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Assista ao trailer: The OA: Part II | Official Trailer [HD] | Netflix
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Lançada pela Netflix em 2017, The OA poderia ser simplesmente mais uma série de ficção que pouco impactasse, e ainda mais, passasse despercebida pelo público. Com uma sinopse confusa e uma proposta um tanto quanto ousada, a série estreou no streaming e logo ganhou as graças do público que consumiu a atração rapidamente a fim de desvendar os vários mistérios apresentados durante toda a narrativa (não ajudou muito).

The OA: Parte II, 2019. Netflix.

Vamos voltar um pouquinho no tempo. Protagonizada por Brit Marling, que também é a criadora e produtora da atração junto a Zal Batmanglij, a história inicia com a volta misteriosa de Prairie Johnson (Brit Marling), uma jovem adotada que sofreu um grave acidente quando criança e perdeu a visão. Curiosamente, depois de ter desaparecido por sete anos, Prairie volta mudada e se autodenomina "OA". Com marcas espalhadas pelo corpo e sua visão restaurada, ela recruta cinco jovens que são atraídos por suas histórias inexplicáveis postadas na internet a fim de abrir um portal interdimensional com o propósito de salvar outras pessoas desaparecidas, que também eram seus amigos e que foram presos usados para experiências pós morte como ratos de laboratório pelo Dr. Percy (Jason Isaacs).

A complexidade entre os episódios foi a chave para despertar ainda mais a curiosidade dos fãs que encheram a internet com teorias sobre o que estava acontecendo. Enquanto uns fingiam que entendiam, outros nem entendiam e outros tentavam ajudar aqueles que estavam perdidos vagando absolutamente no nada. Foi exatamente esses questionamentos que fizeram da série um viral entre jovens e adultos.

The OA: Parte II, 2019. Netflix.

Quase três anos se passaram e a segunda temporada aparece ainda mais estranha e diferente que a primeira. São universos diferentes, com as mesmas pessoas no centro e alguns novos personagens. No entanto, é tudo muito bem separado. Ao fim do último episódio da primeira temporada ainda não se sabia se OA realmente tinha passado para outra dimensão, e como iria se dar toda a narrativa. Logo no primeiro episódio da segunda parte nos deparamos com outro universo, com uma proposta completamente distinta da que foi apresentada na primeira parte. “O que aconteceu e onde ela estava?” - você talvez tenha feito perguntas desse tipo.

Logo conceitos existenciais e filosóficos começam a aparecer dando um tom novo ao sci fi. O mistério agora era outro e talvez estivesse nascendo ali um drama policial de investigação, só talvez. O desaparecimento de uma jovem chamada Michelle, ia se conectar com a história de Prairie que estava mais perdida nesse novo universo que você e eu juntos na 25 de março. A bola da vez era do detetive particular Karim Washingto (Kingsley Ben-Adir), que apareceu nessa temporada como um dos principais atores da trama.O que antes era analógico, na primeira parte, na segunda, o tom ganha um lado mais hi-tech. As dúvida que não foram respondidas se perdiam entre mais inserções e coisas que talvez não fizesse qualquer sentido.

Dessa vez, a grande curiosidade - pra mim- era saber como a problemática iniciada na segunda parte ia se unir com as histórias anteriores. Entra episódio, vai episódio e vem explosões de cabeça e vários porquês. As histórias vão se entrelaçando e se complicando ainda mais. Novos personagens e viajantes do tempo tornavam as explicações mais simples e lineares, além de claro, o novo corpo de OA, agora chamada de Nina, que trazia uma bagagem cheia de mistério.

Jogos de realidade virtual, flashbacks, casa abandonada e coisas bizarras iam alimentando nossa imaginação a fim de achar finalmente um propósito. Um casamento harmônico entre Prairie e Karim foi essencial para manter o enredo nos trilhos. Ambas as narrativas se cruzaram e criaram uma unidade. Logo sabemos qual o propósito de Dr. Percy, que convenhamos, é um vilãozão.

The OA: Parte II, 2019. Netflix.

Em meio a tantas séries com narrativas parecidas de multiverso, The OA consegue se destacar entregando ainda mais para quem assiste. Não é só mais uma trama que usa do teor filosóficos sobre o ser, mas uma viagem alucinante ao mundo da estranheza e teorias sobre o que é real e enigmas. Alguns pontos são bem exagerados e talvez passe a sensação de ser algo desconexo com a proposta inicial. No entanto, é preciso compreender que The OA se mantém fiel à sua estética diferente.

Os episódios finais fazem jus à estética única da série causando ainda mais estranheza e sendo muito mais ousado. Dessa vez temos uma ideia ampla do que pode vir nos próximos anos, com narrativas completamente diferentes e, a série tem usado muito bem o seu poder de brincar com os mundos. Ainda ficaram muitas coisas em aberto, acredito que mais até que a temporada passada. Um louvor digno de uma narrativa envolvente que faz você se perder, mas que não se perde.

The OA: Parte II, 2019. Netflix.

Podemos ter aí um novo motivo para continuar esperando ansiosos para os próximos anos, além é claro, de talvez ver todos esses mundos convergindo ainda mais entre si e um papel muito importante para BBA (Phyllis Smith) e Steve (Patrick Gibson).

The OA é uma série conceitual muito fora da caixinha que brinca com nossa mente nos fazendo questionar sobre os caminhos da narrativa. Ficou claro na season finale que existe uma proposta bem mais ambiciosa e diferente. Agora é só aguardar os próximos episódios.