Houve um tempo em que ver o nome da Amblin Entertainment nos créditos iniciais de um filme era garantia de diversão. A produtora de Steven Spielberg criou algumas das melhores comédias de aventura dos anos 80, como Gremlins (1984), Os Goonies (1985), De volta para o futuro (1985) e Uma Cilada para Roger Rabbit (1988). O seu segredo: equilibrar ingenuidade com senso de descoberta. Os personagens típicos da Amblin são curiosos incorrigíveis - e em A Casa Monstro a sensação era a mesma. 

O filme chegou ao Brasil em 2006 e ficou marcado por deixar muitas crianças sem dormir por alguns dias. Sucesso na época, o filme conquistou corações e trouxe para o gênero animado novas possibilidades de dialogar com crianças e adultos. 

DJ Walters é um garoto de 12 anos que acredita que há algo de estranho na casa do velho Epaminondas, localizada do outro lado da rua. Tudo que passa perto da casa simplesmente desaparece, incluindo triciclos, brinquedos e animais de estimação. Na véspera do Dia das Bruxas, DJ e seu amigo Chowder deixam que a bola de basquete com a qual estão jogando caia no terreno do velho, sumindo misteriosamente. Logo em seguida a casa tenta devorar Jenny, uma amiga de ambos, que é salva do ataque. Eles tentam avisar a todos do perigo que é a casa, mas ninguém acredita neles. O trio recorre a Skull, um preparador de pizza preguiçoso que ganhou fama por no passado ter jogado videogame por 4 dias seguidos. Skull acredita que a casa tenha adquirido alma humana e que o único meio de eliminar o perigo que ela representa seja acertando-a direto em seu coração. É quando os amigos elaboram um plano que permita que entrem na própria casa.

Ainda sobre as inovações que o filme trouxe, foi muito bom poder constatar que haviam realizadores capazes de contar uma boa história em um espaço limitado. Estabelecer tensão entre as duas calçadas, definir muito bem o que difere o mundo de D.J. do mundo de Epaminondas, são as primeiras qualidades da animação computadorizada. Curiosamente, é o primeiro trabalho como diretor de Gil Kenan. O animador tem olho de cineasta - as perspectivas, as profundidades, as câmeras que pegam closes em momentos inusitados, os planos que se alongam para dar graça a uma cena... Kenan pensa o cinema antes de pensar a animação, e não é sempre que se acha um profissional da área com esse perfil.

Acertada também foi a decisão do produtor Robert Zemeckis de empregar a tecnologia de captura de movimentos criada para O expresso polar (2004), mas não delinear demais os traços físicos dos atores e atrizes. No filme de 2004 isso dava aos personagens, apesar de mais realistas, aquele olhar de peixe morto. A Casa Monstro confia mais na estilização. Com jeito de caricatura, os seus personagens ficam mais simpáticos - e, afinal, se encaixam perfeitamente nos tipos que lhe foram desenhados: do garoto tímido, do amigo gordo, do velho ranzinza. Tudo isso fica comprovado na excelência do filme, visto que inicialmente A Casa Monstro seria feito com atores reais, com a idéia sendo descartada devido às dificuldades de realização de uma cena do clímax do filme com pouco orçamento. 

Ficou claro que a decisão de fazer um filme animado deu muito mais certo. E aí, Bora Assistir? O filme está no catálogo da Netflix. Aproveite o domingo!