Toy Story- assim como Branca de Neve foi para a Disney, e Shrek para a Dreamworks- é um marco para a história das animações e do cinema de uma forma geral. Foi o filme que fundou a Pixar e a consagrou como gigante da 7º arte.

Esse mérito se estendeu mesmo após a empresa ser vendida de Steve Jobs para a Disney, que conseguiu manter e até subir o nível das histórias contadas.

Os filmes da Pixar são reais! Quer dizer, não é que exista uma cidade de monstros detrás das portas de nossos armários, nem que os brinquedos tenham vida quando não estão em nossas mãos. Também não significa necessariamente que nossas emoções estão operando um centro de controle no nosso cérebro.

Mas é que essas histórias são as nossas histórias. É sobre nós. Nossa infância, nossa família complicada, nossos sentimentos, nossas paixões, e sobretudo dos nossos sonhos. 

O que faz amarmos e nos emocionarmos com os filmes da Pixar é a maneira como conseguimos nos identificar com os personagens retratados em cada narrativa. Pois eles são mágicos de uma forma extremamente realista.

Particularmente, foi com um filme da Pixar que tive minha melhor e maior experiência cinematográfica. Em Coco (ou Viva a vida é uma festa, no Brasil) vi, chorei e relembrei meu avô tão querido, que morreu meses após a estreia desse longa aqui no nosso país. O fato do filme ser sobre "família em primeiro lugar" e de como é importante manter nossos entes falecidos aquecidos em nossos corações, certamente foi o que mais cativou minha especial atenção, e me arrancou as mais longas e felizes lágrimas no cinema.

No entanto, as lições vão além disso. Os filmes desse estúdio conseguem ser ímpares pela grandiosidade de suas mensagens.

Quem é que não lembra do conselho da Dory em Procurando Nemo?

"Quando a vida decepciona qual é a solução? Continue a nadar, continue a nadar, nadar, nadar, pra achar a solução... nadar, nadar!"

Ou em Wall-e em que a solução para que os seres humanos pudessem reconstruir o planeta Terra e conseguirem mudar radicalmente a vida e hábitos da espécie, só foi possível graças ao amor incomum entre dois seres que nunca deveriam ter se relacionado. Amor este que fomenta a união da espécie humana para finalmente reassumirem seu lugar de liderança na natureza, dando fim ao reinado das máquinas.

Em UP- Altas Aventuras, somos presenteados em 5min com o romance de Call e Ellie, sonhamos e choramos com eles. A vida deles é uma jornada tão louca e gostosa que faz da nossa experiência a melhor possível. É simplesmente lindo e inspirador!

A beleza dos desenhos é mais uma marca do estúdio! Os traços delicados, lúdicos e coloridos conseguem captar a atenção do público alvo- crianças de todas as idades- mas também de seus acompanhantes, fazendo com que os adultos fiquem pasmos com os detalhes minuciosos e cheios de destreza exibidos nas telonas.

Mas o que chama mesmo atenção é o roteiro, por incrível que pareça! Eu sempre bato na tecla que animação não é só coisa de criança, e portanto merece tanto mérito quanto qualquer outro gênero cinematográfico. A Pixar é a rainha das tramas mais envolventes, interessantes, criativas e brilhantes. Não é a toa que a maioria de seus filmes possuem mais de 90% de aprovação no Rotten Tomatoes.

Tudo isso começou nos anos 90 com A História de Brinquedos. Mais de uma geração acompanhou as aventuras e dramas desses brinquedos. Criamos laços que foram além de referências e cenas emocionantes. Toy Story reinventou o cinema de animações e continua enchendo nossos olhos e corações com uma narrativa melhor que a outra. De novo, os brinquedos nos ensinam valores que nos acompanharão para além da tenra infância.