Durante o Billboard Music Awards 2018, quando a câmera da premiação focava em um dos integrantes do BTS (Grupo Coreano de K-pop) apenas por alguns segundos era evidente a agitação da plateia, que se intensificava de um jeito bem “a la Beattle-mania”.

Para aqueles que desconhecem o fenômeno, ou ao menos, não entendem muito bem o que está acontecendo com a indústria pop do mundo inteiro, vai aqui um breve resumo.

K-pop, vem de “Korean Pop” e significa bem basicamente, todo o conjunto de músicas do gênero popular ou ao menos que passam por ele e que provavelmente você já viu algum vídeo no youtube ou escutou sua filha ou filho mais novo cantando em uma língua estrangeira e que claramente não era inglês, mesmo que, dentre aquelas palavras extremamente indistinguíveis, um deles soltasse um “Fake love” ou um “Blackpink in your area”.

É ai que talvez esteja um dos segredos do grande avanço dessa indústria – a compreensão de como o gosto popular está mais ligado a costumes e tendências do que imaginamos.

BTS foi o primeiro grupo de Kpop a vencer um prêmio da Billboard, além de ter se apresentado na premiação (ver o banner acima)

Quando o grupo coreano Seo Taiji and Boys lá em 1992, se lançou com letras de rap otimistas e refrões cativantes, não foram tão bem recebidos pelo público tradicional da Coreia do Sul, porém suas músicas alcançaram todas as paradas musicais do pais e eles são considerados até hoje o grande ponto de transformação da industrial popular do país, e agora, talvez, do mundo.

Ainda que, do início dos anos 2000 pra cá, as coisas tenham realmente avançado, penetrar no maior mercado pop do mundo, que é abocanhado pela língua hegemônica, o inglês, foi um grande desafio. É claro que você lembra de “Gangnam Style” ser o primeiro vídeo de todos os tempos a atingir 1 bilhão de visualizações no Youtube, mas, apesar disso o grande sucesso ainda não abriu completamente as portas para o k-pop de forma fixa.

Pareceu mais um grande acontecimento em muito tempo, quase como a passagem de um cometa que reluziu muito, chamou a atenção de todo o mundo (literalmente), mas depois foi embora.

O que ninguém esperava era que silenciosamente para o grande mercado, todo esse movimento se tornaria um fenômeno mundial, popular e principalmente, em uma crescente. Isso, não mais apenas um grande evento, e sim uma construção de muitos anos que finalmente começou a provar-se benéfica para uma indústria que estava precisando de novos ares dentro do universo pop.

Principalmente em uma época em que as divas do pop que costumavam controlar todo esse segmento, começaram a partir em uma direção conhecida pela produção conceitual que abandonou um pouco o público mainstream deixando-os um pouco famintos pelas batidas e letras chicletes.

Não que tenha ocorrido uma total migração entre os públicos da era The Fame Monster da Lady Gaga para as batidas dançantes de Boombayah das meninas do Blackpink, por exemplo. Acontece que o novo público começa a sua procura e acaba encontrando um produto que é feito especialmente para ele, desde a imagem até tudo que envolve a produção musical em si, envolvendo letras e batidas, tudo aquilo que o mercado norte-americano sempre dominou.

Em seu último álbum (Joanne), Lady Gaga fugiu totalmente do eletro dark pop que a lançou.

Entender como o próprio mercado que sempre comandou todas as paradas musicais, influencia o resto do mundo, mostrou-se como um ticket de entrada para tornar-se (ou ao menos tentar) uma grande estrela do pop mundial. Não é por acaso que a Anitta tem colocado títulos abrangentes de línguas diferentes em suas músicas, “paradinha” é uma palavra em português que também abrange o espanhol. A Cantora está em processo de internacionalização de carreira e tenta ingressar primeiro no mercado latino. Essa tática vem se mostrado benéfica, pois o vídeo da música alcançou uma grandiosa projeção e serviu de ponto de partida para projetos futuros da artista.

Mas o que isso tem a ver com o mercado K-pop?

Como foi citado antes, quando os pais escutam seus filhos mais novos entoando os versos dos, agora, vários grupos de k-pop que acompanham, podem perceber que algumas letras lembram o já velho conhecido do filhos fanáticos por pop, o inglês. A forma como esses grupos incorporam essa língua tão predominante no mercado em suas letras coreanas, ajuda a disseminar ainda mais uma cultura que muita gente ainda não conhece. Dessa forma, o K-pop tenta atingir um universo maior, ultrapassando seu nicho de fãs e alcançando de fato o mercado de uma forma mais concreta e durável.

O que esperamos para o futuro da música pop?

Assim como qualquer previsão hoje em dia, absolutamente muita coisa diversa. O que é importante lembrar? O mercado está definitivamente se transformando, e não é de hoje. O VMA (Video Music Awards), uma das premiações mais populares do mundo inteiro e que foi responsável por tantos momentos icônicos que ajudaram a consagrar vários artistas da indústria musical - está começando a dar sinais críticos de saturação.

Em 2011 a premiação alcançou seu último pico, com 12.4 milhões de espectadores com a revelação de uma Beyoncé grávida cantando Love on Top. Pula para 2018 e damos de cara com 2.25 milhões (a pior audiência da premiação) frente a uma cerimônia morna e sem muito alvoroço ao redor, como acontecia no passado.

Curiosamente, na premiação que envolve as maiores produções visuais do ano, não havia nenhuma menção as produções cheias de números de “Fake Love” do BTS ou “DDU-DU DDU-DU” do Blackpink, por exemplo.

O Grupo EXO figurou em #8 na lista da Billboard do 100 principais shows individuais (sem tour) que foram feitos nos EUA

Não é como se o K-pop tivesse, em um rompante, toda a carga e influência que o pop ocidental tem, mas o fato é que, todo o seu crescimento precisa urgentemente ser reconhecido como um produto que pode sim alcançar várias partes do mundo, mesmo as mais longínquas e isoladas, do mesmo jeito que o pop norte-americano sempre o fez.