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Assista ao trailer: Now Apocalypse | Trailer Oficial 1ª Temporada | LEGENDADO
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Now apocalypse é uma nova comédia americana de trinta minutos, estrelada por Ava Joglia (Brilhante Victória) com direção e produção de Greg Araki.

A série faz questão de se apresentar como um material muito despretensioso, leve e com uma forte identidade LGBTQ+, principalmente focando na segunda letra da sigla. Sim, temos retratados na maioria, homens gays brancos (até agora, ao menos) aparentemente de classe média/alta que estão em busca de seus sonhos em Los Angeles.

A premissa parece um pouco batida e talvez seja mesmo, porém a todo tempo essa parece ter sido a intenção dos produtores, incluindo desde a montagem de cenas até as atuações e isso não parece comprometer a produção. Além do humor quase óbvio, o roteiro serve como uma espécie de visão de como funciona as relações afetivas dentro do contexto das redes sociais em que se vive hoje e especialmente como elas são utilizadas por aqueles que realmente sabem usá-las. O texto fala sobre isso várias vezes e na verdade é difícil ver algum personagem sem utilizar um celular por pelo menos um momento em alguma cena. É nesse ponto que a série já ganha em profundidade de roteiro, como uma espécie de crítica sutil e ao mesmo tempo escancarada desse mundo ao qual o jovem na casa dos 20/30 anos, está inserido.

Talvez fazer alguma crítica em si, não seja o intuito da produção e a grande proposta mesmo seja o excesso de apelo sexual não que ninguém esteja reclamando que já nesse episódio de estreia, apresenta-se como uma marcante característica da produção, incluindo desde as falas, passando pelos figurinos aparentemente muito bem pesquisados e trabalhados em cada personagem, até por fim chegar aos planos de cena utilizados que aumentam ainda mais o teor de testosterona da série.

A forma como o personagem principal, Ulisses (Joglia), é apresentado, nos introduz a mais ou menos como funciona os relacionamentos na era das redes sociais com os apps de encontros que são cada vez mais populares e como mais precisamente dentro do espectro de homens gays. Não que a série apresente esse como um universo estranho e peculiar e sim, faz questão de naturalizar o que acontece nas cenas, principalmente para aqueles que estão inseridos nesse “mundo” e sabem como realmente tudo funciona na realidade.

Há sim personagens femininos que entrelaçam a trama e que já apresentam um bom potencial nessa estreia, com destaque para a personagem Carly (Kelli Berglund), amiga do protagonista, que assim como ele, também vive o dilema de ser uma jovem tentando a carreira de atriz aos trancos e barrancos, enquanto se utiliza de meios interessantes para ganhar dinheiro e que não poderiam encaixar menos na série. Ava Joglia também está bem como o protagonista, Ulisses - bonito, carismático e que combina com a atmosfera da série, mesmo tendo um rosto de certa forma conhecido, não parece nem um pouco desgastado e contribui com a imagem fresca que a série aparenta ter.

O colorido da fotografia combinado aos figurinos e os cenários são talvez, até agora, uma das melhores coisas do show. A forma como os personagens se vestem parece encaixar perfeitamente com cada personalidade e dentro da lógica que preenche o atual, ou seja, a gente consegue se ver naquelas roupas e nada parece montado demais ou exagerado.

Voltando um pouco aos significados trazidos possivelmente pelo roteiro, a série apresenta um subtexto claramente ligado aos efeitos de ervas para mostrar como elas estão presentes no cotidiano desses jovens. Através disso se explicam alguns cortes de cena que parecem ser uma espécie de alucinação ou sonho do personagem principal, curiosamente sempre depois de vermos ele usar algo. Tudo isso contribui para tornar a produção mais realista, com um texto cru e sem muitas delongas que parece entender o seu público e dar exatamente o que ele quer.

Tyler Posey não apareceu muito nesse primeiro episódio, mas já deixou a sua marca

A montagem frenética e cheia de referências a efeitos psicodélicos, lembra um pouco a série britânica Chewing Gun, talvez com um pouco menos de exagero e mais foco em um texto que segue uma lógica mais linear.

No mais, Now Apocalypse, apresentou um primeiro episódio divertido, recheado de tensão sexual, com um texto atual e que não parece forçar para isso. Trazendo uma ótima apresentação de universo, a série parece um produto promissor que por sua linguagem singular sobre um tema tão amplo e popular, tem grandes chances de ser um hit ou no mínimo uma fonte inesgotável de quotes para você compartilhar no tumblr.