, gosto especialmente de como ele utiliza os clichês dos filmes desse gênero, para de alguma maneira fazer com que a personagem se enxergue, como alguém que também pode amar e ser amada pela pessoa que sempre a admirou e a quis do jeitinho que ela é. O fato de Natalie bater a cabeça e acordar num mundo paralelo é interessante, mas nada surpreendente e inspirador.

Todo o enredo é bastante previsível, embora essa previsibilidade provavelmente foi intencional, já que o filme não tem intenção de ser inspirador e poético. Ele se propõe a ser engraçado e consegue. Gosto muito de como eles mostram que a comédia romântica é, de maneira quase absoluta, muito rasa. Convenhamos, sempre é facílimo fazer o galã que jamais te olharia se apaixonar por você; ou quando ela tenta transar com ele, mas a classificação indicativa do gênero em geral é baixa e não permite esse tipo de cena; e também na parte em que todo mundo se apaixona da maneira mais irreal possível, e tudo acaba num número musical.

A direção é segura e tem um jogo de câmeras bem originais, de certa forma. Gosto quando ela gira nas cenas de comédia, mas escolhe um plano fechado para os momentos de romance, como se aquele momento fosse somente dos dois personagens, e é especial que o foco seja esse. No entanto, nas cenas em que a protagonista é estabanada e louca, porque em toda comédia romântica que se preze a protagonista é desastrada e resgatada o tempo inteiro, a câmera decide fazer planos mais abertos e com uma sequência mais frenética, principalmente na hora do musical.

Sem falar nas músicas. Nossa, é uma sessão de nostalgia total. O tema principal é I Wanna dance with somebody, da minha diva Whitney Houston. Mas também faz várias referências a outros filmes de comédia romântica. E, embora seja uma sátira, o longa consegue fazer várias homenagens aos nossos filmes favoritos. Como a dança de De Repente 30, o Central Park de Encantada, e o vestido vermelho de Uma Linda Mulher. Só hino!

As atuações de longe são as melhores coisas do filme. Rebel Wilson sempre carismática e completamente destrambelhada; Liam Hamsworth é o gato sexy nada bobinho; Priyanka Chopra é a gostosona irresistível que rivaliza com a protagonista pelo coração do mocinho; e, Adam DeVine é o melhor amigo fofo e real na vida de Natalie. 

No mais, Megarrromântico não é de longe uma das minhas comédias românticas favoritas, mas cumpre o que se propôs, com algumas pequenas lições de roteiro e até atos feministas, através de falas e ações da personagem principal. A autodescoberta e aceitação pessoal de Natalie é o trunfo do filme, e me lembrou muito a cena em que Íris, personagem de Kate Wislet em O amor não tira férias, se redescobre enquanto mulher e dispensa Jasper. Natalie, por sua vez, passa a amar a si mesma, e isso a muda completamente, tanto no âmbito pessoal como profissional. Além de que finalmente ela se desprende da ideia de que por ser gorda nunca será notada, e se abre para o amor. Algo que eu costumo chamar... de garra!