Uma semana após o incrível lançamento da versão de corte da Liga da Justiça de Zack Snyder e o filme ainda continua em alta. Isso porque finalmente tivemos uma visão completa de um filme de fã de quadrinhos e heróis para outros fãs de quadrinhos e heróis ansiosos por essa finalização. Claramente Zack Snyder não é o melhor diretor de filmes de todos os tempos, assim como, não produziu o filme do século, mas ele tem uma visão específica e sombria para seus heróis adaptados e que deu muito certo.

A Liga de Zack Snyder trouxe cenas inéditas, novos enredos bem melhor trabalhados, novos personagens, e principalmente uma história contextualizada e não mais apressada e humorada como a versão de Joss Whedon em 2017. Isso fez o filme de 4 horas de duração se tornar algo épico e uma grande vitória para todos que estavam engajados no #ReleaseTheSnyderCut.

Portanto, é a partir disso que você vai conferir as principais mudanças, e acréscimos, em relação ao novo filme da Liga da Justiça de Zack Snyder e seu antecessor "fracassado", Liga da Justiça de 2017.

  • Cena de abertura - A morte do Superman

O filme começa diretamente ligado ao final de Batman Vs Superman: A Origem da Justiça (Já fazendo a união dos filmes). Superman acaba de ser morto por Apocalipse e seus gritos ecoam por todo o mundo atingindo as caixas maternas e “acordando-as”. Além disso, o trabalho com que é feito todo o drama envolvendo esta perda fica muito mais sério e profundo. Realmente dá para sentir que a perda do Superman afetará a sociedade por completo. Lois Lane é a prova disso, ao percebermos neste corte que o luto para si é um ponto a ser tratado pois nem voltar as suas atividades diárias como jornalista ela consegue.

Já em 2017 nós temos um Superman sendo entrevistados por um garotinho para seu podcast. Após isso, Gotham City moderna e obscura em que o homem morcego está atrás de um ‘Parademônio’, que é responsável por alguns acontecimentos na cidade. A introdução as caixas-maternas aparecem quando o monstro explode e deixa marcas na parede, a partir disso o telespectador deve começar a engatar no enredo do filme. A morte do Superman também é mencionada, com mais cores, iluminação e uma música de fundo reflexiva. Eles estão enterrando um símbolo nacional. A carga emotiva ainda continua. Uma forma de homenagem ao Superman, mas não tem todo o peso dramático e sério que o momento pedia. Lois aqui parece aceitar a perda de Clark bem melhor que o esperado. Lembrando que as cenas inicias deste filme foram todas regravadas, ou seja, as introduções são diferentes.

  • Mulher Maravilha e as Amazonas

A primeira cena de Diana no corte de Snyder é mostrando que ela e a justiça estão lado a lado. A cena do ataque terrorista ao museu, deixando muitos reféns, ainda continua. Mas, com muito mais cenas de ação, lutas e destaque para a incrível Gal Gadot. As cenas em câmera lenta predominam nesses momentos (balançar seus cabelos é bastante importante). Além disso, o momento é bem mais longo que no filme lançado e os efeitos especiais continuam impecáveis. Realmente, a visão de Snyder para os heróis é que eles são deuses e se afastam um pouco da humanidade. A Mulher Maravilha também é usada para trazer a contextualização da 'chegada' de Darkseid na Terra. Tal cena que foi retirada de 2017, mostra a heroína aprendendo mais sobre o inimigo que estaria por trás de Lobo da Estepe.

Ela também assume o papel de líder da equipe, e claro tem mais força e garra nesta versão. Sua relação com o Batman tem mais contextualização e mais química, não ao ponto dela colocar o braço dele no lugar, mas de trabalharem juntos de forma orgânica. Sua batalha com os ‘parademônios’ e o Lobo da Estepe carregam mais drama e força da guerreira. Também, é dito pelo vilão que as Amazonas foram dizimadas, mesmo ela não acreditando, seria um gancho para um próximo filme solo da heroína. Seus objetos de apoio (espada, escudo, laço da verdade) são bem melhor aproveitados. A cena final dela cortando a cabeça do Lobo da Estepe e lançando ele de volta para Apokolips valem por todas as cenas dela no corte.

Também o enredo das Amazonas é muito bem trabalhado. A violência usada nas cenas deixam a situação mais perigosa e mostram ao público a garra daquelas mulheres para protegerem a caixa-materna. Elas possuem mais tempo de tela. Muitas das cenas estavam em 2017, mas alguns dos acréscimos cumprem muito bem a sua parte na história. O novo visual do Lobo da Estepe contribui para trazer a ameaça durante a batalha. Também foi aprofundado o relacionamento da Mulher Maravilha com Aquaman (Jason Momoa) e explorado como a antiga rivalidade entre Amazonas e Atlantes não precisa se aplicar a eles.

O papel da Mulher Maravilha como central na saga restaurou seu status como uma guerreira formidável que faz parte da Trindade da DC ao lado de Batman e Superman

Em 2017, a Mulher Maravilha, além de ter cenas para mostrar seu corpo em alguns ângulos diferentes, também estava na equipe como uma líder, mas que não se destacava como heroína. A versão de Joss Whedon infantilizou os super-heróis e transformou a Mulher Maravilha em uma mãe que reclamava: "Estou trabalhando com crianças". A sua contribuição histórica foi reduzida a uma história contada a Bruce Wayne durante uma caminhada pelo jardim do milionário. As suas cenas de ação poderiam ter mais violência, ou até mesmo alguns destaques que não fossem dela gritando no ar com sua espada em câmera lenta, mas isso não acontece. A luta final tenta ser épica, mas tudo é atrapalhado quando o vilão é destruído por ele mesmo.

  • Aquaman e Atlântida

Arthur Curry tem uma personalidade diferente dos quadrinhos, mas essa é a visão de Zack Snyder acerca do personagem. Ele está menos engraçadinho e seu desinteresse por Atlântida está mais evidente. Seu empenho pelo trono e proteger o mar não são prioridades (Ele atua como o salvador dos sete mares). Lobo da Estepe também usa suas máquinas tecnológicas para ler a mente de um Atlantes e ver onde estava a caixa-materna – e não aparecer misteriosamente no lugar mais protegido do reino. Aquaman também tem cenas muito mais importantes na batalha final com Lobo da Estepe. Seu tridente também se destaca nas cenas de ação. Ele é um rival difícil na batalha e consegue conter o vilão por bastante tempo.

Mera (Amber Heard) também tem muito mais participação em relação a história da proteção da caixa materna. Sua luta com o Lobo da Estepe traz um dos seus poderes mais poderosos que é apenas usado em caso extremos, o poder de retirar a água/sangue do corpo de seu oponente. Também, ela aparece no futuro apocalíptico de Batman sendo um dos membros dos heróis que sobreviveram do Superman maligno. Lembrando que essa cena fez parte das filmagens extras que aconteceram em 2020 e trouxeram alguns atores de volta, incluindo Jared Leto e a própria Amber Heard.

Em 2017, Aquaman é o personagem marrento e engraçado que sempre tem alguns tiradas para descontrair a cena. Mera não tem muita relevância para a história. Após ela proteger a caixa-materna e discutir com Arthur, sua participação se encerra. Vulko (Willem Dafoe) mentor/ aliado de Aquaman, mesmo que tenha uma pequena participação no corte de Zack Snyder - implorando o herói para assumir o trono de Atlântida -  na versão de Joss Whedon ele não aparece.

  • Flash e a Força de Aceleração

A primeira cena que temos de Barry Allen é ele procurando um emprego em um Pet Shop, após trocar olhares com Iris West (Kiersey Clemons). A atriz teve sua cena completamente cortada da versão de 2017. E está cena, envolvendo o salvamento dela após um acidente de carro, é muito bem-feita visualmente. Claro que não podia faltar a câmera lenta, marca registrada de Zack Snyder e uma música romântica de fundo para apresentar o futuro casal. A típica cena do Barry conhecendo Bruce Wayne também estão nessa versão, sem a música de Blackpink. O diálogo continua pobre, alguns acréscimos em pequenos detalhes são inseridos, mas continua mais do mesmo.

O plano de fundo da relação de Barry com o seu pai é mais trabalhado. Ele agora tem como “objetivo” mostrar a ele que “ele chegou lá”. E umas das cenas mais bonitas e bem feitas é a de Flash usando a sua força de aceleração para restaurar novamente o universo. Trilha sonora, efeitos especiais, tudo impecável. Apesar da personalidade engraçadinha, esse Barry se destaca melhor.

Ao contrário de 2017, em que suas cenas eram rápidas corridas em câmera lenta que terminavam nele tropeçando - que também acontecem no corte de Snyder - ou pequenas piadas acerca da identidade secreta dos personagens, Barry de 2021 tem mais a nos apresentar. E com certeza não temos Superman e Flash apostando uma corrida para saber quem é o mais rápido. Ele ganha uma função melhor do que salvar uma família do ataque dos parademônios. 

Agora podemos esperar algo de muito bom na adaptação do Flashpoint em 2022.

  • Victor e Silas Stone – Laboratórios Star -

Zack Snyder sempre falava que o Cyborg (Ray Fisher) era o coração do filme, e isso se concretiza nesta versão. Primeiro que, algo além de uma menção que ele seria uma criação da caixa-materna é informada para contextualizar sua importância para a história. Temos cenas dele como Victor Stone, em seu auge como jogador de futebol americano, a presença de sua mãe (Elinor Stone) como defensora de seu filho – antes da sua morte - e cortada da versão cinematográfica, o pai, um personagem muito mais relevante, revelando que seu relacionamento com Victor estava em péssimo estado antes do acidente da esposa. Silas sempre priorizou seu trabalho como cientista ao longo do tempo e é com ele que traz seu filho de volta. Inclusive a cena do Cyborg sendo criado aparece nos vídeos armazenados no computador.

Os Laboratórios Star também tem uma grande importância na trama. É lá que a nave do Kriptoniano está sendo analisada, e também é nesse local que acontecerá a ressurreição do Superman - autorização concedida por Silas Stone. Outro personagem que foi completamente cortado da versão em 2017 foi o cientista ajudante de Silas, Ryan Choi (Ryan Zheng). O destaque para o personagem se torna curioso, mas não para quem conhece ele como Eléktron nos quadrinhos.

Os ‘parademônios’, junto com Lobo da Estepe, invadem o laboratório para conseguirem a caixa-materna e isto termina com o sacrifício de Silas Stone em forma de redenção. Além disso, as caixas-maternas são mostradas com mais intensidade e profundidade, com Cyborg mostrando como ele controla praticamente toda a tecnologia ao seu redor. Algumas cenas mostram ele dentro da caixa-materna tendo a visão geral de tudo. Uma vez que as caixas-maternas demonstraram ser incrivelmente poderosas, e como Cyborg foi criado usando sua energia, o público está muito mais convencido de seu potencial ilimitado. Victor acaba sendo a chave para a batalha do clímax porque ele é o único que pode se comunicar e, assim, dessincronizar a unidade - um ponto da trama que é amplamente eliminado no corte cinematográfico. Ele também tem uma visão de um futuro com o Superman maligno e destrutivo que não aparece em 2017.

Em 2017, o Cyborg foi um personagem completamente injustiçado. Nesta versão conduzida por Joss Whedon, o Cyborg se tornou um personagem ranzinza, de mal com a vida seu passado e família. Ele, neste ponto, tem mais dificuldades de aceitar o seu novo eu como metade homem metade máquina. Toda a história da origem de Cyborg é contada em apenas algumas linhas atrapalhadas de diálogo. O público é informado, exatamente por exposição, que houve um acidente, que a mãe de Victor morreu naquele acidente e que ele foi dado como morto.

A relação com seu pai também está bem mais instável e se sustenta até a metade do filme quando Silas não aparece mais e não se sabe o seu fim (literalmente). Muitas de suas cenas também foram regravadas, a maioria delas, deixando ele de escanteio nas batalhas e não tendo tanta importância quanto a resolução do problema.

  • Batman e Knightmare

O Batman tem uma função muito importante no filme, além de reunir a Liga da Justiça, ele também é um dos apoiadores da ressurreição do Superman quando se torna a única opção. Alfred tem uma participação bem melhor aproveitada do que apenas um ajudante de laboratório mas a relação entre eles não é tão bem trabalhada, ao ponto deles serem apenas colegas de trabalho e não uma relação de “pai e filho” como de costume. Nesta versão eles esbanjam tecnologia, ao consertarem uma nave que servirá para transportar a Liga para o campo de batalha.

O filme também trabalha a relação de Batman e Aquaman. Bruce Wayne está em busca de componentes para sua equipe de heróis, por isso, viaja até um lugar extremamente frio e inacessível para convencer o Rei de Atlântida a entrar para o time. Aqui os diálogos são bem mais longos e trabalhados, o contexto em que Arthur Curry vive é bem diferente e mais obscuro. O mesmo acontece com a Mulher Maravilha. Ele e Diana não tem mais insinuações de um possível romance entre eles, ao invés disso, eles têm quase uma mesma funcionalidade na equipe.

Os sonhos de Batman se intensificam, e não esquecidos como em 2021, e isso nos leva ao futuro apocalíptico em que Superman perde Lois Lane e isso é o suficiente para ele ir para o lado do mal. O enredo lembra muito o que acontece em Injustice que provavelmente seria o foco das continuações da Liga da Justiça, se houvessem.

A fim de completar alguns elementos que Snyder não filmou na fotografia principal, ele trouxe parte do elenco de volta para breves refilmagens em outubro de 2020. A fotografia adicional representa 4-5 minutos de filmagem e inclui uma cena de Knightmare no epílogo com Batman, Cyborg, Flash, Mera, Exterminador e Coringa, onde eles enfrentam um final de suspense com o mal Superman.

Snyder também filmou um breve momento de Harry Lennix para mostrar sua transformação em Caçador de Marte, e também o adicionou a uma breve troca de ideias com Bruce Wayne depois que ele acordou repentinamente após a cena de Knightmare. Tanto a parte de Affleck quanto a de Lennix nesta parte são de refilmagens de 2020, embora uma versão semelhante da parte de Affleck tenha sido filmada durante a fotografia principal, quando a intenção era introduzir um Lanterna Verde em vez de o Caçador de Marte.

Com Joss Whedon, como já mencionado, o futuro destrutivo causado pela invasão de Darkseid e com apoio de Superman foram totalmente esquecidos, ou cortados. Batman continua com a aparência de “justiceiro noturno”. Seu aparato tecnológico continuam nesta versão mas a referência a Jack Kirby foi cortada. Após a resposta polarizadora à cena de Batman vs Superman, esse enredo foi totalmente removido da Liga da Justiça de 2017. O corte de Snyder o traz esse enredo de forma violenta. 

  • Darkseid e Lobo da Estepe

Tanto nos quadrinhos quanto no DCEU, Lobo da Estepe vem de Apokolips, o mundo alienígena escuro governado por Darkseid. Mas não se tinha muitas informações acerca do que realmente o vilão estava fazendo na Terra. No corte, temos mais uma contextualização do personagem, e isso se dá por outro personagem retirado da versão cinematográfica. DeSaad (um dos servos) faz referência a uma traição de Lobo da Estepe cometida contra Darkseid, razão pela qual ele foi mandado para longe de Apokolips e forçado a conquistar outros mundos. Esta queda do personagem em desgraça dá uma base muito mais convincente para quem assiste.

Outra personagem, que aparece como um easter-egg, é Vovó Bondade. Esses momentos são em Apokolips quando seu mestre se comunica com Lobo da Estepe – e isso foi retirado da versão cinematográfica.

A cena de flashback da "aula de história" segue o mesmo enredo geral de  Liga da Justiça de 2017, mas a principal diferença é que apresenta Darkseid em vez de Lobo da Estepe. Além disso, é um pouco mais longo e melhor editado, tem um pouco mais de Lanterna Verde e uma luta muito mais épica (embora curta) entre Darkseid e Ares, o Deus da Guerra.

Já em 2017, Darkseid foi removido totalmente da história e fez Lobo da Estepe parecer o vilão principal, o que não funcionou. Suas motivações não eram claras e ele não era nada intimidador. Na batalha de Themyscira, ele aparece em trajes de batalha genéricos, brevemente adora a caixa-materna em um diálogo desconcertante, e não tem presença de tela ameaçadora - mesmo que a luta seja a mesma do corte. As caixas-maternas também não são explicadas, ou seja, o público não tem um motivo para se importar com o plano dele.

  • Finais de cada personagem

Na Liga da Justiça de 2017, grande parte da configuração da sequência da versão de Snyder foi cortada ou alterada, já que o DCEU estava se encaminhando para uma direção diferente, mas todos os personagens têm seus finais originais de volta, o que em grande parte configura um filme solo.

Batman é mostrado tendo cercado uma gangue de criminosos e os amarrado na frente de sua "Máquina de Guerra" semelhante a um tanque. Há também outra cena em que Lex Luthor diz ao Exterminador que Bruce Wayne é o Batman, criando o filme solo cancelado de Ben Affleck.

A Mulher Maravilha é mostrada segurando a flecha de Artemis e olhando para o oceano, sugerindo que ela está procurando uma maneira de voltar para seu povo em Themiscira, possivelmente criando uma versão diferente de Mulher Maravilha 2 na época.

Barry Allen revela seu trabalho "pé na porta" em um laboratório criminal para seu pai, criando uma sequência onde Cyborg o ajuda a limpar o nome de seu pai. 

A última cena de Aquaman é preparada para seu filme solo, onde ele diz a Vulko que está indo para casa para ver seu pai. Embora a configuração em si seja bastante limpa, a Snyder Cut apresenta algumas contradições de continuidade menores com Aquaman.

O final de Cyborg o mostra remontando o gravador com a mensagem de encerramento de Silas Stone, sugerindo que seus poderes tecnológicos estão se expandindo, e o apelo geral de Silas nessa mensagem é para ele abraçar sua habilidade como herói e crescer. 

O final do Superman o mostra assumindo o papel de Clark Kent novamente e fazendo o rasgo clássico da camisa, assim como o corte cinematográfico, só que agora ele está vestindo o terno preto e prata do Superman.

Ryan Choi também tem seu próprio momento aqui, onde ele foi nomeado chefe de nanotecnologia do STAR Labs.