Neste especial vamos abordar algumas nomenclaturas utilizadas no mundo do Cinema e da televisão. Passaremos por definições rápidas dando exemplos para que tudo fique bem claro. Este é o "Entendendo de Cinema", um guia de definições para iniciantes ou curiosos na arte do entretenimento. O tema de hoje é: AdaptaçãoReboot e Remake: Qual a diferença entre eles.

Desde seu nascimento, o cinema sempre esteve longe de ser uma nascente de ideias originais. A maioria dos filmes - e estamos falando de todos os tempos e de todos os lugares - sempre vieram da literatura, sendo adaptados e inspirados para virarem grandes produções, ou não.

O interessante a se destacar é o fato de uma mesma obra gerar diversas interpretações em filmes/séries/produtos audiovisuais diferentes, e o maior exemplo deles é o romance de Romeu e Julieta. Literal ou não, o amor proibido entre duas pessoas que se amam vem se repetindo há mais de cem anos nas telonas, e eu posso provar. 

Antes de entrarmos na pauta de hoje, é bem legal que a gente entenda o valor de diferentes abordagens que mais tarde vão influenciar reboots e remakes. Com certeza você vai notar uma semelhança entre os filmes da lista abaixo. Nela, os filmes mantêm o nome dos protagonistas.

  • O Casamento de Romeu e Julieta, 2005.
  • Romeu e Julieta, 1936.
  • Romeu e Julieta, 1954.
  • Romanoff e Julieta, 1961.
  • Romeu e Julieta, 1968.
  • Romeo + Juliet, 1996.

O interessante dessa primeira lista é notar que nenhum destes filmes se caracteriza como um reboot ou um remake. São apenas abordagens diferentes para uma mesma história, o que podemos chamar de Adaptação. A definição de Adaptação é bem literal. Se trata de adaptar uma obra de uma linguagem para outra. Por exemplo: Literatura - Cinema; Música - Cinema; Cinema - TV, Cinema - literatura, etc...

No entanto, ainda se tratando de adaptação, a prática também é bem comum em obras que mudam seus nomes/títulos, mas mantêm a essência. 

  • Meu namorado é um Zumbi (2013).
  • Amor, Sublime amor (1961).
  • Volta por cima (2001)
  • A Dama e o Vagabundo (1955)
  • Titanic (1997)
  • Romeu tem que morrer (2000)

Todos estes filmes da lista acima carregam a essência de Romeu e Julieta, tratando do amor proibido entre dois personagens. Titanic, inclusive, é um caso curioso. O próprio James Cameron defende o longa como um Romeu e Julieta no mar. 

Quando temos a ideia e a história de um filme sendo refilmada para um novo produto, chamamos de Remake, que ao pé da letra significa refazer. Esse novo produto geralmente traz uma modernização visual e técnica, junto de evoluções tecnológicas que mantém o formato da obra original. 

Carrie - A estranha (1976) foi trazida de volta ao cinema com mais destaque em 2013, com um novo elenco, algumas mudanças na abordagem, mas a mesma história base. 

Outros grandes sucessos como Onze Homens e Um Segredo e a Fantástica Fábrica de Chocolate também tiveram remakes, sendo feitos novos produtos com novos elencos e novas abordagens. Na lista abaixo vamos conferir alguns remakes.

  • A Múmia (2017)
  • Planeta dos Macacos (2011)
  • A morte pede Carona (2007)
  • Sete Homens e Um Destino (2016)
  • A Bela e a Fera (2017)
  • Mogli: O menino Lobo (2016)
  • O Rei Leão (2019)

Nem todos os remakes dão certo. Um dos casos mais famosos é com Psicose (1960) do fantástico Alfred Hitchcock, que teve uma nova versão por Gus Van Sant em 1990, mas que foi bombardeado pela crítica por simplesmente copiar o filme original. Com isso, fica fácil entender  o que um remake deve conter. Ele deve trazer a história de volta com modernizações de acordo com seu tempo e suas características. Por exemplo, se o filme "original" se passa em 1960, quando não tínhamos internet, seu remake em 2015, retratando o período atual da história, deve inserir esses elementos no roteiro. Essas peças constroem um novo mundo sobre aquele pré-concebido e cria identificação. Qualquer coisa pode ser usada como esse elemento de atualização. Seja a presença de mulheres com protagonismo e não aquela submissão antiquada, seja discussões sobre o movimento negro, lgbt e afins, seja por caráter tecnológico, político, etc. No entanto, esses elementos não são obrigatórios, e muitos remakes simplesmente copiam tudo o que o filme original continha. É uma questão de escolhas da produção. Mas cá entre nós, é muito mais legal quando essas histórias se adaptam ao nosso tempo ou ao nosso jeito de pensar enquanto sociedade. 

Os reboots, por sua vez, indicam o reinício total de um filme ou uma franquia que então começa do zero novamente, e se torna uma nova história sem se basear em algo que já existe. Da histórias base restam apenas elementos básicos da trama. Batman Begins (2005) é um dos casos mais claros de reboot. Uma vez que o a trilogia de Nolan deu um ar completamente diferente ao que se tinha nos filmes do vigilante de Gotham com Michael Keaton em 1989.

Na lista abaixo vamos conferir alguns reboots famosos.

  • Homem-Aranha (2002) com Tobey Maguirre, O Espetacular Homem-Aranha (2012) com Andrew Garfield, Homem-Aranha: De volta ao lar (2017) com Tom Holland. 
  • Planeta dos Macacos (1968, 1973), Planeta dos Macacos (2011).
  • X-Men (2000), X-Men: Primeira Classe (2011) .
  • Dredd (1995), Juiz Dredd (2012).
  • Superman (1978), O Homem de Aço (2013).

Para se caracterizar como reboot, o longa deve manter a ideia central do filme, porém, os elementos que permeiam a dramatização são completamente mudados, personagens, paisagens, contexto etc. É como  novamente contar a história de origem ou usar de fórmulas inteligentes de utilizar o conhecimento anterior dos filmes como material para enriquecer a trama.

Homem Aranha: De Volta ao Lar não conta a história de origem do amigão da vizinhança, uma vez que o filme do aranha sempre é muito recente e revisitada nas telonas, então apenas introduz um novo ator em um novo mundo com novos desafios, sem perder a história base do personagem que é lidar com a adolescência, o colégio e seus super-poderes e claro, sempre lembrando que com grandes poderes vem grandes responsabilidades. 

A Franquia dos X-Men tem seu reboot ao mudar todo o seu elenco e abordagens de seus conflitos, revisitando a origem de diversos mutantes, como a Tempestade. É o mesmo que acontece com o Homem de Aço, que volta à Krypton para explicar sua origem. 

Star Trek é um caso muito complexo de reboot, pois na nova leva de filmes a partir de 2009 com a direção de J.J. Abrams, a franquia rica de filmes e séries, se reinventa, explora novas origens e novos personagens mantendo a base da história e mitologia que já é clássica e imutável, e não menos livre de poder se reinventar. 

Star Wars: Episódio VII - O Despertar da Força (2015) é um misto entre remake e reboot, uma vez que introduz novos personagens no meio de personagens que se mantém em uma narrativa que se costura com os filmes anteriores enquanto se reinventa de forma sutil apresentando o mundo dos Jedi para uma nova geração.