Quando Harry Potter invadiu os cinemas no começo dos anos 2000, nos anos seguintes e até 2011 quando deu seu adeus – ao menos por enquanto – sempre vimos milhares de fãs, até mesmo antes dos filmes, mesmo nos lançamentos dos livros, vestidos como seus personagens favoritos e mandando ver na criatividade.

É claro que a cultura do cosplay veio bem antes de Harry Potter e isso é bem óbvio, mas a forma como ela foi utilizada por esses fãs ajudou a popularizar ainda mais uma prática que muitas vezes fazia as pessoas acharem que sempre deveria estar ligada apenas à HQ’s e desenhos que estejam relacionado à cultura oriental.

 

O super-herói e todo o seu surgimento nas próprias revistas em quadrinhos lá em 1940 ou mesmo agora, com diversos lançamentos no cinema e também na tv, foi encontrando seu espaço dentro da cultura pop, e hoje, é muito difícil encontrar um cosplayer que não goste de incorporar um deles. Toda essa popularização dessas duas culturas resulta na sensação de representação, na pele de crianças, jovens ou adultos, que sentem-se encaixados em um nicho social que os exaltam pelas suas capacidades de criar e de se identificar com tantos personagens diferentes.

Quando em 1939, lá na Worldcon, Forrest J.Alckerman e Myrtle R usaram pela primeira vez uma “fantasia” durante um evento de cultura geek – que obviamente já não era chamada assim na época – não sabiam que seu ato acabaria tornando-se uma prática tão difundida denro da cultura pop pelo no mundo e enraizada dentro da cultura pop pelo mundo todo e sobrevivendo até hoje. Chegando também ao Japão com as pessoas vestindo-se de seus personagens favoritos em Mangás, animes, comics e games.

Porém não é sempre que a expansão da cultura é compreendida e acaba fazendo quem participa e levanta a bandeira do movimento, sofrer preconceito. Em 2015, o extinto programa “Pânico na band” foi banido da CCXP – Comic Con Experience (A Maior convenção de cultura pop do Brasil) pelo Omelete – um dos principais organizadores do evento - após cometer uma abordagem de mal gosto com os cosplayers do evento, incluindo preconceitos de gênero dentro de uma abordagem extremamente grosseira. No próprio Brasil é comum as pessoas associarem a prática a um comportamento de imaturidade, como se o ato de fazer parte dessa cultura seja algo que se relaciona apenas com a infância.

“A intenção do cosplay é principalmente se divertir, não importa se você é alto, baixo, branco, negro, adulto ou criança ...o importante é a diversão. O pessoal passa meses se planejando, procurando materiais e confeccionando suas próprias roupas e acessórios. Então quando você se caracteriza como seu personagem preferido e encontra outros fãs como você, é muito gratificante.” Diz Jessyca Magalhães, Estudante de publicidade e propaganda e livreira.

Perde-se com o pensamento preconceituoso, toda a oportunidade de conseguir enxergar o mundo através da criatividade e infinita diversão de quem gosta de abraçar essa cultura de ser cosplay, todos os anos em todos os eventos sejam eles destinados ao público geek ou não.  Além disso, a delicadeza que está por trás de toda a roupa muito bem produzida e a maquiagem incrível, é o que mais importa no final, pois a forma como essas pessoas se encontram através desses personagens muitas vezes é o cano de escape para conseguir encarar as dificuldades da nossa realidade. Se encontrar socialmente dentro do cosplay e botar isso para fora é um ato de coragem e que deve ser respeitado, ainda por aqueles que podem não curtir essa forma de participar da cultura pop.

Hoje, o cosplay é uma das grandes formas de não só demonstrar amor às produções e personagens do mundo pop como também uma forma que esse mercado encontra para divulgar seus produtos. Um cosplay ou vários deles em uma convenção e principalmente se for de uma produção que não é tão reconhecida, ajuda a fazer as outras pessoas conhecerem e começar a se interessar pelo produto. As grandes empresas entendem isso e começam a criar e desenvolver ainda mais personagens relacionáveis e inseridos em uma realidade social atual e que converse com essas pessoas de uma forma que elas se identifiquem na tela e queriam fazer o cosplay.

Por esses e tantos outros motivos, deve-se encarar o cosplay como um ato de liberdade, através da criatividade e principalmente da diversão, sendo ele de Harry Potter, Naruto ou das milhares de opções inseridas na cultura pop e ainda, até mesmo, qualquer outra criação original com o mesmo objetivo. O respeito deve estar sempre presente, independente de idade ou qualquer outra diferença.