Esta é uma análise de uma fã da Marvel, que adora o Cinema e acompanhou o UCM desde o início.

Não, eu não farei como o crítico da Folha que esculhambou o filme sem nenhum argumento inteligente. Minha intenção não é desmerecer o filme, só acentuar questões que para mim são furos de roteiro e não coloca este longa- que a propósito é muito bom- como o "MELHOR".

Agora que o spoiler foi liberado me senti na liberdade de compartilhar minha opinião com vocês. Se você não concorda fique de boas, o espaço de comentários está aberto para todos os que respeitosamente querem dialogar. Essa é somente minha opinião, e eu super respeito a sua. Somos brothers!

Pois bem, dito tudo isto, simbora!

O UCM

O Universo Cinematográfico da Marvel é algo absolutamente incrível e inovador. 

Não há dúvidas que a construção deste fenômeno, começando com Homem de Ferro em 2008, e seguindo por longos 10 anos e 21 filmes, é algo inédito na história do cinema. 

A sétima arte não é mais a mesma. A maneira como consumimos e discutimos a respeito do cinema é outra. E isto aconteceu graças aos filmes de super-heróis, seja da Warner ou da Disney; e, claro, à Marvel.

Toda esta mudança é surreal! Coloca o gênero sempre menosprezado em alta, e consequentemente a figura do nerd, tantas vezes humilhado por seus gostos até então peculiares, no centro da cena hollywoodiana. Algo que eu considero louvável!

Obrigada UCM por ter transformado a estreia de um filme num evento mundial, maior que o Oscar ou qualquer outra celebração do cinema. Quem ganha somos nós, os fãs, e obviamente, a Cultura Pop.

Você que está lendo essa análise neste momento vai poder dizer as próximas gerações que testemunhou toda essa virada no cenário mundial. Que acompanhou de perto o desenrolar de uma super série de filmes e presenciou o espetáculo em forma de estreia do filme de encerramento de lendas da cultura. 

Esta foi a melhor época para ser fã de super-heróis, e eu vivi pra isso!

Vingadores: Ultimato com muito spoiler

Okay, agora você deve estar se perguntando como o título da análise e esta breve introdução podem estar no mesmo texto. Calma, não foi sensacionalismo!

Minha intenção era te mostrar que eu sou fã do gênero e do estúdio. Mais que isso, eu gostei do filme. Mas confesso que algumas coisas de roteiro acabaram quebrando o hype da minha experiência e, consequentemente, frustrando minhas expectativas em alguns momentos.

Pra começar, eu não chorei! E não, não sou um coração de pedra kkkk. Guerra Infinita é testemunha do quanto eu derramei lágrimas por esses personagens. E para Ultimato até preparei uns lencinhos e tirei a maquiagem. Estava pronta! Mas, infelizmente, não aconteceu.

O rato/ Mickey.... fala sério, véi?!

A primeira coisa que me deixou chateada, e nesse caso senti até raiva mesmo, foi a maneira como o homem-formiga saiu do Reino Quântico.

As teorias eram milhares, e esta era sem dúvida uma das partes mais interessantes do filme. Eu realmente estava curiosa para saber como o roteiro iria se desdobrar pra tirar o personagem dali sem parecer óbvio. Infelizmente, foi uma fumação de banana total!

O rato que tirou o Scott dali foi o verdadeiro herói do universo. Ora, se o Scott não tivesse saído os Vingadores não teriam acesso ao reino quântico e, consequentemente, não poderiam fazer as viagens no tempo. 

Os diretores depois vieram com um papo de "foi uma metáfora sobre o Mickey e a Disney, e blablabla", mas a questão é que por mais fofa que pareça, esta metáfora não funciona dentro do filme. O que me pareceu foi aquela velha história do "roteirista preguiçoso mandando um deus ex-machina", que é quando uma solução aparece do nada, bem como um milagre mesmo, para salvar determinada situação e daí a história começar a andar.

Isso me frustrou porque havia outras maneiras de tirar o Scott dali com mais inteligência, sabe? E por causa da piada/homenagem eles preferiram um jeito mais fácil. Algo que eu lamento muito, porque acabou meio que comprometendo um pouco da minha experiência.

A viagem no tempo e os capitães América!

O filme tem uma explicação própria sobre a viagem no tempo. Algo bem conceitual e diferente do que os demais longas de ficção científica que exploram a ideia possuem.

O problema é que no final, na parte do Capitão América, o filme acaba se contradizendo com a sua própria explicação inicial.

Vejamos, professor Hulk diz que não importa o que você fizer durante a viagem que aquela situação não vai alterar a sua realidade. No entanto, uma nova "dimensão" no espaço-tempo vai ser aberta.

Pouco depois, a anciã fala para o Bruce Benner que sua realidade seria alterada se ela o entregasse a joia do tempo, ao que ele retruca que se entregues no momento em que foram pegas, as joias não iriam fazer uma curva naquela linha e meio que tudo voltaria ao normal outra vez.

Pois bem, no final do longa, Capitão América leva as joias e o martelo do Thor para o tempo em que elas foram pegas, afim de reorganizar a lógica daquelas realidades.

Acontece que Steve Rogers volta no tempo, entrega as joias, mas fica por lá mesmo. Voltando apenas no momento "presente" em idade avançada e uma aliança de casamento. Ele explica que preferiu ficar e viver essa vida tranquilo que o Stark o tinha recomendado.

Minha grande questão foi: existiram dois capitães ao mesmo tempo?

Ora, o fato de Steve ter voltado e ficado com a Peg Carter abriu uma segunda realidade, onde um capitão estava congelado, enquanto o outro brincava de casinha. Um capitão lutava em Nova Iorque e o outro fazia a feira.

Eu não estou dizendo que a cena é ruim, o Capitão América é o meu personagem da Marvel favorito, e ele merecia demais aquele final lindo. A minha dúvida é sobre a contradição da explicação colocada durante as 3h de filme.

Não adianta diretor nenhum, depois de lançado o filme, ir no twitter tentando explicar algo que não ficou claro. A obrigação de todo e qualquer filme é se explicar. Existe uma sinopse dizendo o que ele quer entregar, e existem os críticos para julgar se ele cumpriu o que prometeu. Se o filme não se explica ele tem problema de roteiro. É simples!

Não significa que o filme deixe de ser bom, ou a cena perca a emoção. É apenas uma maneira de facilitar, de um jeito triste, o trabalho do roteirista. O que deixou muita gente com uma pulga enorme atrás da orelha.

Joias + Hulk = Tony é mais forte. Essa equação não bate!

E por último, o ponto que me deixou em dúvida, também por uma informação prévia do roteiro e depois pela sua própria contradição, foi a cena em que Tony Stark usa a manopla e estala os dedos com mais facilidade do que dois personagens que são extremamente mais fortes que ele: Hulk e Thanos.

A cena é perfeita! Ela é emocionante e impactante, ideal para encerrar a participação de um ícone que é o Homem de Ferro.

A grande questão é que, mais cedo, o roteiro, através de Bruce, explicou que somente ele, de todos os que estavam ali, poderia vestir a manopla por causa da radiação gama que emanava das joias.

Mal vestiu a manopla e ele quase foi morto. Ficou visivelmente muito machucado e estalou os dedos com dificuldade.

Minha indagação foi: como pode o Hulk, que é um dos Vingadores mais fortes, ter tanta dificuldade em usar a manopla, enquanto o Stark conseguiu fazer pose, ter close e ainda dar frase de efeito?

Mais uma vez, a cena por si só é belíssima, e eu gritei pra caramba. Mas dentro da explicação inicial do roteiro ela não funciona. Por mais que ele tenha morrido depois, ele não conseguiria nem falar em condições normais, iria facilmente sucumbir, apenas!

Eu sei que não posso cobrar veracidade de um filme de fantasia. Mas, os "erros" que apontei são contradições do próprio roteiro, que não consegue concluir sua explicação e acaba jogando seu próprio conceito por terra apenas para facilitar seu trabalho dentro da construção narrativa. Não é porque é Vingadores que tá tudo bem. 

Outros pontos:

  • A manopla do Infinito foi forjada numa estrela específica por um anão específico. Em Ultimato, o Tony simplesmente consegue fazer, numa super velocidade, uma manopla equivalente e que suporte o poder de joias que estão além do conhecimento dele.
  • Henry Pin passa a vida tentando conceber de fato a viagem no tempo. Em uma noite, Tony Stark consegue fazer o que Henry levou anos e anos. Por mais genial que Tony seja, essa nunca foi sua especialidade. E ainda tira todo o mérito do trabalho do homem-formiga original.

Considerações

Não fiz esta análise antes para não dar spoiler. Mas de coração agradeço a você que leu até aqui. Espero que tenha compreendido meus motivos. Se não concordou com nenhum deles comenta aqui abaixo, eu realmente quero conversar (com muita paz) sobre esses e outros pontos que vocês acharem relevantes.

Vingadores Guerra Infinita continua sendo a coisa mais desafiadora e diferente que a Marvel já fez. Consequentemente, meu filme favorito do estúdio.

Vingadores: Ultimato é um marco na história do cinema e merece ter a maior bilheteria. Ele é um belíssimo encerramento de um lindo ciclo. Dou 4/5 estrelas.

Agradeço a Marvel por ter feito com que tantas pessoas se apaixonassem por esses personagens maravilhosos, e fico feliz por ter podido acompanhar a construção e fim deste Universo incrível.

Como fã, serei eternamente grata. Como crítica fico feliz em poder dizer o que senti e ser respeitada mesmo discordando da maioria. Todos nós temos um super-herói fantástico em nosso interior louco pra sair. Então, Vingadores, Avante!

Obrigada por isso, Disney. Eu te amo mil milhões!