A gente sabe que estamos em um momento delicado para a humanidade e que precisamos ficar em casa para fazer com que as coisas se normalizem mais rapidamente. Existem mil e uma formas de usar esse tempo em casa a nosso favor. Podemos fazer algum curso gratuito na internet, atualizar aquelas nossas séries que ficaram por terminar no meio do caminho. Podemos também organizar nossas pastas no computador, apagar aquelas toneladas de arquivos que não precisamos mais, e também podemos dar uma limpeza geral no nosso quarto, e eu sei que ele está bem bagunçado. Uma outra boa opção é ler aqueles livros que você comprou e deixou ali na estante parado pegando poeira.  Podemos fazer tudo isso ouvindo músicas e nessa matéria iremos te apresentar alguns artistas nacionais que navegam entre o indie, folk, rap e mpb.

CÍCERO

Cícero Rosa Lins, mais conhecido por Cícero, é um cantor, compositor e produtor brasileiro.

Cícero lançou em 2011 seu primeiro CD, Canções de Apartamento, produzindo, gravando e tocando todos os instrumentos em casa e disponibilizando para download gratuito. Fortemente inspirado pela MPB e bossa nova, chega a fazer referências explícitas em algumas canções, como a lembrança de “Dindi” de Tom Jobim na faixa “Pelo Interfone” ou de Braguinha na marchinha arrastada “Laiá Laiá”.

O disco rendeu dois Prêmios Multishow de Música Brasileira em 2012, nas categorias Música Compartilhada (pelo disco) e Versão do Ano (pela sua versão da canção “Conversa de Botas Batidas”, do Los Hermanos).

Gravado novamente de forma caseira, Cícero lança em 2013 seu segundo disco, Sábado, desta vez com participações de Marcelo Camelo, Silva e Mahmundi.

Em 2015, Cícero divulgou seu disco A Praia, seu terceiro álbum de inéditas.

Cícero & Albatroz é o quarto álbum do carioca, que foi lançado em 2017 pela Sony Music.

Agora em 2020, lançou o álbum COSMO

MC THA

A artista iniciou sua jornada como MC aos 15 anos cantando em bailes funk na Cidade Tiradentes, extremo leste de São Paulo. Apaixonada por música brasileira, caminha entre o batidão e referências tropicalismo.

Aos 18 anos, ao ingressar numa faculdade e passar a trabalhar com projeto social e cultural, acontece uma ruptura e os planos de cantora são deixados de lado e só são reanimados em 2014 com o single e clipe de Olha Quem Chegou produzido por Jaloo. Em dezembro de 2018, MC Tha lançou o EP Versões com quatro faixas: Olha Quem Chegou, Pra Você, Bonde da Pantera e Valente. O material, desenvolvido pelo produtor e diretor musical Pedrowl, acompanha um material audiovisual criado pelo selo OBaile. 

DJONGA

Djonga é um dos destaques da talentosa nova geração de rappers mineiros. Influenciado pelo funk e pelos Racionais MC’s.  Ele é um rapper, escritor e compositor brasileiro considerado um dos nomes mais influentes do trap/rap atual. O artista chama a atenção por sua lírica afiada, marginalizada e agressiva e por suas fortes críticas sociais nas letras. A ideia do rapper é mostrar que o hip hop não é uma "música marginalizada", como um dia foi considerado o samba.

Após participar de vários projetos de destaque e lançar singles muito bem recebidos, Djonga lançou Heresia, seu álbum de estreia, no início de 2017. Feito no período de 2 meses, a obra dividiu bastante a crítica especializada do rap nacional, mas ganhou a boca e os corações dos ouvintes, consolidando o MC na cena e abrindo caminho para o aclamado O Menino que Queria Ser Deus, seu segundo álbum, lançado um ano depois. Em 2019 lançou o álbum "Ladrão", e agora em 2020, Histórias da Minha Área.

JULIO SECCHIN

Julio é compositor, produtor musical, multi-instrumentista, cantor, diretor e produtor de videoclipes. Sua carreira musical começou quando, tardiamente, fez as pazes com o carnaval carioca em 2016.

Julio se arrisca nas composições ao ser explícito na forma e no conteúdo do álbum. “Eu queria que fossem letras que narrassem o que as pessoas vivem hoje em dia. As gerações atuais não vão dar muita bola para narrativas que não tenham o mínimo de realidade do que elas vivem”, afirmou. Influenciado pela sinceridade nas letras do rap e do funk, o cantor tem como maior inspiração Caetano Veloso e o momento escolhido para lançar o novo projeto foi intencionalmente pensado. “A cultura pode salvar o país nesse momento. Então, eu faço a minha parte, pois não há saída nem política nem econômica sem que a gente consiga se entender. E só vamos conseguir nos entender através de algo que nos una na brasilidade, ou seja: a música. Ela é uma pílula muito mais doce de engolir e de assimilar certos valores. As pessoas estão numa trincheira de argumentação política que já está saturada e a música é um belíssimo caminho”, afirmou o músico.

RENATO ENOCH

Renato é um cantor, compositor e produtor musical mineiro. Natural de Belo Horizonte (MG), iniciou sua trajetória musical na internet, reinterpretando canções conhecidas com roupagem própria. Depois, lançou canções autorais de forma independente.

Com uma poesia sentimental e engajada, suas composições tocam em temáticas contemporâneas e pessoais. A mistura de seu vocal marcante com diferentes influências musicais - como a Mpb, o indie folk, o eletrônico e o R&B/soul - resulta em música brasileira com atmosfera própria.

SILVA

Silva lançou em 2012 o primeiro EP, 2012 com seis canções, focado no indie pop. Ainda no mesmo ano, lança seu primeiro álbum, Claridão, pela gravadora SLAP, selo da Som Livre. Em 2014, lançou seu segundo álbum de estúdio, intitulado Vista pro Mar, que teve como convidada a cantora Fernanda Takai na faixa "Okinawa". Vista pro Mar foi eleito o oitavo melhor disco nacional daquele ano pela Rolling Stone Brasil. Em 2015, Silva lançou a canção "Noite", com participação de Lulu Santos e Don L, presente no primeiro álbum ao vivo do cantor, Vista pro Mar. No dia 06 de novembro de 2015, o cantor lança o primeiro single oficial de seu terceiro álbum de estúdio, Júpiter, intitulado "Eu Sempre Quis". O álbum ainda gerou os singles "Feliz e Ponto" e "Sufoco". 

Em 2016 redirecionou sua carreira para a MPB e lançou a turnê Silva Canta Marisa, com repertório de Marisa Monte. No mesmo ano é lançado o quarto álbum de estúdio do cantor, intitulado Silva Canta Marisa, com o repertório da turnê e uma nova canção, "Noturna (Nada de Novo na Noite)", composta e cantada em parceria com a própria Marisa. Em outubro de 2017 foi lançada o segundo álbum ao vivo do cantor, Silva Canta Marisa Ao Vivo. Em 2018, Silva esteve em turnê com o álbum Brasileiro, apresentando-se em dezenas de cidades de todo Brasil e Portugal. Em 2019, lançou o single "Um Pôr do Sol na Praia" com Ludmilla. Em janeiro de 2020, foi lançado o single "Pra Vida Inteira" com  Ivete Sangalo.

PHILL VERAS

Phill é cantor, compositor e músico. Entre os clássicos da canção brasileira e melodias contemporâneas, autodidata se destaca como um dos principais artistas da nova geração musical do país. Em agosto de 2018, Alma, seu terceiro disco na carreira, mostra a evolução e maturidade de Phill. O trabalho foi inteiramente produzido pelo próprio artista e se desenrola nas 12 faixas que falam sobre amor, espiritualidade e entendimento pessoal.

VANGUART

Vanguart é uma banda de indie rock formada no ano de 2002 em Cuiabá, Mato Grosso, pelo vocalista e violonista Helio Flanders.

O Vanguart é bastante influenciado por artistas de rock alternativo, blues e rock clássico, tais como Johnny Cash, Bob Dylan, Lobão, The Beach Boys, The Velvet Underground, The Beatles e Neil Young como também de estilos musicais típicos de Mato Grosso. Seu repertório inclui músicas em três idiomas: português, inglês e espanhol. Essa variação linguística foi um dos principais impasses na hora de selecionar as músicas que fariam parte de seu primeiro álbum. Segundo Helio Flanders, "Todo mundo queria um disco em português."

JALOO

Em 2015, quando lançou o disco de estreia #1, Jaloo escolheu a música “Vem” para abrir o trabalho, um verdadeiro convite festivo para balançar, se acabar e sentir o som na pista. Em 2018, o cantor, compositor, produtor e arranjador revela um novo álbum. A primeira faixa, contrasta bastante com a pegada do disco antecessor – mas sem perder o frescor pop. Em “Say Goodbye”, o paraense volta o olhar para o interior e, pela primeira vez, se coloca tão exposto em sua letra. 

Say Goodbye representava o retorno de Jaloo ao trabalho autoral e ao processo criativo e de composição. “Essa música fala sobre a necessidade da mudança, mas também sobre empatia”, conta o artista. “Tem hora que você precisa se curar de enfermidades que acabou adquirindo e, ao mesmo tempo, tem de olhar para o outro e reconhecer que ele também precisa de cuidados”, completa.

JOHNNY HOOKER

Johnny Hooker é um cantor e compositor nascido em Recife, PE. Seu nome despontou no cenário nacional com o sucesso do álbum "Eu Vou Fazer Uma Macumba pra Te Amarrar, Maldito!" que rendeu o Prêmio da Música Brasileira de Melhor Cantor e produziu singles como "Amor Marginal" e "Alma Sebosa", ambos trilhas de novelas da TV Globo. Seu segundo álbum solo "Coração" gerou uma aclamada participação no Rock in Rio 2017, além dos singles "Flutua", premiado como Clipe do Ano nos Prêmios MTV MIAW 2018 e “Corpo Fechado” vencedor como FEAT do Ano na edição 2019. A turnê de “Coração” passou duas vezes pela Europa, em países como Inglaterra, Irlanda, Espanha, Alemanha e Portugal (onde tocou na Parada LGBTQ para mais de 25 mil pessoas). Suas músicas e vídeos possuem mais de 100 milhões de streamings/views e já fizeram parte de 7 trilhas sonoras de folhetins da TV Globo e de inúmeros filmes e séries brasileiras e internacionais.

CASTELLO BRANCO

A arte provocativa do músico Castello Branco é um contraponto ao seu canto pausado, lento e bem articulado. "A minha terra não é plana / Clama pelo papo reto". Em Geral importa, assim como nas outras 10 composições do seu novo disco, Sermão, o músico, uma das apostas da nova música brasileira, traça um desenho em cada canção com letras faladas com precisão e cuidado. Também convida o público para um diálogo direto sobre o mundo que os cerca. 

Para cada álbum, o artista escolheu palavras que não só refletissem o contexto social e político da época, mas que fossem provocativas; que tivessem sentidos múltiplos; que fossem usadas no cotidiano, mas não fossem percebidas; que pudessem ser ressignificadas. "Em 2019, percebi que era o momento de encerrar esse ciclo e a palavra para mim que diz sobre o momento bem provocativo é o sermão", explica. 

CLIVER HONORATO

Cliver é cantor, compositor e instrumentista. Dedica-se a música desde o início dos anos 2000. Neto de Joel Honorato, sambista nos anos 60 em Belo Horizonte, teve o avô como inspiração e aprendeu sozinho as primeiras notas de violão no início da adolescência. Aos 15 já se apresentava pelos bares da capital e de lá pra cá transitou pela Fundação de Educação Artística (FEA) e Universidade Estadual de Minas Gerais (UEMG), onde se formou no curso de Licenciatura em Música, com habilitação em Violão. Recentemente lançou seu primeiro disco, “Cliver Honorato”, resultado de toda essa vivência artística. O álbum com canções autorais transita pelo rock, jazz, bossa nova e samba.

AS BAHIAS E A COZINHA MINEIRA

O grupo possui fortes influências de Gal Costa e do Clube da Esquina, e tem como mote na música identificar as formas de expressão das mulheres. 

Raquel Virgínia, Assucena Assucena e Rafael Acerbi conheceram-se no curso de história da Universidade de São Paulo por volta de 2011. Da convivência, algumas ideias já se colocaram como projeto musical. A banda decidiu tocar junto de fato a partir da morte de Amy Winehouse, em tributo a cantora britânica.

O primeiro álbum da banda, Mulher, foi gravado durante três anos, em meados de 2012 e lançado oficialmente em 2015. O segundo álbum, Bixa, foi lançado em 2017.

Em 2019, As Bahias e a Cozinha Mineira anunciaram novo álbum, intitulado Tarântula. A banda entende este novo álbum como a conclusão de um processo de intensa profissionalização.

Agora você já indicação o suficiente para mergulhar nas vozes do nosso país entre seus mais diferentes estilos e abordagens. ouça-os, conheça-os e se divirta.

Conhecer a nossa cultura, a nossa música, nos ajuda a seguir a jornada de autoconhecimento enquanto membros de uma sociedade tão diversa quanto a nossa. É ouvindo as nossas vozes, as nossas histórias e desejos, que encontramos uma parte de nós. 

#FiqueEmCasa