O seriado é uma joia pouco valorizada da Netflix, encontra-la foi praticamente um achado, uma recompensa de horas e horas minerando o extenso catalogo do streaming. Algo que faz realmente pensar o porque de tanta desvalorização e falta de divulgação do seriado.

E  que fazer quando você de apaixona por uma serie que ninguém valoriza? Então, no meu caso eu escrevo uma matéria. Então cá estou eu para lhes apresentar One Day at a Time.

Remake

 Começo explicando que a produção é um remake da sitcom de mesmo nome dos anos 70,  estrelando Bonnie Franklin. Desde sua estreia, em 1975, foram nove temporadas exibidas pela CBS até seu término em 1984, o que deixou uma legião de fãs órfãos. Décadas depois, a Netflix resolveu reviver o clássico sitcom, agora estrelando Justina Machado  no papel principal. 

Vale ressaltar que o fato de ser um remake não tira o brilhantismo da obra, que conseguiu homenagear muito bem a antecessora e ainda consegue encontrar sua própria identidade.

A produção conseguiu trazer para a trama assuntos atuais e relevantes, a série já abordou temas como: depressão, ansiedade, sexualidade, identidade de gênero, sexismo, religião, alcoolismo, drogas, racismo, machismo, homofobia, xenofobia, entre outros. E tudo sem perder o humor, fazendo com que sejamos tocados com leveza e intensidade ao mesmo tempo.

 

Personargens

A história se passa ao redor dos Alvarez, família cubano-americana que vive em Los Angeles. Onde a matriarca Penélope Alvarez (Justina Machado) uma veterana do Corpo de Enfermagem do Exército dos Estados Unidos, vem enfrentando o seu retorno à vida civil com muitos problemas não resolvidos durante sua passagem no Exército. Ela vive com sua filha Elena Alvarez (Isabella Gomez), filho Alex Alvarez (Marcel Ruiz) , sua mãe Lydia Riera (Rita Moreno) e Schneider (Todd Grinnell) o senhorio do apartamento e amigo da família, esse ultimo não mora com eles, mas passa tanto tempo lá que praticamente é da família.

 

Penélope é a tipica mãe de família que sempre enfrenta tudo por todos.

Com o decorrer dos episódios somos tocados pelas histórias da família, vemos a dificuldade de Penélope por criar os filhos sozinha, já que seu marido tinha problemas com alcoolismo, vicio esse que ele utilizou com uma escape para os traumas pós guerra chegando ser um perigo para ela e os filhos.

Assim como Victor, pai das crianças, Penélope serviu no exercito e vemos ela em sua trajetória com os traumas pós guerra (tanto física quanto psicológica) sem nenhuma assistência do governo. Somos também apresentados a depressão e ansiedade que muitos soldados enfrentam, porem se negam a aceitar, assim como Penélope o faz, pois como sabemos, saúde mental é bem desvalorizada na sociedade como um todo.

Outro ponto abordado nessa personagem é os desafios de ser mãe solteira, tendo que muitas vezes abdicar de seus sonhos para que seus filhos tenham oportunidades melhores, muitas vezes se anulando quer seja sentimentalmente ou profissionalmente.
 

Elena tentando seduzir

Sobre a Primogênita Elena, vemos uma jovem feminista e super engajada em causas sociais, literalmente ela milita por tudo e muitas vezes nos vemos sendo ensinados por ela, mesmo que de um jeito meio maluco.

Outro fator é forte de Elena é que ela nos é apresentada numa fase de duvida de sua sexualidade, algo que é muito pouco falado mas todos os jovens costumam passar. A jornada de Elena faz ela se descobrir lésbica. É hilário ela conversando com seu irmão sobre brócolis e couve-flor como representação masculina e feminina.

O segunda parte dos problemas de Elena, está em contar a família, uma família tipicamente latina e religiosa, além de um pai extremamente machista e preconceituoso.

Papito sendo papito

O pequeno Alex nos é apresentando como um pré adolescente mimado e consumista, mas no fundo vemos que não é assim. Apesar do fato de ser mimado pela avó é real.

Durante as temporadas vemos o caçula da família sofrendo com xenofobia na escola por sua aparência do ‘padrão’ latino, principalmente após a nova política instalada, além de sua necessidade de popularidade, que muitas vezes reproduzir estereótipos babacas.

Alex é um dos personagens que mais vemos crescimento com isso outros desafios sendo colocados em seu caminho, como seu consumismo e ate uso de drogas.

 

Abuelita, a melhor.

Assistir One Day at a Time (ODAAT), é literalmente amar a Abuelita, é quase que instantaneamente. Somos encantados com um mulher forte, cheia de glamour, autoestima, e muito divertida, Rita Moreno entrega-se por completo para esse papel.

Mas acabando descobrindo que toda essa personalidade da abuelita na verdade é uma armadura. O drama da abuelita Lydia é realmente muito forte, a matriarca da familia é imigrante, vida para a américa com um programa da igreja, sem saber o idioma, com duas irmãs pequenas,  fugindo de Fidel. O que a deixou com traumas nunca falados.

Apesar dela amar muito Cuba, podemos ver que ela sente medo de ter que retornar a cuba, graças a nova politica instalado com a entrado do Trump. 

 

Schneider, o amigão de toda hora.

E por ultimo não menos importante temos Dwayne Schneider, ele é um canadense que se mudou para os estados unidos ‘fugindo’ do pai. Schneider é dono do prédio onde a família Alvarez vive, e apesar de todas as riquezas e luxos que ele tem, vemos seus demônios sendo travado.

Schneider, é viciado em álcool e jogos, o que faz ele constantemente lutar para não cair. Outra questão é a solidão, ele nunca se deu bem com a família, o que o faz sentir muita falta de um lar e acaba sendo adotado pela família sempre aparecendo pra ajuda-los quando necessita.

Roteiro

Produzido e escrito por Gloria Calderon Kellet (How I Met Your Mother, 2005-10) e Mike Royce (Everybody Loves Raymond, 1999-2005), One Day At a Time aborda de forma natural temas relevantes atualmente. Em época em que o preconceito anda mais evidente em todo lugar, a série impõe uma mensagem moral sobre a homossexualidade e o quanto a religião e a cultura podem afetar o julgamento familiar nesses casos.

Essas subtramas são bem introduzidas e desenvolvidas sem que questões sociais afetem o principal propósito da obra: divertir. Kellet introduz também sem sair do contexto inicial temas como o machismo, e brinca com questões culturais ao representar um povo vivendo em terras desconhecidas. Tudo isso em cima do núcleo dramático que envolve a personagem principal, a responsabilidade, a independência e as dificuldades de ser mãe solteira. Um quadro que representa bem a situação atual.

Além disso, o mais importante, a comédia é hilária e na medida certa; os atores mostraram um timing afiado no roteiro descontraído de Kellet e Royce, e nenhum personagem fica para trás.

Premiada

 O seriado com três temporadas no catalogo do serviço de streaming tendo sido listado um dos melhores programas de televisão de 2017, com mais de 18 críticos classificando-o como um dos dez melhores shows do ano. 

Veredito

A série pode ser considerada uma ótima opção para todos. One Day At a Time pode ser vista tanto como uma homenagem ao show de 1975 quanto um produto de comédia que funciona sozinho. É uma sitcom de qualidade, com uma história que conta muito mais do que parece, ótimas atuações, diálogos engraçados e uma fotografia leve e alegre. 

As três primeiras temporadas estão da Netflix, porém o show foi cancelada pelo serviço. Mas devido ao apelo de seus fãs fies o canal Pop comprou os direitos e a série ganhou uma 4ª temporada.

 

Deem amor aos Alvarez